Estados Unidos
Após deixar o Federal Reserve em 2018, Janet Yellen lucrou milhões de dólares em palestras para bancos, grandes empresas e indústrias.
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Janet Yellen, representante de Wall Street na secretaria do Tesouro dos Estados Unidos | Foto: Alex Wong/Getty Images
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Janet Yellen, representante de Wall Street na secretaria do Tesouro dos Estados Unidos | Foto: Alex Wong/Getty Images

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, nomeada pelo presidente Joe Biden (Partido Democrata), é ligada ao capital financeiro de Wall Street.

No ano de 2018, depois de deixar a presidência do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, Yellen ganhou mais de 7 milhões de dólares em palestras para grandes empresas, bancos e setores industriais. Somente em palestras para o Citigroup, o maior banco do país, a atual secretária lucrou US$ 1 milhão. Outras empresas pagaram pelas palestras, como Google, Goldman Sachs, Bank of America e Salesforce.

A maior parte das palestras foi para instituições do ramo financeiro, o que levanta a reflexão sobre sua estreita relação com Wall Street. Na declaração das origens de seus rendimentos milionários, estão empresas como PIMCO, Barclays, Citadel, BNP Paribas, UBS, Credit Suisse, ING, Standard Chartered Bank e City National Bank.

Um grupo questionou os rendimentos de Yellen e reivindicou que a lista completa seja divulgada, para assim ter uma noção sobre se suas palestras são meramente a expressão de uma opinião ou se se trata de lobby ou aconselhamento para negócios. É de se destacar que a nomeação conta com o apoio de políticos do Partido Democrata e do Partido Republicano.

As transcrições de suas palestras ainda não se tornaram públicas. Janet havia dito que, uma vez confirmada sua nomeação, em 90 dias iria vender suas ações nas empresas Pfizer, Raytheon, DuPont, ConocoPhillips e AT&T.  Porém, ela esclareceu que procurará autorização escrita para continuar a participar na vida financeira de empresas que lhe pagaram pelas palestras, como Barclays, Citi, Citadel, Credit Suisse e Goldman Sachs.

Ao observar a trajetória dos presidentes do Fed, é frequente que estes se tornem palestrantes de grupos financeiros de Wall Street. Ben Bernanke, presidente do Fed durante a crise de 2008, após deixar o banco recebeu US$ 250 mil de uma vez. Bernanke foi contratado como consultor sênior da Citadel, empresa de fundos sediada em Chicago.

A propaganda política feita por Biden para esconder o fato de que Yellen é uma representante de Wall Street no governo procurou enfatizar que trata-se da “primeira mulher na história dos Estados Unidos a se tornar secretária do Tesouro”, o que seria um grande avanço para a luta das mulheres e um exemplo de “empoderamento feminino”.

O caso é demonstrativo da demagogia dos democratas em relação à luta das mulheres, utilizada como uma fachada para esconder o domínio de Wall Street sobre o Estado nacional. Yellen é uma representante do setor mais poderoso do imperialismo norte-americano, que lucra bilhões de dólares mesmo no meio de uma crise mundial, quando se observa o aprofundamento dramático da miséria. Nos EUA, são milhões de pessoas desempregadas, famílias inteiras vivendo em estacionamentos, despejos generalizados, dezenas de milhões sem acesso ao sistema privado de saúde. A cidade de Los Angeles, uma das mais ricas do país e do mundo, tem mais de 50 mil moradores de rua.

O imperialismo precisava colocar um representante direto no governo, e por isso apoiou a candidatura de Joe Biden, garantindo que todas as manipulações e fraudes fossem levadas adiante para colocá-lo na presidência da República. A demagogia identitária em relação às mulheres, negros e LGBTs é uma forma de cooptar setores da esquerda pequeno-burguesa americana e colocá-los a reboque da política imperialista, o que se materializou com o apoio a Biden como “mal menor” contra Donald Trump.

O interesse de Wall Street é controlar integralmente o Estado e garantir que seus interesses econômicos e políticos sejam atendidos. Biden, político da ala dos falcões da guerra, foi um dos principais responsáveis pela invasão e destruição do Afeganistão (2001), do Iraque (2003), da Líbia (2011) e da Síria (2011-) e organizou e executou os golpes de Estado contra os governos nacionalistas burgueses (Paraguai, Honduras, Equador, Argentina, Bolívia, Brasil) na América Latina. Isso apenas para citar algumas das guerras, invasões e golpes lideradas por Biden somente neste século. Os interesses do imperialismo estavam por trás desses acontecimentos.

Na qualidade de secretária do Tesouro, Yellen tem influência em questões fundamentais como política fiscal, políticas monetária e cambial e elaboração do orçamento governamental. Ela também presidirá uma equipe de reguladores dos EUA que responde a riscos emergentes no sistema financeiro. 

Biden é o governo da demagogia identitária. Enquanto prende massivamente a população negra nos campos de concentração que são os presídios norte-americanos, o presidente chama a atenção para o problema do racismo, em abstrato. No caso dos imigrantes, os democratas foram responsáveis por recordes de deportações na época do governo Obama, do qual Biden era o vice-presidente.

Ocorre o mesmo na questão das mulheres. Estas são um dos setores da sociedade mais atingidos pela miséria, desemprego, violência e opressão, dentro e fora dos Estados Unidos. No mesmo momento que proclama a nomeação de Yellen como uma vitória para as mulheres, a política neoliberal e belicista de Biden lança centenas de milhões no desespero e na miséria. Nos países que sofreram invasões militares ou golpes de Estado, a vida das mulheres se tornou um verdadeiro inferno. Para as mulheres negras e imigrantes, Biden é um carrasco.

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