Privatizações
Tortura psicológica, transferências forçadas, ameaças e censura são as armas para a privatização do Serpro
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Serpro Fortaleza (CE): a torre ao fundo costumava exibir orgulhosa a logo da empresa, não mais. | Foto: Reprodução

Em sua cruzada contra o serviço público, Bolsonaro usa métodos de tortura psicológica, ameaça de demissão, desinformação, perseguição e censura. No Serviço Federal de Processamento de Dados (SERPRO) a lei é não dá nenhuma informação ao corpo funcional, mesmo àqueles que trabalham em unidades que estão sendo fechadas.

Um total de 31 escritórios do Serpro foram fechados em todo o país, as notícias sobre este fechamento foram vazadas por funcionários mais próximos à administração da empresa que discordam dos métodos desumanos adotados pela empresa. Durante todo o processo, os funcionários foram privados de saber qual seria o seu destino. Muitos aderiram ao plano de demissão voluntária por temor de perderem o emprego. Outros aceitaram a sugestão de pedir remoção para centros maiores, desde que o pedido fosse por “interesse pessoal”. Os funcionários que restaram nesses escritórios estão prestando serviço nas instalações dos clientes do Serpro sem nenhuma garantia de qual será seu destino.

A diretoria do Serpro encomendou um estudo para fechar regionais maiores como as de Fortaleza, Recife e Salvador, todas com prédio próprio e algumas centenas de empregados. O plano parece ser reduzir o tamanho da empresa, ou como costumam dizer “sanear”, para depois entregá-la a iniciativa privada. O projeto de privatização do Serpro é profundamente danoso aos interesses do país não apenas pelo seu valor financeiro, mas sobretudo por seu enorme valor estratégico, já que o Serpro opera o coração da administração pública federal.

O Serpro detém o conhecimento sobre arrecadação de impostos de forma profunda, já que nasceu para informatizar a Receita Federal em meados dos anos 60. Foi o Serpro que desenvolveu a Conta Única do Tesouro Nacional, mecanismo que permitiu controle e transparência sobre os gastos governamentais. Também estão com o Serpro a folha de pagamento do funcionalismo público federal, o sistema de controle de exportação e importações e muito mais.

A insatisfação dos funcionários do Serpro é geral. Recentemente um funcionário da regional do Rio de Janeiro foi punido com dez dias de suspensão por ter feito críticas ao governo através de seu email a um grupo de colegas. A punição manchou uma ficha funcional imaculada por 41 anos de dedicação ao país do Analista de Sistemas Fernando Sérgio Gomes de 63 anos de idade. O texto de Gomes que tanto irritou os bolsonaristas do Serpro dizia que “somente a resistência pode barrar as atitudes loucas deste desgoverno“, uma frase curta porém repleta de verdades.

Fernando Gomes classifica como desgoverno o conjunto de forças que administra o país, o que exprime muito bem a realidade, já que não há nada, e absolutamente nada que possa ser apontado como uma medida positiva adotada pela atual gestão federal, pelo contrário, apenas um aparelhamento fascista de militares em todas as áreas e em especial na saúde, isso em plena pandemia, além disso, os atritos criados com a China, os crimes ambientais e o desmonte geral da educação e pesquisa confirmam que o país segue às cegas e sem comando.

O que se poderia dizer do comportamento de Bolsonaro que expresse melhor sua conduta que “atitudes loucas”? Ou não é loucura que um ex-capitão do exército saia por ai receitanto Cloroquina para Covid-19 como se fosse médico? Não é loucura que um Presidente da República assuma publicamente que tem o direito de “trocar alguém na ponta” para proteger seus filhos e aliados de investigações criminais? Seria sã uma pessoa que em pleno século XXI nega as próprias palavras, gravadas em alta definição de imagem e som, como fez Bolsonaro ao negar que classificou o Covid como “gripezinha”?

O Analista do Serpro acerta no alvo quando diz que é preciso “barrar” estas atitudes e mais ainda quando diz que “somente a resistência” o pode fazê-lo. Fica evidente que seu apelo é pela resistência de seus colegas do Serpro, uma empresa que detêm um poder enorme. Quantos dias a burguesia aguentaria ficar sem o Siscomex, impossibilitada de importar e exportar? Os portos ficariam congestionados e os prejuízos seriam incalculáveis. Quantos dias Bolsonaro resistiria sem arrecadar impostos ou sem poder pagar as contas caso os sistemas da Receita Federal e Tesouro Nacional fossem paralisados?

Infelizmente quem ainda não entendeu nada disso foram as lideranças sindicais da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Processamento de Dados (Fenadados), entidade filiada à CUT, que tem se limitado a atuar na negociação do acordo coletivo de trabalho como se vivêssemos tempos normais e não sob um golpe de Estado. A Fenadados não realiza assembleias, não mobiliza, não luta, não “resiste” às “atitudes loucas deste desgoverno”. Assiste imóvel ao fechamento dos escritórios e, quando muito, emite uma nota de protesto ou pedido de explicações, o que na verdade é mais uma agressão a quem clama por socorro.

A burguesia nacional e o imperialismo internacional sabem do poder nas mãos do Serpro, este é o verdadeiro motivo da sua privatização, colocar em mãos privadas e possivelmente estrangeira as ferramentas que permitem a gestão do Estado brasileiro, desmontar a máquina por dentro e nos lançar no atraso. Os empregados do Serpro tem poder para impedir que isso ocorra, mas precisam ser colocados em movimento, o que só poderá ser feito por suas entidades de classe. Este é o pedido oculto na mensagem censurada de Fernando Gomes: Trabalhadores do Serpro, ergam-se e lutem pelo Brasil, enquanto há tempo!

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