Chile caminha para a saturação
Com quase 100% dos leitos tomados e pacientes tendo que esperar para serem atendidos, Chile caminha para o colapso do sistema de saúde.
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Chile protesta contra as condições de abandono da população. | Foto: MARTIN BERNETTI / AFP

Com mais de 82.000 infectados e cerca de 850 mortes, o sistema hospitalar do país está beira o colapso total, tendo cada vez mais pacientes na espera por dias, aguardando a chance de ser atendido, já que as 2400 camas de uso intensivo com ventiladores é insuficiente e não dá conta da enorme demanda.

Nos grandes centros, onde a pandemia foi mais disseminada, 97% das camas estão ocupadas, e vários hospitais reduziram as quarentenas preventivas de vários médicos que estiveram em contato próximo com outros hospitais e postos de saúdes infectados, para permitir seu retorno ao trabalho.

Para conter a expansão do coronavírus, o governo decretou confinamentos. No entanto, a quarentena atingiu os mais pobres com mais força, que só conseguiam comer porque saíam para trabalhar nas ruas todos os dias. À medida que menos e menos leitos permanecem, a fome cresce nas casas e, com fome, descontentamento.

O sistema de saúde do Chile sofreu um forte impacto com o golpe militar em 1973, quando foi implantado um regime político e econômico neoliberal, com a assistência dos Chicago Boys. Depois da eleição de Salvador Allende, um social democrata, em 1970 houve uma conspiração para derrubá-lo. Nixon disse genialmente: “Que a economia grite”. E o complô teve numerosos elementos, embargos, etc e finalmente o apoio para o golpe de Pinochet em setembro de 1973.

Entre 1973 e 1990 no Chile, as reformas do sistema global de saúde ocorridas nesse período refletiram as políticas econômicas gerais e sociais do governo militar, destacando as reformas neoliberais que subvalorizaram a importância do Estado no país e promoveram o setor privado. Houve uma diminuição significativa do gasto social e do financiamento do Sistema Nacional de Saúde (SNS entre 1973 e 1979, conservando-se a mesma organização e funcionamento prévio. Considerando a velocidade de crescimento anterior do SNS e o bom prognóstico de aumento da cobertura do Sistema para os menos favorecidos, nesse período o retrocesso foi evidente, gerando grande descontentamento público e insatisfação geral.

Com intuito de melhorar a situação, foi criado em 1979 o Sistema Nacional de Serviços de Saúde, vigente até a atualidade. O sistema de financiamento para a Saúde Pública do Chile funciona de tal forma que, desde o ano de 1986, os trabalhadores e pensionistas devem contribuir com 7% de sua renda – sendo isentos os pensionistas mais pobres – para o Fonasa (Fundo Nacional de Saúde). Os beneficiários poderão utilizar tanto os serviços de saúde pública quanto os serviços de saúde privada.

Há, ainda, as “Instituiciones de Salud Previsional”, ou Isapre, que são intermediadoras financeiras dos planos de saúde e os usuários que contribuírem com a Isapre não precisarão contribuir com o sistema estatal. Mas a proteção ofertada pelo Isapre dependerá da renda do trabalhador e do risco médico apresentado por ele, levando em conta a idade, sexo, história médica familiar, etc. O Isapre oferece menor tempo de espera para os serviços, e o Fonasa, por outro lado, utiliza hospitais públicos de menor custo e pode incluir um pacote de benefícios mais amplo para o mesmo custo.

Cerca de 74% da população é filiado ao subsistema público (Fonasa), 17% pertencem ao ISAPRE, 2% pertence ao sistema de saúde das Forças Armadas e 7% da população são considerados “independentes”, já que eles não estão ligados a qualquer sistema de saúde. A ideia era que gradativamente as Isapres fossem absorvendo os segurados do Fonasa, que ficaria restrito apenas aos trabalhadores de baixa renda e os chamados indigentes.

Seguindo a mesma linha de Pinochet, Sebastian Piñera de direita, no sistema de saúde pública, têm mantido a mesma estrutura da época militar, com poucas mudanças, mas cada vez menos investimentos, levando ao sucateamento do setor, cada vez mais entregue ao setor privado.

Infelizmente, como a maior parte da população depende do sistema público, a os mais carentes têm sido as grandes vítimas nesses tempos difíceis de pandemia e que bem ilustram o grande mal que decorre da crescente política de privatização.

A insatisfação chilena explodiu em uma onda de protestos que desde outubro de 2019 tomou as ruas de várias cidades. Movimento com potencial de trazer mudanças profundas. Inclusive uma nova Constituição. No Chile ainda vigora a Carta Magna imposta pela ditadura em 1980, que fez do país o paraíso neoliberal por excelência. Mas que ampliou desigualdades e produziu o endividamento da população.

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