Debaixo do tapete
Os números revelam aumento de 125% no óbito de petroleiros como consequência do Covid19, demonstrando um total abandono da categoria.
Petrobras
Petroleiros preocupados com a insegurança e mortes pelo coronavírus | Reuters
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Petroleiros preocupados com a insegurança e mortes pelo coronavírus | Reuters

O drama da privatização continua. O governo genocida de Bolsonaro insiste com planos de “demissão voluntária”, e esse plano também passa por ver boa parte morrer sem a adequada assistência contra a Covid-19. Uma prova disso é o que ocorre na Petrobras. As informações sobre contágio decorrente da pandemia com o coronavírus dentro da empresa, tanto são distorcidas pelos gestores, ocultando os verdadeiros dados que revelam as mortes de companheiros e a contaminação dos terceirizados nas unidades operacionais.

Os números revelam aumento de 125% no óbito de petroleiros como consequência do Covid-19, segundo informe do Ministério da Saúde, em boletim semanal do dia 18 de janeiro, com 5 óbitos na semana anterior, em um total de 9 desde o início da pandemia.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) noticiou que o contingente de petroleiros mortos na pandemia chega a 60, sendo , destes, 48 terceirizados, e 12 concursados. Com isso, ela contesta a informação do Ministério da Saúde, que tenta minimizar os efeitos da pandemia na empresa, e demonstra que um cenário bem mais tenebroso é omitido pela Direção, cuja postura negacionista, a exemplo do presidente golpista Bolsonaro, impede que um correto tratamento seja dispensado aos trabalhadores, como um projeto sórdido de solução transversal de um política genocida em busca da privatização,e que visa o enxugamento da máquina para facilitar a venda.

Outras quatro mortes por Covid-19 comoveram os sindicalistas nos últimos dias: um petroleiro do Espírito Santo e três do Amazonas, sendo que um deles faleceu após perder em poucos dias a mãe, o pai e um irmão, todos contaminados pelo coronavírus, segundo informação fornecida  pela Federação na reunião com o grupo de Estrutura Organizacional de Resposta da Petrobras (EOR), que ocorreu, excepcionalmente, na sexta-feira, 22. Além destas, aconteceram mais duas mortes de trabalhadores nesta semana, que também não foram esclarecidas pela Petrobras.

A categoria fica sem saber o que fazer. O sindicato insiste na testagem e retestagem em massa dos trabalhadores, como a principal reivindicação frente aos gestores genocidas, e em medidas como uso de máscaras de qualidade, higienização e distanciamento.

A fala do presidente do Sindipetro-AM, Marcos Ribeiro, destaca a gravidade no Norte do país, principalmente no Amazonas. Diz ele que:

“A situação no Amazonas é gravíssima. Na semana passada, já havíamos perdido outro petroleiro em Urucu. São casos e mais casos de trabalhadores com suspeita, afastados… todos os dias temos aposentados contaminados e internados. Mas, nada disso parece sensibilizar a gestão. A caixinha de maldade da empresa não parou e continua avançando cada vez mais, mesmo em meio a essa situação. O sindicato está fazendo a sua parte com campanhas de orientação e alertas constantes aos trabalhadores”.

A luta da categoria passa por uma questão política decisiva, de vida ou de morte, por causa da pandemia e das medidas necessárias de segurança, além da manutenção do emprego contra a privatização. Não tem como concretizar as reivindicações dos trabalhadores por meio de um processo de sensibilização dos gestores, como quer o sindicato. Sem que haja um  confronto mais enérgico de ocupação das plantas e plataformas de produção, com um grupo paredista de verdade para fazer frente a esta verdadeira destruição de um patrimônio brasileiro, a total entrega ao capital estrangeiro, vai mais uma vez fazer essa transição da pior maneira para a classe trabalhadora, que aqui vai sendo tratada como fardo pesado e um objeto qualquer que precisa ser descartado.

O momento é de apoio contra a demissão e o assassinato dos petroleiros, que são deixados sem segurança e o cuidado necessário contra a pandemia, mas mais do que nunca, é necessário buscar a política certeira do Fora Bolsonaro, que é a única que considera a derrubada desse governo e de todos os golpistas, entreguistas e negacionistas.

É urgente o confronto político, uma luta contra a direção da empresa e os golpistas do Palácio do Planalto Central, e que tenha por objetivo uma mobilização dos petroleiros e de todas as categorias, para derrubar o governo Bolsonaro e todos os golpistas.

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