Pandemia na Europa
Duas equipes inglesas jogarão com treinadores e jogadores das categorias de base nessa semana, pois para a federação de futebol inglês não se pode nem adiar os jogos
Boris Johnson visits Covid-19 Vaccine Centre
O primeiro-ministro do Reino Unido durante a onda de otimismo acerca da vacinação em dezembro | Foto: Andrew Parsons/Nº 10 Downing Street/Fotos Públicas.
Boris Johnson visits Covid-19 Vaccine Centre
O primeiro-ministro do Reino Unido durante a onda de otimismo acerca da vacinação em dezembro | Foto: Andrew Parsons/Nº 10 Downing Street/Fotos Públicas.

Como era de se esperar, a retomada dos campeonatos de futebol tem produzido diversos surtos da Covid-19. Nesta semana, dois clubes ingleses tiveram graves surtos nos seus elencos principais, Derby County e Aston Villa. Mesmo assim, seus jogos não serão adiados.

Quem acompanha este Diário sabe que ele tem alertado para a irresponsabilidade de retomar competições esportivas no meio de uma pandemia. Alguns comentaristas esportivos, que adoram bajular os europeus, chegaram até a elogiar como os jogadores evitavam abraços após marcarem gols. Uma farsa completa, já que não existe a mínima possibilidade de distanciamento social num esporte como o futebol. As comemorações comedidas aliás, se aconteceram num momento inicial, não acontecem mais.

Wayne Rooney, atual técnico interino do Derby County, não poderá comandar o time neste sábado contra o Chorley. O ex-jogador da seleção inglesa terá que ficar em isolamento, assim como todos os jogadores do elenco principal do clube. Todos. O clube entrará em campo com jogadores das categorias de base e será comandado pelo diretor dessas categorias.

Já o Aston Villa teve que fechar seu centro de treinamento. Na segunda-feira diversos jogadores e membros da equipe técnica haviam testado positivo. Numa segunda rodada de testes, mais infectados foram detectados. Assim como o Derby County, o Aston Villa deve jogar sua próxima partida com uma equipe formada apenas por jogadores das categorias de base do clube.

Infelizmente, esses fatos eram bastante previsíveis e tendem a seguir se repetindo. Além dos jogadores e profissionais ligados direta e indiretamente aos jogos, suas famílias estão expostas à uma doença que já vitimou oficialmente quase dois milhões de pessoas no planeta.

A pressão pelo retorno dos campeonatos ocorreu em nível global e, apesar de todo o discurso acerca de protocolos sanitários, passou por cima da situação real da pandemia. Tanto é que a nova alta nas infecções ao redor do mundo não tem o mínimo efeito no andamento das competições. Ou seja, em nome do capital vale tudo.

A infecção entre jogadores e demais profissionais reflete o quadro geral da pandemia. Há poucos dias, o Reino Unido decretou novamente um confinamento mais radical, chamado de “lockdown”. Antes disso, escolas e comércio estavam abertos e a imprensa começava a espalhar uma onda de otimismo em relação à vacinação.

Nesse contexto, chama muito a atenção que a Football Association recuse categoricamente os pedidos de adiamento dos jogos. O fato é que se não fosse a imposição dos capitalistas do futebol, as competições esportivas estariam paralisadas no mundo todo.

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