Sem popularidade, governo não consegue levar adiante a Reforma da Previdência e pode perder apoio da própria burguesia

Bolsustado

Em menos de três meses de governo, Bolsonaro já se encontra numa profunda crise política. A sua literalmente gritante impopularidade acuou ainda mais o governo, que desde o início do ano tem tido dificuldade em cumprir com o prometido para a burguesia.

Uma das características do atual governo é sua improvisação. A burguesia imperialista o elegeu diante o fracasso de conseguir lançar um candidato próprio, alguém com conhecimento e prática o suficiente para impor as sanções que requer o capital internacional. Jair Messias Bolsonaro foi acariciado e chutado pelos meios de comunicação burgueses com notória expertise. No primeiro turno foi metralhado pela Globo, que inclusive levantou a campanha do EleNão, já no segundo, tornou-se a única opção contra o Partido dos Trabalhadores e foi beneficiado por uma fraude eleitoral como jamais o foi um candidato no Brasil.

Mesmo depois de eleito, o governo não foi deixado em paz pelos golpistas, que por se esforçarem tanto em derrubar Dilma Roussef, não poderiam perder tudo na mão de um freelancer como Bolsonaro. Os ataques moderados da mídia servem para lembrá-lo quem de fato dirige o país, estes sendo os militares e acima deles o banqueiros internacionais.

A principal tarefa do capitão, aquela cuja o governo Temer falhou miseravelmente em alcançar, é a de implementar a tão esperada reforma da previdência, a mina de ouro que a burguesia quer tão desesperadamente explorar. As articulações no congresso e no senado estavam caminhado para cumprir tal objetivo, mas as crises que Bolsonaro enfrentou recentemente na própria base política obstruíram o caminho que se pavimentava. O baixo clero da burguesia que ascendeu na política junto com o recém eleito presidente, não está gostando de ver seus interesses postos de lado. Essas contradições entre as forças que compõe o governo estão lhe dificultando bastante a existência. Enquanto isso os militares, que agora ocupam a maior parte dos ministérios, o STF, diversos assento nas casas do legislativo, e a própria vice-presidência, se preparam para assumir caso esse balaio de gato esfacele-se.

Sem apoio popular, a perda do apoio da burguesia seria o fim do governo Bolsonaro. Isso não necessariamente significa uma vitória para os setores populares, a menos que o povo seja o próprio causador desse fim, através de mobilizações e organização, estando pronto à assumir a dianteira da política no Brasil e defendê-la contra ataques do imperialismo que sucedessem. Nesse sentido a atual situação de Bolsonaro assemelha-se muito com a de Collor de Melo nos anos 90, este também foi um candidato tapa buraco,sem nenhum apoio popular, eleito através de fraude eleitoral, e, enquanto esteve na presidência,  manteve-se através de medidas artificiais. Assim que perdeu o apoio da burguesia foi descartado.

Basta saber se a população conseguirá derrubar Bolsonaro por sua própria força de vontade e organização, ou se o governo continuará afundando numa enorme crise política até que se torne insustentável, e seja substituído por algo mais linha dura, que possa satisfazer os ânimos da burguesia internacional.