Sem a greve, a barbarie
Professores do Rio e de São Paulo, decidiram pela greve contra a volta às aulas e paralisam a partir de segunda, 8/2.
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Estudantes devem seguir o exemplo dos professores do Rio e encabeçar uma enorme mobilização. | Foto: Reprodução
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Estudantes devem seguir o exemplo dos professores do Rio e encabeçar uma enorme mobilização. | Foto: Reprodução

Como epílogo da série de medidas genocidas impostas pelos golpistas, por todo País escolas e universidades são reabertas. Por um lado, ninguém quer o retorno, por outro, a burguesia está desesperada para tentar sobreviver à crise e voltar com a reabertura plena do trânsito social. Para ela, não importa se não tem vacina, se os transportes públicos estão lotados e muito menos interessa que as novas cepas do coronavírus atingem e matam ainda mais a juventude. Deve a esquerda seguir como subordinada a tal burguesia, ou optar por um programa próprio, determinado para impedir a continuação do genocídio?

Doria, conhecido como o fracassado patrono da vacina que não existe, já explicou muito bem a situação e se mostrou um verdadeiro lacaio da vontade dos burgueses. Ao mesmo tempo em que anunciou a volta às aulas para o dia 8, nesta última semana, ele se isentou da culpa sobre a morte de qualquer estudante ou profissional contaminado ou morto. Como se não bastasse, já lançou algumas cobaias da comunidade escolar para as salas de aula lotadas, sem ventilação, e com álcool em gel vencido.

Basicamente, se trata da política do “morra quem morrer” de Bolsonaro, somada a lógica da brincadeira infantil do “não fui eu”. Ficam muito claras as intenções puramente econômicas do governo golpista. Para garantir que os estudantes, os professores, os técnicos e suas famílias voltem a circular durante o auge da pandemia, os “‘científicos” governadores, em conjunto com o próprio Bolsonaro, jogam milhões nas escolas sucateadas.

Vale comentar, que nem as melhores escolas privadas se provaram capazes de conter a contaminação desenfreada do vírus. Pelo contrário, mais e mais casos são contabilizados em escolas que abriram pelo País. A solução, óbvia, seria uma vacinação massiva da população, acompanhada de um programa concreto de combate ao coronavírus – o pesadelo dos golpistas. 

Não existiu em nenhum momento qualquer resquício desse programa. No lugar, houve uma falsa quarentena, a qual durou pouco dias, e uma intensa campanha de reabertura que forçou os trabalhadores a saírem de suas casas. Além disso, trilhões que deveriam ser investidos no combate à pandemia e a crise financeira, foram doados para bancos e empresas do imperialismo mundial. 

Os responsáveis por isso foram ninguém menos do que as pessoas que gerem as instituições do atual regime burguês. A Câmara, o Senado e o Supremo Tribunal Federal, aliados ao executivo fascista, encaminharam a morte de quase 250 mil pessoas. E agora, como solução, parte da esquerda ainda acredita, ou pior, continua com convicção a apoiar apenas medidas por dentro dessas instituições. Notas, limiares, abaixo assinados, petições, nada disso serve para barrar os golpistas.

Isso ficou ainda mais evidente com as fracassadas limiares do final de janeiro da APEOSP (sindicato dos professores de São Paulo) e do SEDIN (Sindicato dos Trabalhadores Nas Unidades de Educação Infantil da Rede Direta e Autárquica do Município de São Paulo). Ambas organizações massivas dos trabalhadores, tiveram suas limiares revogadas. No caso da APEOSP, o maior sindicato da América Latina, a justiça voltou atrás na decisão e decidiu acatar decisão anterior que permite a volta às aulas em qualquer estado da pandemia, à pedido do governo Doria. Um dia a limiar do SEDIN também foi jogada no lixo, dessa vez à pedido da gestão municipal de Covas.

No Rio de Janeiro, no final de semana passado, os professores estaduais e municipais do estado e da capital entraram em greve contra as aulas presenciais. Foram organizadas assembleias na virada janeiro para fevereiro, e, em regime de votação, mais de 80% da categoria declarou greve para impedir o genocídio da volta às aulas em um cenário sem nenhuma perspectiva de melhora, ou sequer combate à pandemia.

O mesmo ocorreu ontem em São Paulo (leia a respeito nessa edição).

 “O fato é que os governos não se esforçam para garantir a vacina e querem que as escolas abram”, diz Gustavo Miranda, coordenador geral do Sepe-RJ.

Saídas institucionais se mostraram um fracasso completo, sem uma verdadeira mobilização independente da direita que controla os aparatos do estado, será impossível impedir a volta às aulas e exigir o combate a crise do coronavírus e a crise econômica. A política de capitulação da esquerda não tem chance contra a vontade e a ira de suas bases, se as direções se comportam como burgueses mal assumidos, é necessário reconstruir as organizações dos trabalhadores através da luta. Por isso, a iniciativa dos companheiros professores aponta a direção que deve ser tomada por toda a esquerda. Não apenas eles, mas todos da classe trabalhadora devem lutar por uma greve geral contra a volta às aulas e o governo golpista.

O PCO defende, como discutido e encaminhado em uma conferência nacional do partido, a organização de uma greve nacional para derrubar Bolsonaro e todos os golpistas. Nesse sentido, é importante compreender que nenhuma greve tem um fim em si mesma, seu objetivo principal é fortalecer as organizações dos estudantes e dos trabalhadores. Sendo assim, ao invés de trabalhar como escravo nas plataformas EAD, ou ainda nas escolas para se infectar, os professores devem trabalhar para construir uma grande greve, que deve contar com atos massivos, ocupações, e todas as estratégias históricas e da classe trabalhadora.

 

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