Uma luta seletiva?
Mais uma vez a esquerda identitária mostra a incoerência de sua ideologia
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Neymar encara o zagueiro espanhol. | Reprodução.

Os identitários costumam defender que o oprimido tem sempre razão. Diante de uma acusação de um setor oprimido contra uma opressão, não se deveria sequer dar o direito à dúvida ao acusado. A histeria identitária de classe média confunde a defesa incondicional dos oprimidos com a supressão de direitos básicos da população, inclusive porque tal supressão irá se voltar necessariamente contra os oprimidos.

O PCO tem alertado sobre essa confusão política dos identitários. O próprio jogador Neymar foi vítima recente dessa política. Acusado de estupro numa situação que já à primeira vista parecia suspeita de armação por parte de quem o acusava, teve por parte da esquerda identitária uma condenação sumária. Neymar foi condenado como grande estuprador por essa esquerda. A possibilidade de o jogador ter o direito de se defender era motivo de enorme histeria nas redes sociais.

Depois, tudo se revelou realmente uma farsa e a mesma esquerda que o acusava e pedia que fosse queimado na fogueira simplesmente se calou.

Mas essa lógica dos identitários não está funcionando para Neymar no caso da acusação feita pelo jogador de racismo no último jogo do PSG. O jogador brasileiro foi expulso de campo depois de reagir ao que ele denunciou ser racismo do zagueiro espanhol.

Diante desse fato, esperava-se que a esquerda identitária fosse se reunir para pedir a defesa de Neymar e a condenação do espanhol na fogueira da inquisição identitária. Mas não é o que tem ocorrido.

Com algumas exceções, a esquerda tem se colocado diante do fato numa posição de dúvida sobre a veracidade das acusações de Neymar.

Outra parte da esquerda tem levantado que o jogador é milionário e que nunca se considerou negro. Essa desculpa, como fica claro, é usada para não defender o jogador.

A posição da esquerda identitária revela mais uma vez a completa falta de coerência dessa ideologia. Revela também que o identitarismo, impulsionado pelo próprio imperialismo, segue as orientações políticas deste. Se é para defender o negro acima de qualquer coisa se defende, mas se for Neymar, talvez não.

Tanto é assim que em meio à maior onda de demagogia da burguesia em relação ao racismo as acusações de Neymar são colocadas em dúvida e até mesmo são desdenhadas por uma parte da imprensa.

Um jogador do Olympique de Marselha publicou uma foto com o rosto de Neymar num corpo de cachorro. Chama a atenção que o jogador esteja tão à vontade para uma piada como essa no momento em que se faz enorme demagogia com a questão dos racismo.

O caso de Neymar tem um fundo importante e que a esquerda não consegue enxergar. Neymar é um alvo da imprensa imperialista e de setores do imperialismo que tem interesses econômicos em seu futebol e no futebol brasileiro. Por isso defender Neymar é tão difícil, mesmo quando pareceria óbvio aos olhos da esquerda.

Nesse momento, protestar contra o racismo virou uma espécie de moda, pois a burguesia tem impulsionado determinadas políticas como uma maneira de conter o movimento que surgiu nos Estados Unidos e que pode desencadear numa verdadeira guerra civil. Mesmo assim, Neymar é o único que não pode protestar contra o racismo, talvez ele esteja mentindo ou talvez nem negro ele seja, como dizem alguns.

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