Sobre a liberdade de expressão, esquerda pequeno-burguesa é igual a direita: não se pode falar nada que seja agressivo
censura
Sobre a liberdade de expressão, esquerda pequeno-burguesa é igual a direita: não se pode falar nada que seja agressivo
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A condenação de Danilo Gentili, um direitista sem graça que se reivindica humorista, por crime de injúria, colocou em polvorosa todo um segmento da pequena burguesia de esquerda, que saiu a comemorar com urras de louvor a atitude do judiciário brasileiro.

Em seguida a sua condenação, o órgão supremo do judiciário, o STF, censurou também o site direitista O Antagonista por uma suposta “ofensa a honra”, uma noção aristocrática, pré-capitalista. Quer dizer, tanto a direita como a esquerda pequeno-burguesa não se pode falar nada que possa ser “agressivo” ou “ofensivo” contra uma pessoa. Isso quando, desde que o mundo é mundo, qualquer piada, qualquer sátira é sempre uma ofensa contra alguém.

Nesse mundo das trevas, até Bolsonaro, aquele mesmo que defende a tortura, que defende que o erro da ditadura foi o de não ter matado 30 mil pessoas, apareceu para fazer demagogia contra a censura.

Do ponto vista direita, a defesa da censura é o seu “modus operandi”. Se nesse momento não utilizam abertamente a perseguição e a censura é porque estão em vantagem. Principalmente a partir do golpe de 2016, os meios de divulgação e propaganda de calúnias e mentiras de toda ordem contra a esquerda é muito superior aos da esquerda.

Portanto, cabe aqui algumas considerações sobre os profundos erros políticos que acarretam para a esquerda ter uma posição política de censura tal qual a direita.

Em primeiro lugar, qual a vitória política alcançada pela esquerda com a condenação do direitista Danilo Gentili? Quantos dos desclassificados direitistas que o segue foram convencidos de que de fato foi ofensivo com a deputada Maria do Rosário? E quanto à “vitória” no processo movido pela mesma deputada do PT contra o então deputado Bolsonaro, que afirmou que ela não merecia ser “estuprada” por ser muito “feia”? Qual o resultado? Diminuiu o número de seus apoiadores? Impediu a sua eleição para presidente? Diminuiu seu ímpeto fascista?

Nada, mil vezes nada! Ou melhor, só capitulação da esquerda diante da direita. Se a esquerda tivesse se preocupado em montar órgãos de propaganda política ao invés de entrar com processos, o resultado seria muito diferente. Se a esquerda tivesse se preocupado em responder a altura as agressões da direita, também o resultado seria muito diferente. Caso algum deputado do PT (homem) tivesse esmurrado Bolosonaro ou até mesmo dado um simples empurrão, com certeza surtiria muito mais efeito.

Mais a política da censura, do politicamente correto, guarda ainda um elemento muito mais grave. Os processos que visam calar a direita são uma política suicida. É um verdadeiro bumerangue que a esquerda usa contra si mesma.

A democracia burguesa só é útil para a classe trabalhadora na medida que é um caminho para o seu desenvolvimento como classe. Portanto, qualquer restrição à democracia se volta contra a luta dos próprios trabalhadores pela sua organização.

Não podemos por um só momento esquecer a cruzada moral que foi a “luta” contra a corrupção. Em nome da “moralidade”, da punição exemplar do corrupto, direita e esquerda se juntaram para aprovar a “Lei da Ficha Limpa”. Qual o resultado prático? Acabou a corrupção? Puniu os corruptos políticos burgueses? No máximo um ou outro político secundário tá aí pegando um pouco de cadeira, mas as engrenagens da corrupção do sistema continuam funcionando a todo vapor.

Mas se não teve resultado para a burguesia, teve muito para a esquerda. A cruzada moral serviu para dar o golpe, derrubar a presidenta Dilma, perseguir, encarcerar e impedir Lula de ser candidato e, finalmente, fraudar as eleições, colocando à frente do país um elemento fascista.

A esquerda trata a democracia como um regime que supostamente favoreceria a todos, pois serviria para regular as relações. Se fosse apenas ilusão, já seria muito negativo, mas é o próprio suicídio.

De mais a mais, tem ainda alguns setores dentro dessa esquerda pequeno-burguesa, que são verdadeiros campeões da calúnia e da difamação. Diante da crítica veemente do PCO a impor qualquer limite à liberdade de expressão, alguns “notáveis moralistas” se apressaram em difamar o partido com a acusação de que gostamos do Danilo Gentili, outros ainda, de que defendemos a extrema direita.

Precisaria ver onde estavam os “bravos lutadores da moralidade”, quando o PCO foi ao consulado da Venezuela para enfrentar os fascistas que queriam fazer um ato contra aquele país, ou ainda a defesa que fizemos da UNE também contra os fascistas que queriam atacar a sede da UNE, que fazia um ato em defesa de Cuba.

Para o PCO não tem problema. Nós temos os nossos métodos de luta contra a direita e contra a esquerda-pequeno burguesa. Aos caluniadores o pelourinho do escárnio público e não os métodos da censura da própria direita, que agora são copiados pela esquerda.