Polícia assassina
Fernando, testemunha da chacina de Pau D’Arco, recebeu diversas ameaças de policiais envolvidos na chacina antes de ser assassinado com um tiro na nuca
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Enterro dos 10 sem-terra mortos na chacina de Pau D'Arco. | Foto: CPT
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Enterro dos 10 sem-terra mortos na chacina de Pau D'Arco. | Foto: CPT

O trabalhador rural Fernando Araújo dos Santos, sobrevivente com testemunho mais rico sobre a chacina em Pau D’Arco, foi assassinado, em janeiro com um tiro na nuca. Em 8 de janeiro, durante entrevista, ele já vinha afirmando que recebeu ameaças de morte de dois policiais envolvidos na chacina.

A chacina de Pau D’Arco, ocorrida em maio de 2017, foi realizada por 16 policiais civis e militares, que mataram, a sangue frio, 10 trabalhadores sem-terra que ocupavam a fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco, no estado do Pará.

Os policiais envolvidos na chacina estavam todos soltos e trabalhando na ativa desde junho de 2019. Quem permitiu isto foi o ministro Ribeiro Dantas, do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). O assassinato de Fernando é resultado claro e óbvio desta decisão.

Com a morte de Fernando, perde-se a mais importante testemunha da chacina. O objetivo é impossibilitar que os assassinos sejam considerados culpados. Afinal, se não há testemunhas, não há como culpá-los.

Isto mostra, de uma vez por todas, que a justiça burguesa não defende, e nunca defendeu, os mais vulneráveis. Pelo contrário, é uma ferramenta de legitimação do genocídio aos mais pobres.

As ameaças não foram feitas apenas a Fernando, mas a outros moradores da fazenda Santa Lúcia que haviam sobrevivido à chacina.

Pouco antes de ser assassinado, Fernando enviou mensagem a repórter do Repórter Brasil informando que estava de mudança para uma cidade próxima devido às ameaças. Porém, não foi rápido o bastante e foi morto com um tiro na nuca um dia antes de mudar-se. O corpo foi encontrado pela família.

A arapuca para matar Fernando foi tão bem planejada que, seus advogado, José Vargas Júnior, foi preso no início do ano, sob uma alegação frágil de assassinato. Isto ocorreu para impedir que Fernando entrasse em contato com seu representante.

José Vargas Júnior é um advogado pertencente à rede internacional de defensores dos direitos humanos. Fica claro como a água que trata-se de uma perseguição criminosa contra o advogado e é necessário que toda esquerda o defenda.

A prisão de Vargas e a morte de Fernando atendem aos interesses econômicos da burguesia local. Com Vargas preso, os antigos donos da fazenda Santa Lúcia terão vantagem em uma ação de reintegração de posse. E com a morte de Fernando e a esperada absolvição dos policiais, ficarão ainda mais protegidos contra qualquer possibilidade de ligar os antigos donos à chacina.

O assassinato da melhor testemunha da chacina em Pau D’Arco coloca em cheque o papel da Polícia e de todo aparato de repressão do estado burguês. É necessário o imediato fim da polícia, uma máquina que só serve para atender aos interesses da burguesia e a criação de comitês de autodefesa. Os oprimidos têm de começar a se defender. Sem isto, ficarão cada vez mais reféns do medo e da violência patrocinada pelo estado.

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