Crise no Peru
Diante do aprofundamento da crise, somente a derrota do regime político peruano garantirá uma constituinte popular
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Manifestações no Peru | Foto: Sebastian Castaneda

O golpe de Estado contra o ex-presidente peruano Martín Vizcarra, consequência da crise política entre os setores da classe dominante do Peru, foi derrotado menos de sete dias após a chegada ao poder de Manuel Merino, aliado da ala fujimorista.

A derrota da política golpista se deu por meio de grandes mobilizações populares que tomaram às ruas das principais cidades peruanas. Na maior delas, ocorrida na quinta-feira dia 12 de novembro, milhares de manifestantes ocuparam as principais ruas de Lima durante praticamente todo o dia. Ao cair da noite, a força policial deu início a uma ação de extrema violência contra os manifestantes, ferindo centenas de pessoas, algumas delas gravemente. Dois jovens tiveram ferimentos graves, provocados por tiros, e acabaram morrendo. Vinte pessoas permanecem desaparecidas.

Os manifestantes denunciaram que além da tropa de choque, as forças de repressão infiltraram policiais disfarçados entre a população, que se manifestava, para efetuar prisões e agir de maneira violenta. Tais agentes pertencem ao chamado Grupo Terna, uma espécie de divisão de inteligência da polícia peruana.

As manifestações abalaram de maneira decisiva o novo governo golpista, levando à renúncia de Merino no domingo, dia 15, junto a outros 13 ministros. É importante destacar que a crise política do Peru está associada diretamente com a crise econômica que afeta o País. Com a pandemia do coronavírus, este cenário se aprofundou. O Peru é um dos países com maior média de contaminados por cem mil habitantes, o PIB do país latino-americano teve uma retração de 30% neste segundo semestre.

Nesta semana, como decorrência das manifestações, foi a vez de setores ligados à classe operária peruana saírem às ruas. A central sindical peruana, Confederação Nacional dos Trabalhadores do Peru (CGTP), organizou manifestações nesta quinta-feira, 19. Participaram das passeatas todos os sindicatos peruanos. A principal exigência levantada é a convocação de uma nova Assembleia Nacional Constituinte. A atual constituição do Peru foi reformulada em 1993 durante o governo neoliberal de Alberto Fujimori.

A reivindicação de uma nova Assembleia Constituinte pelas direções sindicais peruanas é semelhante à política levada adiante no Chile pelos setores da esquerda, os quais buscaram canalizar a enorme revolta popular contra o governo direitista de Sebastián Piñera, ocorrida em 2019, para um acordo político com a classe dominante chilena.

A Assembleia Constituinte aprovada no Chile neste ano foi saudada por todos os setores, inclusive e de maneira efusiva pela burguesia chilena e pelo próprio imperialismo. O que deixa evidente a política de tentativa de contenção da insatisfação popular que tomou as ruas chilenas em 2019, a qual tinha na  sequência de sua evolução a derrubada do governo direitista do Chile.

No Peru se prenuncia a mesma política de acordo, diante do aprofundamento da instabilidade política, inclusive com a intervenção de setores da própria classe operária peruana, tal qual no Chile, uma política de acordo com a burguesia peruana, responsável pela situação de miséria e opressão do povo no Peru.

É necessário passar por cima da tentativa de acordo com a direita, todos seus setores, aprofundar as mobilizações, com atos de rua, convocação de uma greve geral, até a derrota de todo o regime político peruano. Somente nesses termos é que se poderá estabelecer uma verdadeira Assembleia Constituinte Popular, com a participação maciça da classe operária peruana e de todos os setores oprimidos.

 

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