Série de TV destaca o papel do negro no futebol

adilio, junior e claudio adão

“O sofrimento que eu tive por ser preto foi muito grande”

(Dadá Maravilha)

A HBO exibe, a partir de 30 de agosto de 2018, 21h, a série O Negro no Futebol Brasileiro.

Baseado no livro de mesmo nome, do escritor Mário Filho, a série visa a explorar as dificuldades, o sofrimento, do negro na história do futebol nacional. Sim, mesmo no futebol brasileiro, cujas equipes estão plenas de negros, cuja história de sucesso no mundo se confunde com jogadores negros, não é um conto de fadas.

O, campeão do mundo com a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970, dá uma pequena dimensão do quanto o negro sofreu na história do futebol nacional. E é tocando nesta ferida que o autor mostrou por meio da HBO o primeiro episódio do documentário O Negro no Futebol Brasileiro, tratando de mais de um século de dificuldades e superações de jogadores para conquistar seu lugar no esporte. Ao mesmo tempo, a série/livro explora a importância do futebol para a inserção do negro na sociedade brasileira.

Como não lembrar a história do Fluminense, por exemplo, chamado de pó-de-arroz, graças ao uso que dele fazia o jogador negro (descrito como ‘mulato’) Carlos Alberto já em 1914. O Clube afirma que o nome teria surgido por causa de um jogo contra o América, em 13 de maio de 1914, quando, por causa do suor o pó de arroz que o jogador usava escorria pelo rosto e os torcedores do América, antigo clube de Carlos Alberto, ressentidos com o jogador passaram a gritar a expressão “pó-de-arroz”, o que teria ficado como sinônimo do próprio Fluminense.

A verdade, no entanto, mesmo que esse episódio seja real, era que os jogadores negros não eram admitidos em muitos clubes. Diferente do que se pensa, o futebol tem uma origem, no país, algo aristocrática, desde que chegou ao país. De toda maneira, os clubes foram, aos poucos, quebrando esse caráter aristocrático e, pelo que se tem registro, Bangu, Ponte Preta e Vasco da Gama estão entre os que primeiramente agregaram negros em seus quadros. O Vasco da Gama, campeão carioca em 1923, foi um protagonista. Entre os anos de 1923 e 1924, já contava com pelo menos 12 jogadores negros.

Aliás, é bom que se registre: após a conquista do título carioca em 1923, América, Botafogo, Flamengo e Fluminense propõe a criação de uma liga alternativa à qual o Vasco da Gama somente poderia ser admitido se abrisse mão de seus atletas negros. Não deu certo, o Vasco resistiu e hoje quase ninguém conhece esse história de racismo nas origens do futebol brasileiro.

O futebol do Brasil pentacampeão do mundo confunde-se com a história dos jogadores negros do qual o mais famoso é Pelé, mas ele não é o único: Domingos da Guia, Leonidas da Silva, Didi, Dadá, Garrincha, Zizinho, Veludo, Pompeia, Jefferson, Barbosa, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo, Romário…. e a lista não tem fim.

Que a história das dificuldades de cada jogador negro não nos deixe esquecer de como esse país foi construído sobre o sangue e suor dos negros e de todos os trabalhadores.