Política
Mourão e Bolsonaro não têm uma boa relação. Ambos podem se separar politicamente e Mourão pode não ser o candidato à vice-presidência de Bolsonaro em 2022
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Bolsonaro e Mourão | Foto: Reprodução

Mourão e Bolsonaro não têm tido uma relação amistosa nos últimos dias. Segundo coluna de Tales Faria do UOL, os dois têm se afastado e podem se separar politicamente em 2022, quando Mourão deve tentar se lançar a algum cargo político independente de Bolsonaro, que tentará a reeleição à presidência. Mourão, nesse sentido, poderia servir como figura semelhante à de Temer em 2016, armando com o Centrão para retirar o presidente da república.

Algumas falas de Mourão nos últimos tempos têm contribuído para demonstrar como a situação entre os dois direitistas não está bem. Exemplo disso são as falas do vice de Bolsonaro sobre a vacina para o Covid-19 e a polêmica sobre a paralisação dos testes por parte da Anvisa, que impediu a continuidade deles por parte do Instituto Butantã, em que Mourão chegou a dizer que o debate estava politizado, dando a entender que tanto Doria e Bolsonaro disputavam politicamente a vitória da vacina.

Outra discussão que gerou muitos atritos foi sobre a proposta de Mourão para que quem cometesse crimes ambientais tivesse suas terras expropriadas. Bolsonaro acabou dizendo que demitiria do governo quem propusesse algo nesse sentido, já que uma de suas bases de apoio se encontra nos latifundiários.

Mourão também chegou a irritar a família Bolsonaro em uma entrevista em julho para a Rede Globo, ao dizer que Bolsonaro encerrou sua carreira no Exército em um cargo braçal, enquanto Mourão ocupava um cargo intelectual, o que em outras palavras significa dizer que Bolsonaro não era inteligente.

Tudo isso só serve para demonstrar alguns pontos importantes sobre o governo Bolsonaro e sobre como combatê-lo. Um desses pontos é o fato de que o governo de Bolsonaro foi montado por vários setores da burguesia para vencer o PT nas eleições de 2018. Após a eleição, as áreas da burguesia em disputa começaram a se movimentar em favor de seus interesses próprios, isolando Bolsonaro.

Outro ponto importante e que tem relação com o que foi dito anteriormente, é que a maneira apresentada pela burguesia para destruir Bolsonaro é justamente a aliança com aqueles que o colocaram lá, política chamada de frente ampla. Sendo assim, vários dos setores que deram o golpe de Estado que abriu as portas para Bolsonaro se eleger em 2018, assim como setores que apoiaram sua eleição e outros que até mesmo ingressaram no governo, acabam se colocando contra Bolsonaro e tentando restabelecer o domínio, eles mesmos.

Sendo assim, não é de se surpreender caso Mourão e outros setores militares embarquem em uma política de frente ampla para tentar derrubar Bolsonaro em favor das demais alas da burguesia, em uma tentativa de se fabricar um Joe Biden brasileiro.

O curioso de isso tudo é que uma parcela daqueles que começaram a pedir o fora Bolsonaro somente após a burguesia demonstrar um pouco de interesse em tirá-lo do poder, como setores do PSOL, do PCdoB, da direita do PT e de outros partidos como PCB, usavam justamente a desculpa de que não poderíamos lutar para derrubar Bolsonaro, pois “ai viria o Mourão”, que seria pior na cabeça da esquerda pequeno-burguesa. Agora, os defensores da frente ampla podem justamente embarcar em uma política em conjunto com Mourão para tentar derrubar Bolsonaro.

É justamente essa a política de se colocar simplesmente contra o “mau menor”, já que enquanto Mourão é vice, ele é usado como espantalho para impedir a mobilização popular de derrubar Bolsonaro. Agora, ele poderá justamente ser usado como alguém que “mudou de ideia”, se tornou um democrata e começou a lutar contra Bolsonaro e o fascismo. É claro que uma concepção dessas não pode ser realidade.

É preciso mobilizar a população pela derrubada do governo de Jair Bolsonaro e contra todos os golpistas, para que o povo trabalhador tome conta da situação política contra a burguesia em seu conjunto. Sendo assim, é preciso lutar também pela candidatura de Lula em 2022, justamente a personalidade que a direita não quer ver como presidente e a única que pode derrotar o bolsonarismo e qualquer setor da frente ampla.

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