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Funcionários da burguesia

Tal pai, tal filho

Guilherme Boulos vai seguindo o mesmo caminho trilhado por seu pai, que fez carreira no aparato tucano do governo de São Paulo

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Guilherme Boulos e Marcos Boulos – Foto: Reprodução

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Na última semana, a golpista Folha de S.Paulo anunciou a substituição do petista Fernando Haddad pelo psolista Guilherme Boulos no seu espaço reservado aos colunistas. Haddad havia sido convidado para escrever na Folha de S.Paulo porque, após as eleições de 2020, a burguesia tinha o interesse de impulsionar o seu nome para que a esquerda abandonasse seu mais importante líder, o ex-presidente Lula. O interesse em excluir Lula do regime político permanece, mais do que nunca, vivo para a burguesia; contudo, como hoje Lula está solto e há uma enorme pressão popular para que ele seja candidato, os golpistas procuram colocar a esquerda de conjunto a reboque de outro partido, que não seja pressionado para apoiar Lula. Um dos partidos que cumpre hoje esse papel é o PSOL — e o principal candidato da legenda é o próprio Guilherme Boulos.

O regresso de Boulos à Folha — o psolista já fora colunista entre os anos de 2014 e 2017 — é, portanto, um passo a mais do burocrata do MTST em direção a sua completa integração ao regime. Se, entre os anos de 2014 e 2017, Boulos recebeu a confiança da burguesia para fazer uma campanha para desgastar o governo do PT, agora o ex-candidato a prefeito de São Paulo está sendo chamado para uma missão muito mais desafiadora: concorrer diretamente contra o PT e garantir que a direita golpista permaneça administrando o Estado.

Se Guilherme Boulos está, agora, consolidando sua integração ao regime político — isto é, saiu de estagiário para funcionário de confiança da burguesia —, seu pai, Marcos Boulos, já possui décadas de colaboração absoluta com a direita nacional. Marcos Boulos foi diretor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), um cargo de confiança do governo de São Paulo. Afinal, os diretores de faculdades e institutos são, em última instância, escolhidos pelo reitor. Este, por sua vez, é escolhido pelo governador. E todos os governadores de São Paulo sempre foram profundamente direitistas…

Hoje, Marcos Boulos é funcionário direto do governo de São Paulo. Boulos pai já está há décadas entranhado no aparato tucano dos governos paulistas. Apenas para recordar os últimos governos, São Paulo esteve sob o comando de João Doria, Geraldo Alckmin e José Serra…

E Marcos Boulos não é um funcionário qualquer dos governos tucanos, diga-se de passagem. Com o início da pandemia, ele foi escolhido para coordenar o comitê de combate ao coronavírus em São Paulo. Considerando que a doença matou milhares de pessoas e determinou toda a vida social, incluindo a economia, do último período, o cargo de Boulos é um dos mais importantes de toda a burocracia estatal. Afinal, o comitê sob sua coordenação teria como missão orientar diretamente o governo de São Paulo, recomendando ou não agir desse ou daquele jeito.

Se Boulos fosse um “técnico”, efetivamente, que tivesse somente preocupado com a saúde da população, ele jamais estaria neste cargo. Pois seu papel seria o de, a todo instante, denunciar os crimes do Estado, responsável direto pelas mortes durante a pandemia.

E, de fato, nunca foi esse seu papel. Quando questionado sobre a reabertura econômica, em julho de 2020, Boulos pai falou:

“Isso pode ser uma medida ainda precipitada. (…) Pode ser que flexibilize [as restrições] e se perceba que tem que se voltar atrás.”

Se o “cientista” resume seu parecer a um “pode ser”, significa que não há qualquer ciência sendo feita ali. Boulos lavou as mãos para qualquer decisão acerca da criminosa reabertura econômica, dando de presente, nas mãos de João Doria, o poder de fazer o que quisesse com a população.

Um mês depois, quando a reabertura andava a todo vapor, Boulos afirmou: “esta pandemia vai passar”. Agindo como um típico sindicalista pelego, o que o “cientista” Boulos fez foi simplesmente tentar acalmar a população e aconselhá-la a ficar em casa, satisfeita com o governo genocida de João Doria. No mesmo período, como o governo Bolsonaro e a própria burguesia não estavam favoráveis a vacinar o povo, de modo a cortar os “gastos” do Estado, Marcos Boulos também decidiu minimizar a questão da vacinação:

“A vacina não resolve tudo. Não sabemos se teremos vacina. E terceiro que talvez nem precisemos da vacina”.

Já no final de outubro, quando a burguesia começou uma campanha internacional em prol da vacinação, tamanho o receio de uma segunda onda da pandemia causar um impacto ainda mais profundo na economia, Boulos pai passou a elogiar a vacina: “CoronaVac é segura, evita casos graves e será autorizada pela Anvisa”. E por que tanto amor pela CoronaVac? Ora, porque essa é a vacina pela qual João Doria, seu patrão, pretende organizar uma grande jogada política para sair como grande opositor do governo Bolsonaro.

Marcos Boulos, o “cientista”, se revela, portanto, um mero burocrata de um governo direitista: seu papel é defender a política de seus patrões. Neste sentido, quando hoje defende a vacina, está defendendo a vacina de João Doria. Recentemente, Boulos pai chegou a ser convidado para participar do Jornal Nacional, da Rede Globo, o que mostra seu perfeito alinhamento com os golpistas.

A vacina é também um elo de ligação entre Boulos pai e Boulos filho.

Guilherme Boulos afirmou que iria escrever na Folha de S.Paulo sobre dois temas principais: o governo Bolsonaro e as questões urbanas. Será mesmo?

Boulos nunca se dispôs a lutar contra o governo Bolsonaro. Pelo contrário: atuou no sentido de destruir as mobilizações pelo Fora Bolsonaro em São Paulo. Sua atuação, inclusive, foi um requisito para que conseguisse ser promovido no regime político. E tanto é assim que Boulos filho descumpriu sua promessa. Em sua primeira coluna, “2021 e a epidemia da miséria”, Boulos ignorou completamente o governo Bolsonaro. Optou por, na verdade, expor sua política para o ano de 2021: esperar que a burguesia continue tomando a iniciativa na situação política e vacine a população, nem que para isso milhares tenham de morrer como cobaias e que outros tantos milhões tenham as suas condições de vida rebaixadas.

O programa de Boulos filho, portanto, é o mesmo que o de Boulos pai: em vez de defender os interesses dos trabalhadores em um de seus momentos mais dramáticos, defende intransigentemente a vacina de João Doria.

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