Pandemia arrasa o interior
Regiões tradicionalmente abandonadas e com recursos ainda mais escassos, o interior do País sofre os efeitos mais duros do coronavírus
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Movimentação da região da 25 de Março no centro de São Paulo após a reabertura do comércio na cidade
Trabalhadores no interior paulista. Pandemia tende a ser ainda pior longe dos grandes centros | Foto: Reprodução

Foi nas grandes cidades brasileiras que a Covid-19 começou a se espalhar, pela falta do combate e do tratamento à doença, começou também a matar os trabalhadores aos milhares. Uma doença importada, trazida principalmente pelos setores de classe média alta, no começo de 2019, que estavam voltando de viagem pela Europa e Estados Unidos.

Agora, ultrapassados os mais de 200 mil mortos pela doença no país, chegando nos praticamente 2 milhões de mortos no mundo, a Covid-19 em mutação alcança e mata mais os trabalhadores das cidades do interior do país.

Municípios com até 20 mil habitantes, pouco afetados anteriormente, explodiu no número de casos neste segundo semestre. O número de óbitos nestas cidades, em aproximadamente 3.797 municípios, aumentou em uma média de 503% comparado aos 227% no país todo. É o avanço da doença em locais distantes dos grandes centros econômicos, sem a infraestrutura adequada para o combate da pandemia.

Um resultado dessa desproporção é Água Branca, no Piauí. A cidade de 17 mil habitantes, representa o maior número de mortes pelo coronavírus a cada 100 mil habitantes. Segundo o Ministério da Saúde, foram 34 mortes no segundo semestre de 2020, do total de 47 contabilizados até então.

Segundo o pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, Diego Xavier, estamos em uma fase de interiorização da doença – a chegada nas pequenas cidades do interior brasileiro – e na fase de sincronização da doença, quando passa a crescer simultaneamente em todas as regiões e municípios: a dominação do vírus sob o globo terrestre.

Apesar da imensa catástrofe social com essa enxurrada de mortos, como as mais de 4 mil mortes diárias contabilizadas em um país dimensionalmente similar ao Brasil, porém mais rico e imperialista como os Estados Unidos, o governo brasileiro permanece com a mesma campanha de março, abril e maio de 2020: uma campanha exclusivamente pelo uso de máscaras, já sem o mesmo clamor do “fica em casa” pelo tamanho da demagogia desmascarada após a abertura geral dos comércios durante o ano passado, mas principalmente durante as últimas eleições e o final de ano.

Além disso, mesmo sem mais o auxílio emergencial, e sem vacinas – já que mal São Paulo, o centro econômico do País, propagandeado como o estado da vacinação por Doria, grande governador científico, não possui vacinas suficientes para abastecer a população em terceira idade, mas pior, tampouco possui seringas suficientes para a vacinação. Nesse panorama, sem ter como enaltecer quaisquer medidas científicas de saúde para a classe trabalhadora, a imprensa burguesa, como a golpista Folha de São Paulo segue publicando os grandes investimentos do Ministério da Saúde.

É recorrente e sempre colocado que a estrutura do SUS vem sendo fortalecida, com entregas de equipamentos, insumos e recursos para o combate à pandemia. Que foram destinados R$ 198,1 bilhões aos 26 estados e o Distrito Federal, em 2020. E que desse total, R$133,9 bilhões foram para serviços de rotina do SUS, e os outros R$64,2 bilhões para o enfrentamento da Covid-19. No início de 2020 foram destinado mais de 1 trilhão em auxilio aos banqueiros. O auxilio a saúde não chega a 20% do dinheiro dado aos banqueiros. Já no combate à pandemia, se comparado aos banqueiros, não chega a 7%. É um total descaso.

Nessa pandemia o Governo Federal trabalhou somente para a burguesia. Tomaram todos os direitos dos trabalhadores, inclusive seus empregos. Devolveram somente o direito a fome e de permanecer calados trabalhando aos que ainda trabalham e sobrevivem. É o reflexo do golpe de Estado e da profunda crise econômica e social que o país enfrenta.

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