Reabertura criminosa
A presente situação do estado da Flórida, nos Estados Unidos, deixa bem claro o resultado de uma política pública baseada na ganância dos capitalistas.
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Praia em Fort Lauderdale, na Flórida. | Lance Asper

Na última sexta-feira (26), o estado da Flórida, nos Estados Unidos, registrou um aumento de 8.942 pessoas contaminadas pelo novo coronavírus. A quantidade de novos casos que, em comparação ao dia anterior, que contava com 5.004 casos, representa um aumento de 78,7%; marca o dia em que houve a maior quantidade de novos infectados na região.

Ademais, segundo o Departamento de Saúde do estado, foram registradas 39 mortes no mesmo dia, aumentando o número total de óbitos decorrentes da covid-19 para 3.366.

Em meio ao fato citado, as autoridades de saúde local relataram ontem (27), que grande parte dos hospitais do estado têm menos de 7% dos leitos de UTI disponíveis. À luz destes dados, o doutor Joshua Lenchus, do Centro Médico de Saúde de Broward, culpa a população pelo grande número de casos de coronavírus e diz:

Como menos pessoas aderem às diretrizes, não me surpreende que o número de casos tenha aumentado.

Ademais, simplifica a situação e propõe uma solução:

Acho que precisamos apenas estar vigilantes e seguir esse tipo de diretrizes sobre as quais falamos nos últimos meses.

A postura do doutor demonstra bem qual é a posição adotada pela maioria da classe média acerca da situação. Ao invés de se revoltarem contra seus governos que nada fazem para, de fato, conter a crise em seus respectivos países, culpam a população por não estar seguindo as recomendações de saúde. É claro que existem aqueles que pouco se importam com a quarentena, agindo como se nada tivesse mudado. Todavia, é esdrúxulo pensar que essa é a razão pela qual a epidemia tem se intensificado no país.

O mais bizarro de tudo é quando o próprio estado realiza esse tipo de análise e procura agir baseado nesse raciocínio infundado. Exemplo disso é o que o governo regional determinou que bares e restaurantes parem de servir bebidas alcoólicas, como se essa fosse a grande razão pela qual o sistema de saúde local está indo em direção à hecatombe.

Ou seja, ao invés de admitir que o problema da pandemia é o fato de que a classe operária nunca teve acesso à quarentena, o governo prefere se esconder atrás de um silogismo quase que infantil. Transfere a responsabilidade para o povo e, acima de tudo, para os trabalhadores. Não podemos nos esquecer que o papel do estado é o de representar os interesses de sua população. Acima disso, é importante lembrar que ele tem todo o poder para fazê-lo. O ponto é que, no momento em que a burguesia controla o aparato estatal, nada mais importa a não ser o lucro de seus gigantescos complexos industriais.

A política profundamente neoliberal dos Estados Unidos aliada aos efeitos da presente crise demonstram perfeitamente o que a privatização faz com um sistema de saúde. Chega de sermos ingênuos! No momento em que é uma empresa privada que regula um serviço, sua precarização é inevitável. A burguesia só se preocupa com seus lucros, é impossível lhe atribuir qualquer tipo de filantropismo.

Nesse sentido, a previsão para a conjuntura da população da Flórida e, enfim, de todo o país, não pode ser outra. Se agora, o sistema de saúde já se encontra em tal estado decadente, não podemos esperar qualquer tipo de melhoria para o futuro. A classe trabalhadora estadunidense sofrerá profundamente até que algum tipo de ação seja tomada frente ao descaso do poder público. Finalmente, só a mobilização popular pode dar um fim ao nefasto panorama dos Estados Unidos. O povo deve ir às ruas e derrubar, de uma vez por todas, a administração do genocida Trump e, enfim, todo o aparato imperialista estadunidese.

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