Ditadura do imperialismo
A perseguição ao presidente do país mais poderoso do mundo abre um precedente perigoso para que qualquer outra pessoa seja censurada, perseguida e presa
primeiro impeachment donald trump
Câmara dos Deputados norte-americana votando o primeiro impeachment de Trump | Foto: Reprodução
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Câmara dos Deputados norte-americana votando o primeiro impeachment de Trump | Foto: Reprodução

O mês de janeiro vem sendo marcado por uma série de ofensivas da Justiça norte-americana contra o seu atual presidente Donald Trump. A notícia mais recente é de um segundo pedido de impeachment contra ele. Caso seja aceito, Trump poderá ser condenado a até 10 anos de prisão, perder seus direitos políticos e ficar inelegível. Seria a primeira vez na história do país que um ex-presidente é condenado a prisão, mesmo considerando a infinidade de crimes cometida por todos os anteriores. Até Richard Nixon, que foi derrubado em meio a um escândalo de espionagem de seus opositores, bastante impulsionado pela imprensa, se livrou de ser preso. A perseguição a Trump é muito sintomática do momento grave de crise em que o imperialismo se encontra.

Todo o mandato de Donald Trump, desde o momento em que ele foi eleito, foi marcado por intensas crises políticas. A campanha feita pela imprensa capitalista contra ele já durante as eleições em que ele foi vitorioso, em 2016, deixou bastante claro que ele não era, de forma alguma, o candidato preferencial do setor fundamental da burguesia imperialista. No entanto, por ser apoiado por outros membros menos poderosos da mesma classe social e por conseguir apresentar uma suposta oposição a tudo o que vinha sendo feito pelos presidentes apoiados pelo imperialismo e associados com os setores mais parasitários da sociedade, como o mercado financeiro, Trump conseguiu se eleger. A crise que se deu naquele momento quase rachou o Partido Republicano, e a necessidade do imperialismo de impor seu candidato através do partido adversário também gerou um grande abalo nas estruturas políticas do Partido Democrata, que lançou a impopular Hillary Clinton como candidata, após dar um golpe na candidatura de Bernie Sanders, candidato da ala esquerda dos Democratas.

Durante todo o período em que Trump foi presidente, o imperialismo procurou mantê-lo sob rédeas curtas, de modo que ele não realizou nada de excepcional, no fim das contas. Em certos sentidos, o seu governo foi muito menos agressivo do que o de seu predecessor, Barack Obama. Apesar disso, se propagandeou muito que ele seria um verdadeiro genocida, facínora, inconsequente e uma série de outros adjetivos que não se justificam na prática. Apesar de apresentar um discurso fascista, suas ações não refletem necessariamente essa característica. Por exemplo, Trump foi o primeiro presidente norte-americano, em 100 anos, a não iniciar nenhuma guerra durante todo seu mandato. Na verdade, sua política estava muito mais voltada a procurar fortalecer o mercado interno e quebrar relações com uma série de organizações utilizadas pelo imperialismo para interferir nos países atrasados, exemplos disso são a sua saída da OMS, dos pactos climáticos, seu desfinanciamento da OTAN, todas ações que iam contra os interesses da burguesia imperialista.

Por conta dessa política problemática, Donald Trump foi extremamente perseguido pelo setor principal da burguesia imperialista durante o seu mandato, chegando a sofrer dois processos de impeachment. O que necessita ser compreendido é que essa perseguição ao atual presidente dos Estados Unidos feita pelo setor que a faz, não trará nenhum benefício para a esquerda ou para os movimentos sociais, muito pelo contrário. É preciso que todos os setores compreendam a política fundamental do imperialismo, que é se utilizar dessa perseguição a setores da extrema-direita para levar adiante um endurecimento do regime, estabelecendo legislações mais duras contra o que se chamou de “terorrismo doméstico” (leia-se: “manifestações contra o governo”) e também um aumento do controle do que é publicado nas redes sociais, ou seja, censura. Isso sem falar na fraude eleitoral que foi executada para eleger Joe Biden, um candidato com uma longa ficha corrida de ataques contra o povo, entre eles, a criação de leis que aumentaram o encarceramento em massa da população negra no país e o planejamento de golpes de estado durante a gestão Obama, em que foi vice-presidente.

Se o imperialismo está disposto a censurar, perseguir e, finalmente, jogar na prisão o presidente dos Estados Unidos, ele está disposto a fazê-lo com qualquer pessoa que se colocar em seu caminho, sejam quem for. Esse fato deve botar toda a esquerda em alerta, que não deve aplaudir medidas com a censura feita pelos monopólios das redes sociais contra Trump e seus seguidores. A esquerda revolucionária deve sempre defender a liberdade de expressão total e irrestrita de todas as pessoas, sejam elas quem forem. Lembrando que quem censurou Donald Trump foram setores do imperialismo muito piores e mais poderosos do que ele. Estes mesmos monopólios querem transformar a internet em um ambiente em que ninguém fala nada que vá contra a ideologia dos setores mais poderosos da burguesia. Essa censura e perseguição estão endurecendo um regime que já possuía uma série de características ditatoriais e que terá como vítima preferencial o povo e suas organizações de luta. Todos os setores comprometidos com a luta da classe trabalhadora e dos povos oprimidos devem se colocar contra a censura em qualquer situação.

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