Crise em Manaus
Nicolas Maduro autorizou o envio de cilindros de oxigênio da Venezuela para o Amazonas, mesmo em meio aos inúmeros ataques do governo brasileiro contra a Venezuela
White-Martins-oxigenio
Cilindros de oxigênio da empresa White Martins | Foto: Reprodução
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Cilindros de oxigênio da empresa White Martins | Foto: Reprodução

Na última quinta-feira (14), o chanceler da Venezuela Jorge Arreaza fez um anúncio, por meio de sua conta no twitter, de que havia colocado à disposição do governo do Estado do Amazonas cilindros de oxigênio de modo a garantir o abastecimento da cidade de Manaus, cujo estoque de oxigênio havia se esgotado pela manhã de quinta. O fato ocorre devido ao colapso do sistema de saúde estadual com a grande quantidade de vítimas do coronavírus.

O governo Maduro autorizou a empresa White Martins, produtora de cilindros de oxigênio, a transportar parte do seu estoque que se encontra na Venezuela para o Estado do Amazonas, que faz fronteira com o país governado por Nicolás Maduro. Trata-se de um gesto verdadeiramente humanitário por parte do governante venezuelano. Enquanto a imprensa capitalista nacional e também figuras da esquerda pequeno-burguesa como Marcelo Freixo ou Guilherme Boulos se referem à Venezuela como a mais terrível ditadura do mundo e como um país totalmente falido, eles vêm ao socorro do Brasil, gigante sul-americano.

A situação da saúde no estado do Amazonas é de colapso total. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas, Mário Viana, relata o cenário desolador em que se encontram os hospitais de Manaus. No vídeo, ele pede que oxigênio seja enviado dos outros estados “em caráter de guerra”. Diante da falta do oxigênio, os pacientes estavam sendo mantidos vivos através de um aparelho chamado “ambu”, através do qual o médico bombeia manualmente um balão de oxigênio para o paciente respirar.

A crise chegou nesse ponto no Amazonas graças à política do governo Bolsonaro e dos governadores de todo País, que procuraram fazer o mínimo de esforço possível para combater o coronavírus. Bolsonaro e a extrema-direita adotaram uma política totalmente negacionista, sempre minimizando o impacto da doença no país, enquanto os governadores ainda procuraram fazer alguma demagogia para procurar enganar a população, mas também não fizeram nada a respeito da pandemia, apenas decretando uma quarentena superficial que não incluiu a maior parte da população, particularmente excluindo a classe trabalhadora.

A Venezuela se encontra com grandes dificuldades econômicas, devido ao bloqueio criminoso imposto pelos países imperialistas, que impedem o país de fazer transações, de comprar comida e remédios, de comprar equipamentos médicos, o que dificulta o combate ao coronavírus. No entanto, consegue conter o coronavírus em seu território de forma exemplar para o resto do mundo. Além de um amplo atendimento de saúde à população, o governo bolivariano também isentou a população do pagamento de contas, de aluguel, proibiu as demissões e muitas outras medidas para amenizar a crise econômica que recaiu sobre a população durante a pandemia em todos os outros países do mundo.

Todas as políticas que o governo aplicou, mesmo em meio à pilhagem realizada por parte do imperialismo contra sua economia, fez com que o país tivesse um número extremamente baixo de mortos pelo coronavírus. São apenas 1.090 mortos, quase nada comparado com os mais de 208 mil do Brasil e 389 mil dos EUA. Mesmo proporcionalmente, os índices da Venezuela são muito baixos, visto que o país tem cerca de 30 milhões de habitantes. Isso é um pouco menos do que os mais de 44 milhões de habitantes do Estado de São Paulo, que possui quase 50 mil mortos pela Covid-19.

É bastante digno de nota que, mesmo dedicando-se intensamente à luta contra o coronavírus, o país caribenho ainda disponha de equipamentos para doar para o vizinho gigante, que conta com um governo  “capacho” do imperialismo.

É bastante diferente da política de Bolsonaro com relação à Venezuela. O governo brasileiro de extrema-direita auxiliou o imperialismo no bloqueio ao país vizinho, inclusive impedindo a entrada de suprimentos médicos por sua fronteira, em plena pandemia. Além disso, não foram poucas as vezes, desde o começo do governo Bolsonaro, em que as Forças Armadas brasileiras demonstraram sua grande disposição em invadir a Venezuela, apenas aguardando a ordem de seus patrões estadunidenses. E mesmo diante de todas essas ofensivas por parte do governo ilegítimo do Brasil, Maduro permitiu que fosse feita a exportação de oxigênio para o Amazonas, que ele poderia ter bloqueado administrativamente.

Essa é fundamentalmente a diferença entre o governo nacionalista de Maduro, apoiado pelas massas, que vêm ao socorro da população do país vizinho, em uma verdadeira demonstração de irmandade latinoamericana, e o governo ilegítimo golpista de Bolsonaro, que além de massacrar a própria população, permitindo que todos no país morram de coronavírus, ainda apoia o imperialismo em suas tentativas de massacrar o governo popular do país vizinho. É importante que essa notícia esteja na memória de todos que forem acusar Maduro de ser um ditador, enquanto brincam de democracia no Brasil.

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