A crise em um ponto de ruptura
Com golpes de estado e uma forte crise política e econômica, a América Latina vira um verdadeiro barril de pólvora em meio à decadência do capitalismo
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Chile é um exemplo desta situação explosiva, com um ano de mobilizações | Foto: Henry Romero

Desde 2004, quando iniciou-se de maneira oficial a nova onda de golpes de Estado na América Latina por meio do Haiti, os governos nacionalistas do continente, um a um foram atacados, e em grande maioria derrubados, pela intervenção do imperialismo norte-americano.

O golpe no Haiti fora responsável por sequestrar o então presidente Jean-Bertrand Aristide sob a tutela das forças armadas dos Estados Unidos, e por em seu lugar, uma ditadura brutal. Situação não diferente se apresentou nas tentativas de golpe que cercaram a reta final do governo de Hugo Chávez na Venezuela, e os mandatos de Nicolas Maduro.

Em 15 anos desta política sendo realizada de maneira intensa os governos nacionalistas do Brasil, Bolívia, Argentina, Paraguai e Equador, os principais do continente, foram derrubados.

Um projeto de destruição econômica

Esta ação, tornou-se de imediato um projeto de destruição econômica destes países e uma entrega total de sua economia ao imperialismo. Michel Temer no Brasil, fora responsável, por exemplo, entregar 75% das reservas de petróleo no Brasil. A britânica Shell e a norte-americana Chevron, levaram sozinhas, o bloco de exploração mais valioso, “Saturno”, na Bacia de Santos.

A mesma política se seguiu nos demais países. A principal razão da intervenção imperialista é seu demônio econômico. Com a forte crise mundial, o imperialismo não pode mais sustentar acordos com as burguesias dos países atrasados, e assim partiu para uma política totalmente ofensiva, visando dizimar as indústrias locais, como Petrobrás, Odebrecht, entre outras, em detrimento de suas multinacionais.

Contudo, os golpes de Estado estiveram longe de serem operações tranquilas, e a formação dos regimes golpistas sofreu enormes dificuldades, no interior das próprias burguesias. O caso brasileiro denota bem esta situação, o governo de Temer ficou conhecido por seu estado de crise terminal, os rachas internos e a alta impopularidade.

Na Bolívia, o governo provisório de Janine Añez não conseguiu a estabilidade necessário após o golpe militar, e gerou em seu lugar violentas mobilizações dos trabalhadores contra o golpe, forçando a um novo acordo com a esquerda nacionalista

Com a mobilização, vem as manobras

Em meio ao caos gerado pelos golpes de Estado, o imperialismo precisou agir para por em ordem seus próprios governos. Por meio do improviso elegeu Bolsonaro e manobrou nas eleições locais de 2020 em torno da política de frente ampla, colocando a esquerda pequeno-burguesa a total reboque da direita golpista.

A mesma política foi vista nos demais países. Na Bolívia, em meio a total radicalização popular, a esquerda foi posta em uma armadilha, e o acordo feito para eleger Luis Arce, passou por uma total entrega da mobilização e a unidade com o bloco golpista da burguesia.

Evo Morales, o candidato da população boliviana, foi impedido de concorrer e jogado para “escanteio”, em uma operação eleitoral cuidadosa realizada pelos golpistas.

Já no Chile, a frente ampla foi utilizada para conter uma revolta popular, extremamente violenta, que pendura no país há cerca de um ano. Com milhões nas ruas, brutal repressão policial e forte radicalização do movimento, a esquerda pequeno-burguesa decidiu entregar a mobilização para uma política de acordo com a burguesia chilena, aprovando uma nova constituinte de fachada, uma tentativa de conter os trabalhadores que estavam protestando.

A frente ampla mostrou-se uma política extremamente negativa para a mobilização dos trabalhadores, uma permissão da ascensão do fascismo, e uma total armadilha para a esquerda pequeno-burguesa, a mesma que no passado não soube reagir aos golpes de Estado, e agora, não sabe como enfrenta-los.

O golpe não para

A maior ilusão que a esquerda poderia ter, é crer nas eleições burguesas como uma maneira de conter os golpistas de derrotar o fascismo. Nunca na história da luta política isso foi possível, não será agora, em eleições totalmente fraudadas e com a esquerda a reboque do principal setor da burguesia, que algo mudará.

A capitulação tornou-se marca registrada, e esta operação de entrega, já realizada em países como a Argentina, por meio da candidatura de Alberto Fernández, vem sendo a política que o imperialismo necessita para dominar novamente o continente.

Pondo panos quentes na mobilização, a crise permanece com um controle sob os trabalhadores realizado pelas suas próprias direções, e assim, a burguesia pode reorganizar-se novamente, e intensificar sua política golpista em todo continente.

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