Uma “nova” esquerda?
O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP), em entrevista à Folha de S.Paulo, afirmou que o PT era parte do passado
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Movimento 65 | Foto: Divulgação

Seguindo a sua tradição golpista e cretina, a Folha de S.Paulo, na última terça-feira (11), cedeu seu espaço para que um dirigente da esquerda criticasse o PT. O escolhido da vez foi o atual deputado federal Orlando Silva (PCdoB), pré-candidato à prefeitura de São Paulo.

Durante a entrevista, Orlando Silva afirmou que “o PT é parte do passado” e que o ex-presidente Lula “foi um extraordinário presidente, mas nós temos que olhar para a frente”. O pré-candidato prometeu “valorizar” a sua “condição de negro” e debater “a representatividade na política”: “não serão os brancos que vão romper com o racismo estrutural”.

Para além de toda a demagogia natural de um postulante a prefeito no regime político burguês, é preciso analisar com atenção o que significam as críticas ao PT e ao ex-presidente Lula. Como qualquer governo ou qualquer partido do regime, Lula e o PT são criticáveis, mas a questão que fica é: o que de fato Orlando Silva está propondo?

Não é difícil demonstrar que as críticas correspondem a uma tendência direitista no interior da esquerda nacional. Isto é, que Orlando Silva se coloca como porta-voz dos setores mais pressionados pela burguesia para adotar uma política de conciliação com o regime golpista. Vejamos.

Dizer que vai valorizar a condição do negro não quer dizer absolutamente nada. O imperialismo vive da demagogia sobre os oprimidos, e não é diferente em relação ao povo negro. Se a “valorização do negro” não vier acompanhada de um programa de reivindicações históricas e classistas do negro, como o direito ao armamento e a dissolução da PM, trata-se tão somente de um pretexto para continuar aplicando a política da burguesia. Sob a bandeira da “valorização do negro”, Sérgio Camargo está promovendo um verdadeiro expurgo na Fundação Palmares. Muito mais do que a representatividade, é preciso discutir a política que Orlando Silva defende.

O deputado afirma que Lula e o PT estão ultrapassados, isto é, que seria preciso de uma nova política para a esquerda. Nesse sentido, a melhor maneira de compreender a “nova política” defendida por Orlando Silva é encontrando as diferenças entre a política do PT e a do próprio pré-candidato.

Orlando Silva é um notório defensor da “frente ampla”. São dezenas de artigos e declarações em que o deputado coloca, de maneira explícita, a defesa dessa política. Citamos aqui apenas algumas frases:

“o que se viu ontem foi um primeiro ensaio de formação de uma frente ampla democrática, cujo objetivo central é defender o país contra a escalada do arbítrio” (08/08/2019)

“contra a extrema-direita, frente ampla democrática no Brasil” (14/11/2019)

“estou morrendo de vontade de ir para rua, mas agora é hora de cuidar das pessoas e, ao mesmo tempo, ir costurando essa frente ampla que vai preparar a ida de milhões para a rua”  (08/06/2019)

E Orlando Silva não ficou somente no discurso: ele é hoje uma das principais peças no trâmite da Lei das “fake news” na Câmara dos Deputados. Uma lei profundamente antidemocrática e que favorece apenas a direita golpista. Não é à toa que Orlando Silva tem defendido, basicamente, os mesmos pontos que Rodrigo Maia (DEM). O próprio deputado apoiou a eleição de Maia para presidente da Casa.

Quando perguntado, na entrevista da Folha de S.Paulo, sobre se iria ou não procurar o apoio de bolsonaristas, Orlando Silva desconversou: “desde 2016 se fala que a sociedade está polarizada, mas a impressão que tenho é que é mais militante de um lado e do outro, enquanto o povão mesmo fica olhando o cenário. Daí a necessidade de estruturar um projeto político popular renovador para a cidade de São Paulo”. Por fim, para que não houvesse dúvidas do que seria a sua política “inovadora”, Silva explica seu conceito de “comunismo”: “um governo comunista é como o do Maranhão, que o Flávio Dino [PC do B] faz. Quero governar São Paulo inspirado em Flávio Dino”.

Não por acaso, Flávio Dino é um dos principais defensores, a nível nacional, da “frente ampla”. Dino defendeu a candidatura de Ciro Gomes (PDT) quando Lula estava sendo perseguido pela direita em 2018, tem acenado para uma possível fusão com o PSB e apoiou a entrega da base de Alcântara aos Estados Unidos. Como governador, pôs em marcha a privatização da companhia de gás maranhense e foi um dos primeiros a promover a reabertura econômica no Brasil. A orientação de Dino é clara: procurar um acordo, e não um choque, com o regime político para conseguir manter os privilégios de sua posição social.

A “nova esquerda”, a “esquerda do futuro”, ou seja lá o projeto que Orlando Silva defende, é, no final das contas, uma política de submissão da esquerda e do povo à direita, sobretudo os seus setores mais pró-imperialistas. Até que ponto os “novos esquerdistas” estarão dispostos a chegar para permanecerem aceitos pelo regime político? O Movimento 65, defendido por Flávio Dino e Orlando Silva e que pretende substituir o vermelho do PCdoB pelo verde e amarelo, mostra que o céu é o limite.

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