42 milhões de brasileiros deixaram de votar neste segundo turno. Trata-se um recorde, desde a redemocratização, em 1989. O resultado é mais do que esperado, consequência das fraudes e da impopularidade do pleito.
Lula era o candidato favorito da população. A própria imprensa burguesa noticiou sua possível vitória em primeiro turno. Se acontecesse, provocaria imensa desmoralização do regime golpista. Portanto, foi preciso impedi-lo de se candidatar.
Como se não bastasse isso, a burguesia tratou de reduzir o tempo de propaganda eleitoral, aumentar as dificuldades burocráticas, impugnar candidaturas, proibir manifestações políticas, confiscar materiais de campanha, colocar barreiras para o uso da verba partidária e todo o tipo de constrangimento para que os partidos não se comunicassem com suas bases. Era comum que pessoas de mais idade estranhassem a falta de campanha eleitoral nas ruas, panfletos, cartazes, santinhos, muros pintados, bandeiras, carros de som, faixas, outdoors, que eram comuns em eleições anteriores.
A estratégia toda consistiu em alienar o povo da campanha eleitoral e impedir candidaturas de oposição, para poder controlar o regime golpista sob uma aparência democrática. Não sendo suficiente, foi preciso trocar urnas eletrônicas e contar resultados entre quatro paredes, para dar vitórias suspeitas a candidatos desconhecidos – todos, não por acaso, apoiadores de Bolsonaro.
Mas o povo não queria Bolsonaro nem Haddad. O povo queria Lula. Deve ficar absolutamente claro que o governo eleito foi colocado aí por meio de muita fraude, portanto não tem base para governar. Em boa medida, tende a ser um governo ainda mais instável do que Michel Temer.
O momento é de realinhamento das forças de esquerda para que voltem a fazer oposição ao regime. Este governo é fraco e impopular, e tem tudo para ser derrubado. Mas precisa ser derrubado pela esquerda, não pela direita. Fora Bolsonaro!
Fonte: O Globo





