Siga o DCO nas redes sociais

Cinema nacional
Sucesso de Bacurau é um sintoma da evolução à esquerda no País
Bacurau representa o estado caótico em que se encontra o Brasil, forçando a população a assumir uma posição de resistência e luta contra os ataques dos fascistas.
D5VdujZX4AA0eZh
Cinema nacional
Sucesso de Bacurau é um sintoma da evolução à esquerda no País
Bacurau representa o estado caótico em que se encontra o Brasil, forçando a população a assumir uma posição de resistência e luta contra os ataques dos fascistas.
Cena do filme Bacurau. Foto: Twitter Kleber Mendonça Filho.
D5VdujZX4AA0eZh
Cena do filme Bacurau. Foto: Twitter Kleber Mendonça Filho.

Na última semana, o filme Bacurau, escrito e dirigido por Kleber Mendonça Filho em parceria com Juliano Dornelles, superou a marca de meio milhão de pessoas que foram aos cinemas do Brasil inteiro assistir à obra. Em linhas gerais, o longa trata de uma pequena cidade do sertão brasileiro que, ao perder a matriarca do local, precisam enfrentar ameaças estrangeiras, obrigando a população de Bacurau a assumir uma postura de luta e resistência contra os ataques do imperialismo.

O filme parece ser fruto da atual conjuntura política, que vem cada vez mais acentuando uma polarização deveras necessárias para que não só a classe trabalhadora se movimente contra os ataques do governo golpista, mas para que a esquerda em geral saia da inércia e pare de esperar que a justiça burguesa resolva as crises sociais, políticas e econômicas que se desenvolvem na sociedade capitalista. Escritores, atores, diretores, músicos e artistas em geral vêm se sentindo mais à vontade para expor suas posições políticas à esquerda, pois, aos poucos, percebem as contradições de classe.

Esse sucesso de Bacurau se dá, principalmente, porque o filme é reconhecidamente de esquerda, pois retrata a luta de um povo pobre do nordeste em defender suas terras dos ataques dos estrangeiros, que, pela lógica, pode-se atribuir ao imperialismo, que é mundialmente conhecido por tentar explorar as riquezas dos países pobres. O próprio diretor da obra, Kleber Mendonça, chegou a afirmar que a direita só começou a falar de Bacurau depois que a esquerda começou a divulgar e discutir a obra.

O sucesso do filme, então, mostra não só a polarização, mas que a polarização está pendendo muito claramente à esquerda. Se fosse o contrário, se a direita estivesse dominando o panorama político, o filme seria boicotado ou algo assim. Claro que o governo golpista de Bolsonaro, que ameaça todo tipo de cultural, tentou prejudicar de alguma forma a divulgação do filme, durante as gravações de Bacurau, o governo federal exigiu que Kleber Mendonça devolvesse cerca de 2,2 milhões de reais, que era parte do auxílio recebido para Aquarius, outro filme de sucesso de Mendonça que repercutiu muito por ser uma crítica à direita, além do próprio Mendonça usar a divulgação do filme para denunciar o golpe de 2016.

Sobre essa exigência do governo, Mendonça disse que: “E justo quando se anunciou que estávamos vindo para Cannes voltaram a levantar o assunto na imprensa. Não é uma coincidência”. Antes da estréia de Bacurau, Mendonça foi questionado se, assim como Aquarius, essa obra também teria protestos em Cannes, ao que ele responde: “A diferença é que, em 2016, quisemos informar ao mundo que o rito democrático não estava sendo cumprido no Brasil. Hoje, por outro lado, o mundo tem pleno conhecimento (do que está acontecendo no país) . Nosso protesto é apresentar um filme foda sobre o Brasil e exibi-lo em Cannes. Digo apenas que é um filme sobre o Brasil e o mundo de hoje.”

Não há dúvidas que a direita se sente incomodada com essas obras que denunciam a situação caótica em que se encontra o Brasil, com cortes em diversas áreas importantes, como lembra o próprio Mendonça, como saúde e educação, além de estar destruindo toda a estrutura cultural do País. E, o principal, como retratado no filme, a mão dos estrangeiros, do imperialismo, está sempre por trás desses ataques que aviltam populações inteiras a fim de transformá-las em colônias de exploração.