Sem campanha do imperialismo, atos #elenão ficaram reduzidos

No dia 29 de setembro de 2018, atos em todo o país protestaram contra a figura do presidenciável Jair Bolsonaro. Embora Bolsonaro seja um representante da direita, os atos naquele momento serviram aos setores mais poderosos da burguesia – isto é, ao imperialismo.

Como Bolsonaro não era, a princípio, o candidato favorito do imperialismo para as eleições desse ano, mas era o candidato direitista com maior intenção de voto nas pesquisas, os atos #EleNão foram uma última tentativa para alavancar a candidatura de Geraldo Alckmin. Os donos do golpe, os responsáveis pela derrubada de Dilma Rousseff, apostaram bastante nos atos do dia 29, o que pôde ser comprovado em inúmeros momentos: o editorial da revista The Economist, os editorias dos jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo, as declarações de Rachel Sheherazade e Ana Amélia, o engajamento de atrizes da Rede Globo etc.

Apesar de terem sido relativamente numerosos, os atos não foram suficientes para que o imperialismo conseguisse emplacar um candidato de sua preferência. Com isso, Bolsonaro foi para o segundo turno com enorme vantagem para o segundo colocado.

Após ter se tornado o candidato principal da burguesia nas eleições, uma vez que estas agora se resumem à disputa entre o PSL e o PT, Bolsonaro parou de ser alvo de campanha da direita. A hashtag #EleNão significa, inevitavelmente, #HaddadSim, e a direita que apoiou o golpe e quer massacrar os trabalhadores não iria apoiar o PT.

Sem o apoio da burguesia, a campanha antibolsonarista perdeu toda a força que aparentava ter. Nos atos do dia 20 de outubro, que ocorreram em todo o país, houve um notável esvaziamento em relação aos que ocorreram antes do primeiro turno.

Por que terão sido os atos do último fim de semana antes do segundo turno mais reduzidos? Teria uma maior parte da população sido convertida ao “fascismo”? É evidente que não.

A população, isto é, a classe operária e ps demais explorados, não estiveram massivamente nos atos do dia 20, nem tampouco nos do dia 29. Afinal, não há uma verdadeira mobilização popular contra Bolsonaro – há apenas uma mobilização eleitoral organizada sobretudo por setores que querem “virar a página do golpe”.

O fato de os atos do dia 20 terem se reduzido consideravelmente devido à falta de participação da burguesia diz muito sobre o interesse do movimento operário. A única forma de mobilizar os trabalhadores e unificar a esquerda não é através de uma frente eleitoral, mas sim através da lura contra o golpe – uma luta que ponha a direita na defensiva e seja capaz de derrubar o Regime Político dominado pelos golpistas. Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Liberdade para Lula! Abaixo o golpe!