Infernos na terra
No Pará detentos, advogados e agentes penitenciários reclamam da situação desumana em que vivem os presos e a privação dos direitos às quais são submetidos
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Altamira PA 29 07 2019-O Gabinete de Gestão da Segurança Pública do Pará determinou a transferência imediata de 46 custodiados da Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) envolvidos no confronto ocorrido na manhã desta segunda-feira (29), no Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRA), na região oeste. Foram confirmadas as mortes de 57 detentos, sendo que 16 foram decapitados. Dez dos 16 identificados como líderes das facções criminosas, que comandaram o ato, irão para o regime federal, conforme tratativas realizadas entre o governador Helder Barbalho e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. O restante será redistribuído pelos presídios do Estado foto Bruno Cecin/ag.Para
Centro de Recuperação Regional de Altamira | Foto: Bruno Cecin/ag.Para

Reportagem publicada pelos Jornalistas Livres no dia 2 de agosto traz a denúncia de maus tratos, tortura e terror nos presídios do Pará. Segundo a matéria essa é uma realidade vivida por 20 mil detentos no estado, governado pelo bolsonarista Helder Barbalho (MDB). ” Para que se tenha uma idéia, o Estado detém um recorde sinistro: lá os presos morrem 5 vezes mais que média verificada em presídios do país”, informa a reportagem.

Em entrevista para o site de noticias um presidiário relata as noites e dias de terror que passou nas duas penitenciárias em que esteve. Segundo ele, durante a madrugada policiais entravam nas galerias e começavam a espancar e torturar os presos, com cabos de vassoura, bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. A violência física, privação do sono, da alimentação e até crimes de abuso sexuais considerados como estupros, são uma realidade nos presídios administrados pela Secretaria de Administração Penitenciária do Pará.

“Alguns presos se defendiam com o colchão e esses que se defendiam eles tiravam da cela e batiam mais. E então ficava todo mundo nu concentrado num campo. Todos os pavilhões. Um colado no outro. Toda essa violência pra tomar café às seis e meia. Diziam que não era pra olhar para eles senão a gente ia apanhar. Todo o tempo eram ameaças.” relata o detento.

As denuncias em relação ao sistema prisional do Pará se estende não apenas aos presos, mais também aos advogados e os agentes penitenciários que sofrem assédio e privação dos direitos. Advogados relatam que estão sendo submetidos a revistas íntimas, e não têm sequer o direito de entrevistar a sós seus clientes. Segundo eles ao tentar conversar reservadamente com os reclusos ficam agentes na porta que fica aberta durante toda a conversa.

Ainda de acordo com a reportagem do Jornalistas Livres, existem pessoas que são, após sentença, privados do direito de liberdade e entram nas cadeias com saúde e saem quase mortos, o que caracteriza verdadeiros campos de concentração. É importante ressaltar que esse tipo de crime contra a população carcerária não é exclusivo do estado do Pará, apesar de nos últimos meses o estado ter tomado conta dos noticiários com dezenas de denunciais em relação os direitos humanos dos presos.

Devemos deixar claro que o Brasil é o país que concentra a terceira maior população carcerária do planeta,  com centenas de milhares de vidas amontoadas esperando sabe se lá o que. Muitos que se encontram nessa situação preferem morrer do que aguentar as humilhações diárias como ofensas, agressões, xingamentos maus tratos e etc. Os presídios são considerados verdadeiros infernos na terra.

Diante dessa situação não há alternativa a não ser se colocar na linha de frente pelo fim dos presídios nacionais, que são nada mais que verdadeiras casas de tortura, definhando a vida e barbarizando em torno de um milhão de mulheres e homens em todo país. E é claro que com ascensão da extrema direita ao poder através do golpe de estado as condições de cárcere que já é catastrófica e desumana tende a piorar ainda mais, como estamos vendo com o descaso que vem acontecendo com os presos diante da pandemia do coronavírus.

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas