tarso e sua filha
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Cada vez que o PT adota uma posição acertada, a imprensa golpista, setores reacionários e direitistas do Partido dos Trabalhadores vêm a público fazer frente única com o que há de mais conservador na política nacional, em clara defesa dos interesses imperialistas.

Agora foi a vez de Tarso Genro, em entrevista concedida nesta última quinta-feira (11) ao jornal gaúcho Zero Hora, criticar a atitude corretíssima de Gleisi Hoffmann de ir à Venezuela prestigiar pessoalmente a posse de Maduro.

Tarso, demonstrando toda a sua natureza carreirista e reacionária, praticamente leu o velho enredo já escrito de antemão pelo imperialismo norte-americano, afirma que “a ida do PT à posse não ajuda à reconstrução da imagem do PT”. E acrescenta de forma surpreendente que o governo Maduro seria “parecido com o nosso aqui do Brasil”, pois que na Venezuela não haveria “projetos consistentes para o enfrentamento da miséria e da fome”, e que, como Bolsonaro, também que o governo venezuelano estaria desconsiderando as “regras republicanas” e promovendo uma “militarização da política”.

Fica fácil perceber, logo de início, a sintonia com o discurso francamente imperialista com que a filha de Tarso, Luciana Genro, nos brindou nesta semana. A família está afinadíssima e fazendo tudo o que pode para o bem do projeto dos EUA de implantar um sistema de superexploração no continente Latino Americano, onde o imperialismo tenta jogar nas nossas costas os prejuízos das terríveis perdas que capitalismo vem sofrente, em evidente decadência, agora na iminência de uma nova crise sem precedentes.

Neste contexto, deve-se levar em consideração que a Venezuela detém a maior reserva de petróleo do mundo, razão pela qual o imperialismo move intensos esforços para tomar do povo venezuelano sua enorme riqueza, ainda que seja à força. Para isto envolve a imprensa burguesa, partidos políticos e pressões diplomáticas e militares de toda ordem.

Os Genro sempre estiveram a serviço destes interesses e, não por outra razão, sempre conduziram todas as discussões para a conversa mole da pretensa necessidade de autocrítica do PT, de reforma da esquerda, de “reconstrução da imagem do PT” etc.

O PT sofre praticamente desde que surgiu uma intensa campanha difamatória por parte da burguesia, que naturalmente não quer saber de nenhum partido de massas no Brasil. Esta campanha intensificou-se sobremaneira desde a preparação do golpe de Estado, na época do mensalão, cujo total absurdo jurídico e político também contou com todo o apoio da família Genro.

Mas longe dos olhos da burguesia e de seus capachos pequeno-burgueses, para o povo em geral, não há nenhuma necessidade de qualquer “reconstrução de imagem do PT” como afirma Tarso. Basta ver a intensa popularidade do ex-presidente Lula, que, em eleições minimamente limpas, teria sido eleito já no primeiro turno, e que até hoje, ainda que preso e alvo central da mais intensa propaganda demolitória de imagem pública já vista em nossa história, mantém níveis altíssimos de popularidade.

Ao contrário do que alardeiam os urubus da “autocrítica”, o PT, quanto mais se coloca à esquerda, mais aumenta seu poder de atração de novos militantes, simpatizantes e filiados, tendo obtido níveis recordes de adesão justamente nos momentos de maior ataque da burguesia, demonstrando que o povo quer mesmo é um partido combativo e que enfrente com toda a força os exploradores e inimigos dos trabalhadores.

Ninguém quer saber de mais um partido golpista.

Mas o Tarso não se contenta com pouco. As besteiras de sua fala devem realmente chegar às raias da insanidade, desde que assim possa agradar os ouvidos da burguesia, a quem presta bons serviços, há muito tempo.

Dizer que Maduro não tem projetos de enfrentamento de miséria e fome, realmente, é afirmação de alguém que vive em uma esfera paralela da realidade.

Conforme decidiu a Assembleia Nacional Constituinte venezuelana, mais de 70% dos recursos do “Orçamento da Nação” foram dedicados a investimentos sociais, onde se destacam os planos relacionados a saúde, moradia, educação, trabalho e cultura. E note-se: quem decidiu isto foi justamente a Assembleia Nacional Constituinte, algo que, na conversa mole do direitista Genro, não seria suficientemente republicano.

Não é à toa que, na Venezuela, ao contrário do que há no Brasil, o povo em geral apoia com toda a sua força o governo Maduro, a ponto de pegar em armas, arriscar voluntariamente sua própria vida para defender o país de qualquer tipo de golpe que o ameace.

E além do povo em armas, na Venezuela, a cúpula das Forças Armadas são de fato nacionalistas, ao contrário do que temos no Brasil. Protegem com unhas e dentes o seu próprio povo, diferente dos nossos generais que não sabem fazer outra coisa do que apontar seus fuzis – e armas de tortura – contra o próprio povo, e sempre às ordens de Washington, assim como faz o golpista Bolsonaro.

Tarso Genro é apenas mais uma dessas vozes oportunistas que desejam destruir totalmente o Partido dos Trabalhadores, transformando-o em algo como um novo PSDB, com uma carinha esquerdista, como, aliás, já é o PSOL da Luciana.

Quem sabe na autocrítica proposta por eles não vai ser incluído, num futuro próximo, trocar a famosa estrela vermelha petista – tão comunista que é – por um outro símbolo. Quem sabe uma laranja com toques verde-amarelos? Certamente representaria com exatidão o que estes reacionários querem do PT: tornar o maior partido da América Latina um “laranja” a mais da corja direitista nacional.

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