São Paulo
PSDB fará de 2021 um ano de destruição da classe trabalhadora. Ajuste fiscal e cortes de direitos. Enquanto isto, Covas aumenta seu salário.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Os paulistas vão pagar mais caro ou comer menos a partir de janeiro de 2021. Esta é a previsão de economistas em reação à decisão do governo estadual em realizar um duro ajuste fiscal, ao qual aumenta o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e retira algumas isenções sobre produtos de primeira necessidade.

Os consumidores sentirão impacto de até 13% no valor de itens como pão, óleo, arroz, macarrão, carne. Dado o violento aumento do desemprego, a retirada de direitos e a queda na renda das famílias, os moradores de São Paulo não terão dinheiro nem para comer o “pão que o diabo amassou”.

Este aumento nos impostos serão sentidos fortemente pelos mais pobres, pois afetam principalmente os produtos necessários para sobrevivência, que compõem a grande parte do orçamento das famílias de trabalhadores. Já para os mais ricos, o aumento insignificante.

A política do PSDB em São Paulo para 2021 é de total expropriação da classe trabalhadora. Recentemente, foi anunciado que idosos entre 60 e 65 anos perderão a gratuidade a partir de janeiro. Para esta parcela da população que encontra-se, graças à reformas da previdência e trabalhista e da crise capitalista, em situação de vulnerabilidade social e econômica, será um grande golpe. Vale lembrar que pessoas mais velhas tem dificuldades extremas de conseguir alguma colocação no mercado de trabalho e, por isso, são uma das parcelas mais empobrecidas da população e mais dependentes de políticas de apoio social e econômico.

Se lhes falta pão, que comam brioches”

Enquanto os mais pobres pagarão mais caro, o PSDB vive como a nobreza da França pouco antes da revolução francesa. O governador João Dória, “científico” e “civilizado”, viajou a Miami para curtir, como o playboy que é, o período de festas e retornou melancolicamente após sofrer pressão da população. Já Bruno Covas, prefeito da capital, vai receber um aumento de 46% no seu salário.

A mensagem que a política escatológica do PSDB dá à população paulista é clara, “se lhes falta pão, que comam brioches”.

Ajuste fiscal para roubar o povo

O ajuste fiscal aprovado na Assembléia Legislativa de São Paulo (Alesp), apesar de ter tido alguns recuos, será um grande assalto aos cofres públicos e não uma economia, como propagandeado pelo governo tucano.

Serão extintas seis autarquias ou fundações, como a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) e a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo (EMTU). Isto significa a demissão de mais de 5600 servidores públicos, agravando, ainda mais, o cenário de desemprego que se alastra pelo estado.

A extinção da CDHU provocará o fim de programas habitacionais pelo governo do estado. O estado de São Paulo, em especial a capital, tem um gravíssimo problema de pessoas sem casas para morar. E o problema vem se agravando nos últimos anos, dada a política violenta do governador João Dória em promover despejos de inúmeras famílias, mesmo durante a pandemia.

Já a extinção da EMTU tem como único beneficiário os tubarões do transporte, que poderão, agora, utilizar o fim da empresa pública para “forçar” o governo a contratos predatórios enquanto entregam a população serviços da mais péssima qualidade.

Outro órgão público digno de nota que será extinto é a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN). Em um cenário de forte estresse do sistema público de saúde por causa da pandemia, cortes federais para a saúde e explosão dos casos de dengue, zykavírus e chikungunya, extinguir a SUCEN é uma política de genocídio explícito.

Mas não é apenas as pessoas que o PSDB quer matar, a natureza também. Para isto, o governador João Dória extinguirá o Instituto Florestal. Isto impactará não apenas na conservação ambiental, mas também no fim de diversas pesquisas científicas importantes na área da biologia.

O ajuste fiscal do PSDB em São Paulo é um ajuste para roubar até o último centavo do povo. Enquanto isto, as parcelas mais ricas do estado não pagarão um real a mais. Pelo contrário, é esperado que ganhem contratos milionários com o estado para suprir a falta destas autarquias e fundações.

Esquerda deseja boa sorte

Enquanto o PSDB de Dória e Covas faz o povo pagar todos os custos da pandemia, a esquerda paulista permanece “republicana”. Vale lembrar que o candidato do PSOL à prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, assim como Haddad fez com Bolsonaro, desejou “boa sorte” a Bruno Covas, o “civilizado” (palavras do próprio Boulos durante a campanha).

Pelo visto, a “boa sorte” só é boa para o PSDB, mas péssima para a classe trabalhadora. O PSDB e direita, fortalecidos como nunca, imporão a mais brutal barbárie contra a população. A esquerda, por sua vez, continuará com sua política de twitaços e lamúrias intermináveis nas redes sociais, tudo a fim de manter as aparências com a pequena burguesia.

A atitude capituladora e carreirista da esquerda pequeno burguesa jogará a classe trabalhadora nas garras da extrema direita. A população empobrecida e confusa comprará, por total e absoluto desespero, as mais demagógicas promessas da extrema-direita. Enquanto isto, a esquerda ficará vivendo o sono dos preguiçosos, onde esperam, como senhores da verdade, que a população a aceite, mesmo que tenham feito coisa nenhuma para que isto aconteça.

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