Sobre uma conduta inadmissível: uma traição ao partido e à luta dos trabalhadores contra o golpe

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Fomos surpreendidos nesta quinta-feira, dia 4 de outubro, a menos de 72h da realização das eleições, com o fato de que a filiada Ana Patrícia Alves encaminhou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Pernambuco um pedido de renúncia de sua candidatura ao governo de Estado pelo Partido da Causa Operária (PCO).

Ana Patrícia foi indicada como candidata por ter atuado ao lado de outros companheiros do PCO-PE na luta contra o golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma, mantém como preso político o ex-presidente Lula e se prepara para realizar eleições fraudulentas que referendem um novo carrasco do povo brasileiro.

Como militante do PCO, ela tinha pleno conhecimento de que qualquer candidatura em nosso Partido, diferentemente do que ocorre nos partidos da burguesia, não é uma candidatura pessoal, um cargo do qual o filiado se investe para usar a seu critério em função dos seus interesses pessoais, negociar, apresentar suas idéias. Este é o critério dos partidos patronais e das oligarquias. Ana Patrícia era sabedora de que o PCO repudia os candidatos de si mesmo e dos seu próprios interesses e foi indicada nessas condições, como todos os candidatos do Partido, para defender nosso programa e as reivindicações que são de interesse do conjunto da classe trabalhadora pernambucana e de todo o País. Estava nessa missão para servir à luta dos trabalhadores e não para se servir dela em proveito próprio.

Em Pernambuco, consideramos fundamental lançar candidatos ao governo para defender nosso programa de luta contra o golpe e em defesa de um governo dos trabalhadores, bem como para se opor à capitulação da direção do PT que decidiu – contra a vontade da sua militância – abrir mão de uma candidatura de oposição aos golpistas para apoiar aqueles que participaram do golpe e agiram contra a vontade do povo pernambucano e brasileiro. Sem qualquer discussão no interior do Partido, Ana Patrícia sucumbiu diante das pressões dos setores que querem “virar a página do golpe” e se aliar aos golpistas contra os trabalhadores e suas organizações.

Nessa conduta totalmente inusitada e hostil aos princípios de independência de classe defendidos por nosso Partido, Ana Patrícia foi “assessorada” pelo advogado Aristides Joaquim Félix Júnior​, ligado ao Partido dos Trabalhadores. A companheira é servidora pública e recebemos denúncias de que recebeu enorme pressão de vários tipos para renunciar, conduta que favorece a políticos carreiristas interessados nessa conduta totalmente suspeita (o que estaremos averiguando).

A filiada, antes de efetivar a medida junto ao TRE – com apoio do advogado petista – e sem comunicar ao Partido, divulgou a decisão em coletiva de imprensa. Anunciou, segundo a imprensa burguesa, ​estar “aberta a convites de outros partidos, se estiverem de acordo com a minha ideologia”. Que “outros partidos” são estes? Os que lutaram pela derrubada do governo eleito ou os que se omitiram nessa luta?

Procurada pelo integrantes do PCO, se disse disposta a participar de uma reunião para democraticamente discutir a questão, dizendo-se disposta a acatar a decisão dos militantes de Pernambuco que indicaram seu nome à Conferência Nacional do PCO, que aprovou todos os seus candidatos.

Agindo de forma desonesta e desrespeitosa com o demais companheiros, Ana Patrícia não compareceu à reunião, pisoteando os direitos democráticos dos demais companheiros. Encaminhou seu pedido de renúncia quando já não há mais prazo para a substituição de sua candidatura por outro filiado do PCO. Agiu pelas mãos do advogado apoiador do candidato golpista do PSB, sem qualquer consideração com os militantes do PCO e toda a esquerda pernambucana que, mais uma vez, vê se impor a vontade dos inimigos da luta dos trabalhadores e aliados das oligarquias políticas golpistas que dominam o Estado.

Os militantes do PCO, reunidos em Plenária em Recife, resolveram recomendar à direção do Partido a expulsão desonrosa de Ana Patrícia Alves por sua conduta de afronta aos princípios e estatutos partidários, traição à luta dos trabalhadores e colaboração com os partidos e candidatos golpistas a poucas horas da realização das eleições, servindo para buscar desarmar não só o PCO, mas todo o ativismo classista que – corretamente – vê nas candidaturas do PCO uma alternativa de luta contra o golpe, em defesa da liberdade de Lula e pelas demais reivindicações dos explorados. Esta renúncia não pode ser caracterizada como outra coisa que um apoio aos candidatos golpistas nas eleições estaduais.

Diante de tais fatos, a Comissão Executiva Nacional, submeterá ao Comitê Central do Partido, a formalização de uma Comissão de Inquérito para apurar os fatos, ouvir os interessados e propor as medidas cabíveis.

Os militantes do PCO mantêm inabalada sua luta pelo programa e pela política classista e independente, repudia a conduta inaceitável e totalmente suspeita adotada pela filiada e chama os trabalhadores, a juventude, a esquerda combativa a seguir firmes na luta pela construção dessa ferramenta imprescindível para a luta da classe operária e de todos os explorados que é o partido operário e revolucionário.

Nas eleições do dia 7, chamamos nossos apoiadores a manterem o voto no PCO, a votarem no 29, no Partido da Luta contra o golpe e nos candidatos de luta contra a fraude e as manipulações que se expressam nessa eleição como em nenhuma outra; a votarem no PCO e nos candidatos de luta pela liberdade de Lula, cuja luta levaremos adiante, junto com toda a esquerda classista também após as eleições.

Saudações revolucionárias,
São Paulo, 5 de outubro de 2018.

Plenária dos militantes do Partido da Causa Operária de Pernambuco