“Sem Lula” significa sem eleição

LULA / NOVA ERECHIM SC

Os prognósticos eleitorais de praticamente todos os institutos de pesquisas apontam a vitória do ex-presidente Lula já no primeiro turno. Seu nome aparece com mais votos do que praticamente todos os outros candidatos somados. A polarização é aguda e indisfarçável até mesmo para os “veteranos da manipulação” funcionários da imprensa venal. Assim, por ausência de melhores argumentos e botando fé na frente golpista do Poder Judiciário, os lacaios do imperialismo dão como certa a impugnação à candidatura de Lula, prenunciada por diversos Ministros.

Contudo, as próprias pesquisas eleitorais mostram que não existe eleições sem Lula, o que empresta à palavra de ordem “Lula ou nada” uma concretude imensa. Na eventual ausência do primeiro colocado, os votos brancos, nulos e indecisos formariam a maioria simples do pleito, restando ao povo – em segundo turno – escolher entre duas versões do mesmo programa entreguista. Tal cenário, flagrantemente antidemocrático mesmo levando em consideração o alto nível de manipulação tradicionalmente imposto às eleições nacionais, é a vitória certa do golpe. Por essa razão, aceitar ordeiramente a possibilidade de um plano b seria um erro rotundo.

A figura de Haddad, mais desconhecida, é muito mais suscetível a manipulações e joguetes. Abandonar o candidato que ganharia no primeiro turno em nome de um ilustre desconhecido só serviria para chancelar a farsa, entregando o comando do país de forma “legítima” às mãos dos inimigos do povo.

Nestas eleições a cobertura da grande imprensa vem sendo particularmente horrenda. O plano de prender Lula, arquitetado há anos por amplos setores golpistas, foi exitoso em sua finalidade, mas não contava com a reação tempestiva da esquerda em denunciar a perseguição. Condenado sumariamente por Moro desde o momento da aceitação da denúncia, Lula seguiu a recomendação da vanguarda do movimento operário e pôs-se em caravana, conclamando o povo a olhar de forma crítica para o seu processo criminal, para o impeachment de Dilma Rousseff, para a corrida eleitoral, para o desmonte do Brasil e para o fim da soberania nacional.

O resultado é que toda a luta contra o golpe foi canalizada em sua candidatura, força que só se acentuou desde sua prisão política.

Lula, um septuagenário de cabelos brancos, filho da demanda operária que exauriu a ditadura militar, é o espinho na garganta do golpe. Tal fato, inclusive, vem tomando enorme repercussão internacional. Se obedecidos os preceitos fundamentais do Estado Democrático de Direito, Lula sairá das masmorras de Curitiba direto para o Palácio da Alvorada. Optando os  usurpadores por aprofundar o Estado de Exceção, resta ao movimento dos trabalhadores denunciar a farsa e garantir que o próximo governo seja crivado de profunda crise. Não é uma possibilidade aceitar “eleições sem Lula”, nem naturalizar o plano B. É Lula ou nada!