Domingo (21), o Congresso do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD, na sigla em alemão) decidiu apoiar o acordo para formar um governo de coalizão com os conservadores da democracia-cristã da chanceler Angela Merkel. O resultado da votação, que colocava em jogo a liderança de Martin Schulz à frente do SPD, foi apertado, com 56% de apoio às negociações por uma coalizão.

Com esse resultado, a cúpula do partido poderá negociar os termos de uma nova “grande coalizão” com Merkel, repetindo o governo de 2013. A expressão, “grande coalizão”, refere-se ao fato de que o PSD é o maior partido de oposição no Bundestag, o Parlamento alemão.

As negociações para a formação do novo governo serão baseadas em um documento elaborado pela cúpula dos dois partidos em dezembro. Agora, o SPD pressionará a União Democrata-Cristã (CDU) para ceder em partes de seu programa de governo. Caso os dois partidos cheguem a um acordo para começar o governo, que seria o quarto governo Merkel, a coalizão ainda terá que ser votada pela base do SPD, com seus 443 mil membros.

Nesse quadro, o SPD, oposição de esquerda dentro do regime político da burguesia alemã, será responsabilizado por cada ataque neoliberal de Merkel contra os trabalhadores. Uma política que já vem destruindo a força eleitoral do partido, que teve sua pior votação ano passado desde 1949, quando as eleições foram retomadas na Alemanha depois da Segunda Guerra.

Quem está ganhando espaço nessa situação é a extrema-direita, com a Alternativa para a Alemanha, com 12,6% dos votos nas últimas eleições e uma bancada de 94 cadeiras no Parlamento. Mais um governo de coalizão entre as duas principais forças do regime político em crise, com um Parlamento fragmentado, deve reforçar a posição da AfD, que capitaliza a rejeição ao regime de conjunto.

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