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Luta dos Sem Terra

Sem terra em MG mostram como se deve impedir os despejos

O acampamento Quilombo Campo Grande se mostra um exemplo de resistência contra os autoritários despejos dos Sem Terra ordenados pela justiça burguesa.

Tempo de Leitura: 3 Minutos

O acampamento Quilombo Campo Grande – Foto: MST

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O acampamento Quilombo Campo Grande, que reúne 450 famílias sem-terra no município de Campo do Meio, localizado no sul do estado de Minas Gerais, é alvo de despejo que teve início na madrugada da quarta-feira (dia 12/8). A ação, sob as ordens do governador Romeu Zema (Partido Novo), contou com a presença de dezenas de viaturas e policiais de diversas cidades vizinhas.

A ação de despejo e reintegração de posse, que prevê a retirada da vila de moradores e da estrutura da Escola Popular Eduardo Galeano, foi emitida pela Justiça estadual, mesmo sob o decreto de calamidade pública devido à pandemia do coronavírus, ou seja, uma atitude atroz frente aos direitos humanos dos sem-terra. Esta ação foi realizada antes mesmo de uma audiência pela Defensoria Pública do Estado que estava agendada para acontecer no próximo dia 28 de agosto.

A polícia militar continua no local após terem despejado a Escola Popular Eduardo Galeano e um barracão coletivo onde moravam três famílias. Foram muitas horas de tensão até que o governador Zema acabou se manifestando pelo Twitter dizendo ter suspendido a ordem de despejo após várias manifestações da sociedade civil, nacionais e internacionais, além de denúncias de parlamentares da esquerda e de setores da Igreja Católica. A tag #salvequilombo foi uma das mais comentadas do Twitter.

Só que foi apenas uma mentira de Zema. A polícia e o comandante da ação permaneceram no local e disseram aos membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) que o despejo continua caso não recebessem uma ordem de suspensão de forma oficial, o que indica que o governador fascista mineiro tinha apenas a intenção de ganhar mais tempo para deslocar novas tropas para o local.

A resistência no acampamento continua, com sua população com a firme intenção de não deixar o despejo acontecer.

Histórico do acampamento Quilombo Campo Grande

Os moradores do acampamento Quilombo Campo Grande ocupam a área que pertenceu à falida usina Ariadnópolis, da Capia (Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo), que encerrou suas atividades em 1996, mas que hoje ainda acumula dívidas trabalhistas que ultrapassam os 300 milhões de reais.

A área foi tomada em 1998 e o local se tornou uma referência nacional na produção agroecológica. Quando os sem-terra tomaram a área de aproximadamente 4 mil hectares a terra estava degradada, devido aos anos de monocultura, com o cultivo de cana de açúcar. Com a ocupação do MST o local recebeu plantações de café, milho, frutas e hortaliças, além da criação de galinhas, porcos e bovinos. Um dos produtos mais conhecidos do acampamento e sua Cooperativa Camponesa é o café Guaíi, um produto orgânico e agroecológico.

Na área estava sendo construído um polo de conhecimento e tecnologia em agroecologia.

Estão, portanto, no local há mais de 20 anos e mesmo assim a justiça confirmou a liminar de despejo, que envolveria a saída de mais de 2000 pessoas. Após tantos anos a estrutura montada pelos moradores está muito mais próxima de um assentamento bem estabelecido do que de um acampamento de fato. Toda a área já foi ocupada por famílias, dividida em lotes, com suas casas, além de ter sido instalada a rede de energia elétrica para a maioria das famílias.

A justiça burguesa ignorou completamente a situação falimentar dos antigos proprietários e descartou totalmente o trabalho que foi feito pelos ocupantes em todos estes anos na recuperação da terra e de sua atual extrema produtividade em todos setores.

As ações truculentas da polícia foram iniciadas no dia 30 de julho deste ano quando mais de 20 policiais, armados de fuzis e pistolas, estiveram no local revistando e quebrando casas e prendendo uma pessoa, o acampado Celso Augusto, que foi liberado no mesmo dia. Há anos que os acampados tem que lidar com a coação de pistoleiros, que segundo relatos, agem a mando de Jovane de Souza Moreira, responsável pela antiga usina falida e principal interessado na remoção das famílias do local.

De acordo com Débora Mendes do MST o “conflito perdura por tantos anos porque os antigos donos como Jovane e filhos são estelionatários na região e contam com o apoio das elites políticas, do atual prefeito e aliados, como o fazendeiro de café João Faria”. O filho de Jovane é candidato a prefeito em Alfenas, cidade vizinha ao município de Campo do Meio.

Nos dias seguintes a população local continuou sendo ameaçada pela polícia, que realiza blitz nas estradas de acesso à cidade e pela presença de drones. Outro problema adicional é que até então a comunidade do acampamento não havia registrado nenhum caso do coronavírus. A presença constante da polícia traz o risco de trazer a doença para dentro do local.

Exemplo de resistência

O caso do acampamento Quilombo Campo Grande mostra como é que o povo deve agir contra a truculência dos governos de direita e da justiça burguesa. As denúncias nas redes sociais e as declarações dos parlamentares tem sua importância na divulgação para um maior número de pessoas, mas o principal e mais importante passo é a mobilização dos trabalhadores e de todas as suas organizações, ou seja, enviar militantes para engrossar as fileiras dos acampados e providenciar ajuda externa para aumentar a resistência contra os ataques fascistas.

Contra todos os despejos! Fora Zema, fora Bolsonaro, fora todos os fascistas!

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