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Em artigo publicado no jornal golpista Folha de S. Paulo, edição desse domingo (dia 14), onde mantém uma coluna de periodicidade quinzenal, a deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP) apresenta um conjunto de argumentos que parece ser um esforço no sentido de rechaçar as críticas que vem recebendo de diversos setores pelo voto favorável ao texto-base do projeto de “reforma” da Previdência, aprovado em primeiro turno da Câmara Federal no último dia 10.

Iniciando a leitura do artigo, já no segundo parágrafo, nos deparamos com a seguinte colocação: “Sabemos que a extrema esquerda não admite flexibilidade alguma de posicionamento, pois está enclausurada em suas amarras” Bom, inicialmente gostaríamos de dizer que se a deputada de primeiro mandato estiver fazendo alusão – quando faz referência à ‘extrema esquerda’ – aos partidos que tem representação no congresso nacional, temos a esclarecer que não há, não existe, nenhum, rigorosamente nenhum partido de “extrema esquerda” com assento nas duas casas congressuais. Partidos alinhados ao pensamento de esquerda e centro-esquerda, com programa e fraseado vagamente socialista, não podem receber a chancela de ‘extrema-esquerda’, seja por sua atuação parlamentar e/ou extra-parlamentar.

Quanto ao fato da ‘extrema esquerda’ (que inexiste no parlamento, mas para todos efeitos, vamos lá, admitindo a existência) não admitir “flexibilidade alguma de posicionamento, pois está enclausurada em suas amarras”, nos vemos no dever de dizer à deputada do PDT paulista que o voto favorável (dela e de outros sete integrantes do seu partido) à aprovação do projeto de destruição da previdência pública nacional demonstrou – sem meias palavras ou qualquer outro disfarce – as verdadeiras “amarras” às quais a jovem “representante do povo” está acorrentada.

Temos a dizer que o voto de Tabata Amaral na “reforma” de Guedes e Bolsonaro amarrou-a, inconfundivelmente, aos autores do maior assalto ao bolso e aos direitos da população trabalhadora do País; deixou-a “presa” à cassação dos direitos dos aposentados e dos pensionistas, daqueles que lutam e sofrem diariamente para sobreviverem com os minguados recursos de suas aposentadorias e pensões, benefício que os banqueiros, os capitalistas, a extrema-direita (e não a ‘extrema-esquerda’), a burguesia e o imperialismo estão surrupiando, roubando de suas contas, condenando os idosos e as gerações futuras ao sofrimento e à miséria.

Indo um pouco mais adiante encontramos outra formulação onde se lê: “uma parcela da centro-esquerda quer dialogar com o contexto e a sociedade e caminha para se modernizar. Nisso nos fiamos, nós que temos convicções sociais fortes, olhamos para o futuro do Brasil e enfrentamos o desafio urgente de termos crescimento sustentável, condição para a consolidação da justiça social”. Sem rodeios e sem tergiversações, somos obrigados a dizer, nua e cruamente, que se o ‘caminho para se modernizar” é oferecer o apoio e o voto a um projeto que prevê a “economia” (leia-se, assalto) de R$ 1 trilhão aos benefícios pagos aos aposentados, às viúvas, ao trabalhador rural e às famílias de deficientes físicos e mentais (sim, é verdade – por mais absurdo e escandaloso que seja – Bolsonaro e Paulo Guedes querem reduzir os benefícios pagos a este segmento), então este é o caminho não da “modernização”; não da “renovação”, mas o atalho para a barbárie e a tragédia social; para o inferno; o caminho mais curto para a  condenação de milhões de almas ao abandono, à angústia e ao sofrimento. É esse o real significado do projeto de “reforma” (destruição) da previdência ao qual a deputada com formação em Harvard hipotecou seu apoio, ao qual ficou “amarrada”.

A deputada elogiada por todos os inimigos do povo trabalhador por seu voto “moderno”afirma que “(…) nós que temos convicções sociais fortes, olhamos para o futuro do Brasil e enfrentamos o desafio urgente de termos crescimento sustentável, condição para a consolidação da justiça social”; diante do que, pedimos licença para tentar explicar à parlamentar paulista que projetos de interesse capitalista, de banqueiros e de operadoras de seguro de vida privado são diametralmente opostos a qualquer mínima idéia de “justiça social”. A dita “reforma” da Previdência não está sendo feita para proporcionar qualquer “crescimento sustentável”; para consolidação da ‘justiça social”, mas é única e tão somente um instrumento dos banqueiros e capitalistas para a expropriação financeira de milhões de trabalhadores, que deixarão de receber aquilo que lhes é de direito, pois estão sendo roubados em suas aposentadorias e benefícios.

Fechando o artigo, a deputada que recebeu o apoio e, obviamente, também o financiamento do magnata Jorge Paulo Lemann, o capitalista que tem em conta US$ 22,8 bilhões, nos brindou com a seguinte pérola: “A ampla renovação política que está em curso e da qual faço parte agrava o quadro de conflitos internos dos partidos. É racional que as lideranças recorram a argumentos de ocasião para justificá-los. Mais racional contudo é pensarmos no Brasil”. Certamente que na “renovação política” a qual Tabata faz referência estão incluídos os 53 deputados de extrema-direita, delegados, policiais, militares das forças armadas, ator pornográfico, jornalistas plagiadores, coxinhas da Avenida Paulista e outros seres estranhos que emergiram sabe-se lá de onde. Todos encontraram abrigo e foram eleitos não apenas em partidos tradicionais da direita em crise (como o DEM, PSDB e MDB), por legendas de aluguel (como o PDT e PSB) e por “novos”partidos” criados para apoiar o golpe e os ataques contra os explorados e não apenas pelos partidos da direita como o Partido Social Liberal (PSL).

Portanto, o voto de Tabata Amaral na “reforma” dos banqueiros, dos capitalistas, de Jair Bolsonaro e de Paulo Guedes, longe de representar qualquer compromisso com a “renovação” e com a ‘racionalidade” – como a deputada apregoa – consolidou os vínculos e as amarras da parlamentar pedetista ao núcleo de poder mais reacionário, direitista e pró-imperialista do País.

 

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