Eleições na Câmara
Líder do PSOL na Câmara dos Deputados, Sâmia Bonfim, defende que a legenda declare apoio a Baleia Rossi (MDB)
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Deputado Baleia Rossi (PMDB-SP) presidindo a seesão solene em homenagem ao deputado Ulisses Guimarães, que faria 103 anos. Brasilia, 07-10-2019. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Baleia Rossi | Foto: Sérgio Lima/Poder360

Muito tem se discutido sobre as eleições para a mesa diretora da Câmara dos Deputados, previstas para acontecerem no início de fevereiro. A disputa, em si, é simples: entre os candidatos com chances de ganhar, estão, de um lado, Baleia Rossi (MDB), apoiado pelo atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), e, de outro, Arthur Lira (PP), apoiado pelo fascista Jair Bolsonaro (sem partido). No entanto, a imensa produção de justificativas da esquerda nacional para apoiar um ou outro candidato é que tem causado uma certa confusão no interior daqueles que acompanham a situação política.

O PCdoB já fechou questão e irá apoiar Baleia Rossi. Até aí, não há grandes novidades: o partido apoiou Rodrigo Maia nas últimas duas eleições internas e tem servido de apêndice para o DEM e a direita nacional em uma série de oportunidades. Partido mais stalinista da esquerda parlamentar, o PCdoB vem adotando uma política de adaptação total para tentar, em vão, manter seus privilégios no regime político. O PT, em votação acirrada, decidiu apoiar igualmente Baleia Rossi. A diferença foi de apenas quatro votos, e o partido se mostrou profundamente dividido sobre a questão.

Uma das principais representantes do grupo petista que não quer apoiar Baleia Rossi continua criticando duramente a decisão. Segundo Natália Bonavides (PT-RN),

“por uma maioria de 4 votos na bancada do PT, foi aprovado o apoio a Baleia Rossi nas eleições da Câmara. Considero uma decisão muito ruim! Ela fortalece um setor da direita que foi articuladora do golpe e é cúmplice da eleição de Bolsonaro. Precisamos de outra linha política!”.

Essa divisão, por sua vez, não é à toa, mas expressa como a polarização política influencia um partido como o PT. Por ter uma ampla base proletária, mesmo que descentralizada, sua política acaba sendo o resultado de duas forças contraditórias: a disposição dos trabalhadores a romperem com o regime e o interesse da pequena-burguesia, essencialmente centrista, em colaborar com o regime.

O PSOL, por último, não fechou ainda questão sobre as eleições na Câmara. Em um primeiro impulso, seus representantes teriam dito que o partido iria lançar uma candidatura própria. Pouco depois, a posição expressa na imprensa burguesa — sem contestação por parte da legenda — era de que o PSOL deveria lançar uma candidatura própria, mas que o apoio a Baleia Rossi no segundo turno seria certo.

Mas nem mesmo a candidatura própria está garantida. Segundo levantamento divulgado pelo jornal golpista O Globo — que apoiou a candidatura psolista de Marcelo Freixo em 2016 —, dos dez deputados da legenda, apenas um defende abertamente a candidatura própria: Glauber Braga, possivelmente o deputado mais esquerdista da bancada. Quatro deles defendem o apoio a Baleia Rossi. Um deles, inclusive, é Sâmia Bonfim, esposa do próprio Glauber Braga. De acordo com o cenário pintado pelo jornal golpista, que não foi contestado pelo PSOL, o deputado estaria praticamente isolado nesta posição. Dos outros cinco deputados, dois estariam aguardando uma decisão da direção do partido e três não responderam.

Segundo Sâmia Bonfim, o apoio a Baleia Rossi seria justificado pelo seguinte:

“Acho que é ruim o PSOL não ser identificado pela sociedade como o partido que atuou diretamente para a derrota do Lira. E pode ser que esse cenário se expresse já no primeiro turno. Não quero correr esse risco, portanto eu defendo internamente apoio ao Baleia, claro, para ser oposição já no dia seguinte. Sabendo dos limites todos, das diferenças, mas seria um movimento tático de evitar a vitória do Lira”.

A tática, como se vê, é a famosa política do “mal menor”. Isto é, a de apoiar quem quer que seja para impedir um ser demoníaco — o “satã”, como disse Tarso Genro — de ganhar uma eleição. Trata-se, obviamente, de uma farsa total.

É até compreensível que alguém com pouca experiência na política possa considerar Bolsonaro o maior dos males do País. Afinal, o sujeito é um fascista: defende as torturas da ditadura militar e já falou várias vezes em acabar com o que chama de “socialismo”. No entanto, não é de Bolsonaro que estamos falando, mas sim de Arthur Lira, que, da noite para o dia, virou sinônimo do “satã”.

Mas qual seria, de fato, a grande diferença entre Lira e Baleia? No que um seria mais demoníaco que o outro? Não há resposta razoável para isso. Afinal, Baleia Rossi votou mais vezes junto com o governo Bolsonaro do que o próprio Arthur Lira. Ambos são profundamente direitistas e apoiaram o golpe de 2016.

Além disso, Baleia Rossi é o candidato oficial do grupo político mais nocivo e poderoso da burguesia: a direita nacional, diretamente vinculada ao imperialismo. Rossi é o candidato apoiado por Rodrigo Maia, FHC, a Rede Globo e todos aqueles que estão por trás da destruição do País. Apoiar a direita nacional, neste sentido, corresponde em um grande “mal”: o apoio incondicional ao imperialismo.

O fato de que o PSOL está se inclinando a apoiar Baleia Rossi no primeiro turno — embora o apoio no segundo turno tivesse basicamente o mesmo significado político, apenas seria camuflado por um pouco de demagogia — não tem nada a ver com o maior ou menor direitismo de um candidato ou de outro. Apenas demonstra que a esquerda nacional, na medida em que não tem um programa próprio, acaba ficando, inevitavelmente, à reboque da burguesia imperialista e golpista.

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