Testemunha assassinada
Polícia não se interessa em resolver o caso e ministro não se interessa em proteger a testemunha de uma chacina provocada por policiais.
2016.12.19 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ato de black blocs na praça da Matriz é dispersada pela Brigada Militar. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
Policiais civis e militares envolvidos em assassinatos (imagem ilustrativa). | Ramiro Furquim
2016.12.19 - Porto Alegre/RS/Brasil - Ato de black blocs na praça da Matriz é dispersada pela Brigada Militar. Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
Policiais civis e militares envolvidos em assassinatos (imagem ilustrativa). | Ramiro Furquim

Em janeiro desse ano, o trabalhador rural Fernando Araújo dos Santos é assassinado com um tiro na nuca duas semanas após dar uma entrevista sobre a chacina ocorrida no município Pau D’Arco, no Estado do Pará, em 2017. Fernando era a testemunha que tinha em memória o maior número de detalhes do ocorrido, portanto, era uma testemunha extremamente perigosa para o caso que envolvia a polícia civil e militar.

Em maio de 2017, o município de Pau D’Arco testemunhou o assassinato de 10 trabalhadores rurais sem-terra, que ocupavam a fazenda de Santa Lúcia, em que os assassinos eram 16 policiais da polícia civil e militar. Entre as vítimas, estavam seus colegas e seu namorado, que foram rendidos, humilhados e torturados pela polícia até serem executados à tiros. Fernando estava entre as vítimas, mas após assistir a execução de seu namorado, fingiu-se de morto entre os corpos caídos no chão, foi assim que sobreviveu. Esse relato foi confirmado pelas investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.

Após o ocorrido, Fernando serviu de testemunha e incentivou a outros relatarem também o ocorrido. Ainda assim, o ministro Ribeiro Dantas, que acompanhava o caso, decidiu, em 2018, que os policiais investigados responderiam às acusações em liberdade e com direito a continuarem exercendo o serviço de policial normalmente, no mesmo local onde vivam as testemunhas.

Nesse ano, Fernando deu uma entrevista na condição de que só seria divulgada se “o pior acontecesse”. Duas semanas depois, o pior aconteceu, bem no dia em que ele estava em fuga com medo das ameaças de morte, levou um tiro na cabeça. Na entrevista que deu ao Repórter Brasil, relatou ameaças e recados que chegaram através de três pessoas diferentes. Essas mensagens diziam que os policiais poderiam aparecer e dar um jeito de não haver mais testemunhas sobre o caso da chacina de 2017, para que não houvesse mais julgamento “Não já testemunha, não há julgamento”. Não apenas ele, mas as outras testemunhas também receberam o mesmo recado.

A apuração da morte de Fernando está em curso e já apresenta suspeitas de está completamente corrompida para a proteção dos policiais envolvidos e ao abafamento do caso. Ao achar o corpo, não houve um apuramento do caso, apenas olharam o local por 10 minutos e já mandaram para ser velado pela família. Questionado sobre a se não haveria uma perícia no caso, o delegado Diego Máximo, negou-se falar com a imprensa. O caso mudou três vezes de mão até agora e a polícia não demonstra o menor interesse em resolvê-lo. Ao questionarem os direitos humanos sobre, imediatamente informaram que iriam pegar o corpo do velório para ser levado ao instituto de criminalística de Marabá/PA. A equipe de reportagem ao qual Fernando deu entrevista antes de seu assassinato, sabendo que não resolveria nada entregar seu depoimento à Polícia local, decidiu levar suas gravações à Secretaria de Segurança Pública do Estado, mas receberam apenas uma nota protocolar da Polícia Civil de Redenção.

O fato é, a Polícia Civil e Militar cometeram uma sequência de assassinatos, promoveram uma chacina no município de Pau D’Arco do Pará, foram denunciados inúmeras vezes e não sofreram sequer um julgamento plausível ao caso. Isso mostra que a polícia não está em serviço para defender o povo, mas para atender aos seus patrões blindados pelo dinheiro e pela justiça. Está na hora do povo dar um “basta” à sua própria perseguição e montar comitês de autodefesa, pois não há nenhuma autoridade interessada em defender o povo trabalhador, mas matá-los e enterrá-los se for preciso para atender a pedidos dos exploradores burgueses.

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