Polarização política nacional
De um lado todo o povo trabalhador luta por Lula presidente, de outro os capitalistas querem manter Bolsonaro, essa é a polarização existe no país

Por: Redação do Diário Causa Operária

A polarização política no Brasil toma uma forma mais bem definida, embora não completamente acabada, em decorrência da recuperação dos direitos políticos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possibilidade recobrada de Lula ser o candidato do movimento popular organizado divide o país; o movimento operário, popular, e as massas exploradas do país, assim como a esquerda de um lado, para qual a candidatura de Lula aparece como seu principal e representante e a burguesia golpista de outro, que até o momento não puderam levantar outro representante que não o próprio Bolsonaro.

Todo um setor da direita, melindrados pela polarização crescente e suas possíveis consequências, trataram de minimizar, ao menos no discurso, o significado que a possível e desejável candidatura Lula terá inevitavelmente. O youtuber de direita Felipe Neto, pelo qual setores de esquerda nutrem simpatia, expressou essa política de tentar esvaziar o significado que a candidatura Lula adquirirá necessariamente.

Em uma rede social, o Neto declarou:

“Lula e Bolsonaro não são polos. Parem de desonestidade. O outro polo de um Bolsonaro seria um PCO, ou um PSTU. Foi essa narrativa mentirosa que validou o Bolsonaro como um político real capaz de ser presidente. Parem de mentir. Contra o Bolsonaro não há polaridade em disputa”.

O companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido da Causa Operária, tratou do tema em sua conta no twitter, o companheiro Rui resumiu assim a questão:

“Em resposta a Felipe Neto: o PCO é sem dúvida, programática e ideologicamente o polo oposto de Bolsonaro. Porém a polarização prática se dá entre a extrema-direita e as forças populares organizadas, das quais o PT é a principal, não a única, expressão organizativa e eleitoral”.

O PCO e Bolsonaro são polos opostos do ponto de vista político, programático e ideológico. Bolsonaro é o representante, ainda que inacabado, da política mais reacionária da burguesia, que é o fascismo, ápice da ditadura dessa classe contra o proletariado e os explorados e oprimidos. O PCO, ao contrário, é uma expressão de vanguarda dos interesses vitais do proletariado revolucionário na sua luta pelo poder e pelo estabelecimento da ditadura do proletariado sobre a burguesia, único meio de libertar a si mesmo e as massas de oprimidos e explorados do mundo inteiro do jugo do capital, fazendo com isso a história andar para frente.

No entanto, no presente momento, não estamos diante de uma revolução proletária em que as massas aderem completamente ao programa revolucionário tal como o defendido pelo PCO. A polarização atual se dá, não de um ponto de vista ideológico e programático acabado do proletariado e dos explorados contra a burguesia na luta pela poder, mas de uma maneira ainda parcial, ainda que um ponto de vista prático similar, de uma lado se agrupam a classe operária organizada, os movimentos sociais e camponeses organizados, os partidos políticos de esquerda e um gigantesco números de milhões de trabalhadores que se agrupam em torno da candidatura Lula. Do outro da trincheira está toda a burguesia e setores pequeno-burgueses de direita tendo Bolsonaro por general, uma vez que não foi possível até aqui para os capitalistas emplacarem uma outra liderança capaz de agrupa-los todos.

De uma lado as forças populares organizadas, de outro a burguesia e seus auxiliares. O ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores aparecem naturalmente como liderança deste bloco político, porque são ainda hoje o seu principal representante eleitoral e organizativo, embora não sejam os únicos.

A insinuação do youtuber é de que sendo o ex-presidente Lula um político de esquerda moderado, tornaria o movimento que ele expressa também um movimento puramente moderado, institucional e de tipo burguês, tal como pintavam a política de frente ampla, ou seja, que a esquerda se subordina-se a um elemento supostamente moderado e democrático da direita. Aparentemente, segundo Neto, a moderação de Lula em comparação ao extremismo de Bolsonaro seria uma coisa positiva. Porém o movimento pela candidatura Lula é completamente diferente da política de frente ampla defendida pelo mesmo youtuber.

Um setor da esquerda pequeno-burguês que se diz revolucionária pelo mesmo motivo, a moderação, dando a ela, no entanto um sinal negativo, se opõem ou não se empenham pela candidatura Lula. Se confundem completamente em relação à luta política atual.

A candidatura Lula expressa, ainda que imperfeitamente, em nossa opinião, as aspirações e os interesses do povo trabalhador brasileiros martirizado por cinco anos de golpe de Estado dado por toda a burguesia, expressa os interesses, até certo ponto, dos movimentos operário, camponês e popular brutalmente atacado nesse período; dá as massas de milhões de homens e mulheres um perspectiva de luta e de reaver seus direitos e o país, em franca destruição pela política neoliberal levada adiante por Bolsonaro e pelos bancos. A candidatura de Lula é o meio por onde se expressarão todos esses interesses populares. Ou seja, uma gigantesca alavanca na luta dos trabalhadores contra Bolsonaro e sua política, que significa uma luta contra toda a burguesia, independentemente do caráter moderado da política do ex-presidente Lula.

Toda a perspectiva operária, revolucionária, comunista, como a que defende o PCO, somente poderá crescer e temperar-se no interior deste movimento por Lula presidente, que é o desejo do povo pobre e trabalhador deste país contra a direita e a extrema-direita que estão destruindo o Brasil.

Ficar à margem ou contra esta luta por considerações quaisquer, é trair os interesses do povo.

Para impulsionar esta perspectiva, é preciso formar comitês de campanha em todos os locais, é hora de criar a maior mobilização operário e popular da história para varrer a direita e a extrema-direita do poder, Somente esse movimento, na conjuntura atual, pode abrir perspectivas reais de um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.

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