Servidores públicos andreenses em estado de greve por emprego e salário

Passeata

Os servidores andreenses se encontram em campanha salarial totalmente desconsiderada pelo prefeito tucano Paulo Serra. A data base da categoria é 1º de abril e os servidores se encontram há 60 dias sem resposta a contento do governo municipal, que pelo contrário apresentou “propostas” de ataque às condições de vida dos servidores.

O prefeito anunciou pelo terceiro ano consecutivo o parcelamento do reajuste salarial dos trabalhadores em duas vezes tendo a cara de pau de oferecer 2,55% a partir de 1º de maio de 2019 sobre os vencimentos vigentes em 30 de abril; e o restante 2,55% somente a partir 01 de fevereiro de 2020 sobre os vencimentos em 31 de janeiro de 2020. Além disto, neste período anunciou o fim da Semasa com a ameaça de privatização do Semasa(Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) para Sabesp e a demissão dos trabalhadores.

O PL20/2019 é o projeto de Lei encaminhado à Câmara dos Vereadores, pelo prefeito do PSDB, que prevê a venda do Semasa para Sabesp e a demissão de todos os 1,1 mil trabalhadores da autarquia, além de outros ataques contidos no mesmo projeto que preveêm lançamento de plano de demissões voluntárias(PDV) a todos os servidores da Semasa e da administração direta, situação que pode estender o PDV para outras categorias no futuro, como os professores municipais.

Na campanha salarial dos servidores de Santo André,a educação concentra o maior percentual de servidores do município e contra eles foi anunciado o fim do pagamento do valor de R$ 110, 00 referentes às cestas básicas. Nesta categoria, apesar de não haverem dados oficiais é visível o adoecimento em larga escala dos professores, por conta da brutal carga de trabalho relacionada com a crescente superlotação das salas de aula, onde por toda a rede se encontram salas de ensino infantil com 32 alunos, sendo ainda mais dificultado e estressante o trabalho por se encontrarem em todas as salas de aula crianças com necessidades especiais, ou algum tipo de transtorno psíquico, com pouca assistência do departamento específico de auxílio a essas crianças, em virtude do pequeno número de servidores.

Perante todos esses ataques, o sindicato da categoria, o Sindserv Santo André, chamou nova assembleia no paço municipal na última sexta feira, dia 31 de maio. Com dificuldades na mobilização dos servidores da educação, em virtude da desorganização político sindical da categoria  que sequer conta com representantes sindicais eleitos nos locais de trabalho, esta assembleia foi pequena, reunindo cerca de 150 servidores no paço municipal.

Apesar do número ainda pequeno, os servidores que lá estavam mostravam vontade de impor uma radicalização ao movimento e rejeitaram por unanimidade a proposta do governo inimigo dos servidores de Santo André. Além disso, após falas de diretores sindicais e outros servidores que enfatizaram o rechaço aos ataques da prefeitura e levantaram a questão da paralisação do dia 14 de junho e a luta contra a reforma da previdência, dia da greve geral, o companheiro da corrente educadores em luta – PCO falou na assembleia, sendo o único a defender a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro e todos os golpistas! e levantando também outros pontos que acertarão em cheio os professores caso os trabalhadores não consigam derrubar Jair Bolsonaro. O primeiro deles foi a denúncia quanto ao corte de 47% nas verbas do Fundeb pelo ministro fascista Weintraub, que afetará radicalmente os professores, que segundo informações de representantes da categoria no Fórum Municipal de Educação, o salário dos professores em Santo André é pago em 92% de seu montante pelas verbas do Fundeb, ou seja, os professores andreenses correm o risco de num futuro muito próximo ficarem sem o pagamento dos salário. Outra questão relativa a paralisação do dia 14 é a reforma da previdência que é uma emenda constitucional, e que se for aprovada cada e município apesar de terem suas próprias legislações para as aposentadorias dos servidores terão que se adequar nas questões que envolvem idade, tempo de serviço.

No município de Santo André, as progressões salariais são incorporadas no salário dos aposentado.

A draconiana reforma dos fascistas prevê que isso deixe de existir, assim o professor perderá as progressões que recebe na ativa

Um exemplo: Hoje uma professora com duas pós-graduações, com 25 anos de rede e que pela média se aposenta com 180 horas mensais tem o salário por volta de 7.000,00.

Com a nova previdência, passará
para cerca de R$ 3.000,00, pois os professores poderão também perder a incorporação dos biênios(que garante a cada dois anos trabalhados, um reajuste de 4,5% nos vencimentos), um verdadeiro roubo aos salários dos trabalhadores, sem falar que os professores passarão a trabalhar em média por mais 12 anos.

Frente a todos esses ataques e denunciando claramente o governo fascista de Jair Bolsonaro, os professores apoiaram através de muitas palmas a colocação geral pelo Fora Bolsonaro e greve geral no próximo dia 14.

Após aprovada a rejeição das propostas do governo municipal foi definida nova assembleia no dia 7 de junho e aprovada a paralisação da categoria dos servidores na greve geral em 14 de junho. Com isso os servidores sairam em passeata pelas avenidas que circundam o paço municipal, paralisando o transito no momento de pico, por volta das 19 horas.