Modernista radical
A pintora paulista foi uma importante militante da renovação da arte brasileira, retratando o processo de modernização do Brasil e engajando-se com a política de esquerda
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Tarsila diante do quadro Operários, 1969 | Foto: Arquivo Nacional

Tarsila do Amaral, como muitos sabem, foi uma grande pintora modernista brasileira, uma das principais retratistas do povo brasileiro. Menos conhecida, no entanto, é sua trajetória militante, tanto no meio artístico brasileiro, quanto na política.

A pintora, natural de Capivari, São Paulo, nasceu em uma rica família de fazendeiros, e como era comum à época em sua classe social, teve uma educação francófila na cidade de São Paulo. Os dois últimos anos de seus estudos são realizados em Barcelona, onde tem seu primeiro contato com a pintura. Aos 20 anos de idade, retorna ao Brasil.

Começa a estudar pintura seriamente em 1917, aos 30 anos de idade, com o professor Pedro Alexandrino Borges. Toma lições também com o alemão radicado em São Paulo George Fischer Elpons. Em 1920, viaja a Paris, onde aperfeiçoa sua técnica na academia Julian e na academia de Émile Renard. Nessa viagem, Tarsila entra em contato com as novas tendências das artes plásticas que surgiam na Europa, como o cubismo e o dadaísmo.

Ao retornar ao Brasil, em 1922, a pintora conhece os modernistas Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Tarsila chega a São Paulo logo após a realização da Semana de Arte moderna, em um ambiente de intensa movimentação artística, e ao travar contato íntimo com os principais agitadores modernistas do Brasil, formando o chamado “Grupo dos Cinco”, converte-se ao modernismo, em seus aspectos estéticos e ideológicos.

Em 1923, viaja com o escritor Oswald de Andrade à Europa, onde se tornam um casal. Ao lado de Oswald, conhece Pablo Picasso e estabelece uma amizade com o mestre do cubismo Fernand Léger. Nessa viagem à Europa, Tarsila se aprimora tecnicamente, desenvolvendo as faculdades que permitiriam sua produção excepcional ao retornar ao Brasil.

Ao retornar ao Brasil, em 1924, empreende uma viagem pelo Brasil com Oswald e outros artistas modernistas, a partir da qual começa a retratar a vida nacional, entre bichos e máquinas. Casa-se com Oswald de Andrade em 1926, e em 1928 dá o pontapé inicial no movimento antropofágico ao pintar seu quadro mais conhecido, O Abaporu, cujo nome significa “homem que come carne humana”. No mesmo ano, Oswald publica o “Manifesto Antropófago” em sua Revista de Antropofagia, da qual Tarsila seria colaboradora durante o ano de 1929. O movimento antropofágico foi uma das expressões mais radicais do modernismo brasileiro.

Ainda em 1929, a crise que se segue à quebra da bolsa de Nova York faz a riqueza de sua família virar pó. Nesse período, Oswald separa-se de Tarsila para casar-se com Patrícia Galvão, conhecida como Pagu, uma jovem escritora militante do Partido Comunista Brasileiro. Para os padrões conservadores da época, essa separação foi um grande escândalo social. Tarsila, arrasada pelo acontecimento, devota-se ainda mais à produção artística.

Em 1931, vende alguns de seus quadros e viaja à URSS, onde entra em contato direto com as questões políticas da classe operária. Na companhia de Osório César, viaja a Moscou, Leningrado e Odessa, assim como a Istambul, Belgrado e Berlim. Ao chegar a Paris, sem dinheiro, trabalha como operária na construção civil, pintando paredes e portas. Essa vivência faz Tarsila sensibilizar-se mais ainda com as questões da classe operária. Ao conseguir juntar o dinheiro necessário, volta ao Brasil.

Ao retornar, Tarsila toma parte no movimento político de esquerda. Por conta disso, é presa pelo regime Varguista, acusada de subversão. Livre, a artista começa em 1933 uma série de pinturas de temática social. Nessa época, pinta importantes quadros da arte nacional, como Operários e Segunda Classe.

Por tudo isso, Tarsila do Amaral merece uma homenagem como uma grande artista nacional, militante da modernização da arte brasileira e retratista da classe operária.

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