E nada de Lula
Tarso Genro irá realizar encontros com diversos setores golpistas para discutir alguma aliança para as eleições em 2022. Entre eles, há Ciro Gomes, Roberto Requião e Marina Silva
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O candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, que vai ao segundo turno com o candidato do PMDB, José Ivo Sartori (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ex-governador Tarso Genro (PT) | Foto: Reprodução

O ex-governador do Rio Grande do Sul e um dos principais nomes da ala direita do PT, Tarso Genro, planeja fazer encontros para discutir uma possível aliança com setores da pseudo-esquerda, entre eles, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede), e até elementos da direita, como Roberto Requião (MDB). Anteriormente, Tarso já havia escrito uma carta para o governador tucano de extrema-direita, João Doria, implorando para que ele liderasse a oposição a Bolsonaro e – dessa forma –  expressando apoio à candidatura de Doria para a presidência.

Os encontros que Genro irá realizar agora serão chamados de República e Democracia: o futuro não espera, que consiste em uma série de entrevistas, em que serão discutidos temas diversas como economia e política. Além dos nomes supracitados, outros elementos da esquerda também aceitaram participar, como Luiza Erundina (PSOL), Manuela d’Ávila (PC do B), José Dirceu (PT) e Aloizio Mercadante (PT).

Curiosamente, não se vê nessas entrevistas o principal candidato da esquerda em todas as eleições desde o fim do golpe militar, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Tarso Genro justifica esse fato dizendo que “O objetivo é buscar afinidades em vez das divergências, retirando da pauta a sucessão de 2022″, deixando claro que muitos desses setores, apoiadores do golpe de estado, não estariam dispostos a apoiar a candidatura de Lula, o que justifica mantê-lo de fora.

Genro salienta que os candidatos devem procurar “buscar convergências e não divergências”, com os demais. Nenhum tema foi excluído da pauta, fora a sucessão de Bolsonaro, mas a ideia é sempre buscar uma unidade no discurso. Soa tudo muito nobre e genial: uma grande frente ampla, que vai desde a esquerda até alguns setores supostamente democráticos da direita. No entanto, é preciso deixar claro que realizar encotnro com elementos como Marina Silva, Ciro Gomes ou Roberto Requião é, na verdade, se ajoelhar totalmente diante dos golpistas. Todos foram apoiadores do golpe, nenhum procurou levar adiante uma verdadeira luta contra o impeachment de Dilma ou contra a prisão de Lula, e nenhum deles fez nada para contribuir com a derrubada de Bolsonaro durante todo seu mandato.

A verdadeira intenção dessa articulação fica mais clara quando Genro afirma que, com os encontros, ele não pretende procurar criar unidade em torno de apenas uma candidatura de esquerda para o primeiro turno das eleições, o que ele considera inviável, mas sim fazer com que todos se comprometam a apoiar um mesmo candidato no segundo turno, a fim de derrotar Bolsonaro. Se juntarmos essas reuniões com o que foi expresso por Genro na carta aberta a João Doria, podemos concluir que sua intenção é realizar a política da frente ampla nas próximas eleições, juntando diversos setores que vão desde a esquerda até a direita tradicional atrás do candidato escolhido pela burguesia, em uma clara tentativa de criar o Joe Biden brasileiro.

Tudo isso mostra que Tarso Genro é um dos principais articuladores da política de frente ampla dentro do PT, partido que se mostra bastante dividido desde a declaração de apoio a Baleia Rossi (MDB) para a presidência da câmara dos deputados. Em vez de lutar pela candidatura de Lula, que seria a única com uma verdadeira perspectiva de impor uma derrota ao golpe de estado de 2022, a ala direita do PT vem se aliando cada vez mais com os piores setores da política nacional em troca de cargos e migalhas oferecidas a eles pela burguesia. E para justificar essa manobra se coloca sempre a intenção de derrotar o bolsonarismo, seja agora ou nas próximas eleições.

O que a burguesia conseguiu realizar foi transformar Bolsonaro em um espantalho, cuja derrota é a justificativa para todo o tipo de absurdo que a esquerda queira realizar. No entanto, Bolsonaro realiza a política que a burguesia quer que ele realize: privatizações, reforma trabalhista, fim de direitos para a população, sucateamento da saúde e da educação etc.Deve-se ter claro que os políticos golpistas da direita tradicional, como Doria e outros, também realizam essa mesma política (e em muitos casos, de forma mais eficiente), e são, portanto, tão ruins quanto Bolsonaro, ou até piores. Além disso,foram eles que verdadeiramente articularam a derrubada de Dilma Rousseff em 2016 e colocaram o país na situação em que se encontra agora. Bolsonaro apenas se beneficiou da situação para ocupar a presidência.

É preciso também dizer que, do ponto de vista da população, a ação da esquerda pequeno burguesa de se juntar com esses vigaristas da direita é totalmente nociva e gera uma gigantesca confusão. Ao fazer acordos com os golpistas, a esquerda passa a mensagem para a população de que o golpe não teve importância alguma e agora todos podem se entender e agir dentro do mesmo campo político para supostamente derrotar Bolsonaro. No entanto, a classe operária não quer apenas derrotar Bolsonaro, ela quer e precisa derrotar Doria, Maia, Fernando Henrique, Ciro Gomes e todos os golpistas que colocaram o país nessa situação. Diante disso a única política acertada é lutar pela unidade da esquerda em torno da candidatura de Lula em 2022, o único candidato capaz de impôr uma derrota ao golpe de estado.

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