O povo é vítima, não o culpado
Enquanto não fazem nada para combater a pandemia, governantes usam “lockdown” para impor uma verdadeira ditadura contra a população

Por: Redação do Diário Causa Operária

Izadora Dias

Izadora Dias

Coordenadora do coletivo de negros João Cândido, militante do Partido da Causa Operária. Apresenta de segunda a sexta, o Reunião de Pauta na Causa Operária TV, às 9h e o programa Tição no mesmo canal às quinta-feiras às 19h.

Nesta última semana o Brasil bateu o recorde de mortes em uma semana, foram 10 mil brasileiros vítimas da pandemia em 7 dias e os números não param de crescer. A maioria dos hospitais já chegam a 100% de lotação nas UTIs e especialistas preveem que ainda neste mês chegaremos a 3 mil mortes diárias. Diante de todo esse caos, quais são as medidas tomadas pelos governos para acabar com a pandemia? Além do retorno às aulas e reprimir a população?

Sobre a volta às aulas não me estenderei nesta coluna, o Partido da Causa Operária está numa intensa luta para impedir que milhões de professores, alunos e trabalhadores da educação sejam vítimas dessa política genocida.

Sobre a repressão é fundamental denunciar as medidas tomadas contra a população durante a imposição dos “lockdowns“.

No Rio de Janeiro a polícia pediu a prisão de 14 funkeiros e organizadores de eventos por estarem realizando bailes durante a pandemia. A alegação é de que estas pessoas estariam realizando o crime de infração de medida sanitária. Bem, se essas pessoas podem ser autuadas por estarem promovendo aglomerações, por que os responsáveis por aglomerarem milhões de pessoas nos transportes públicos não estão nesta lista?

Em São Paulo, milhões de trabalhadores utilizam o transporte público diariamente, obrigados a se aglomerar em trens e ônibus lotados. É um escárnio contra a população, que além de tudo é acusada da sua própria desgraça, imposta pelos golpistas. Tanto que a campanha contra a pandemia nos metrôs de Doria diz “Juntos contra o Coronavírus”, de fato, nos vagões dos trens as pessoas estão bem juntas mesmo.

O lockdown além de não ser uma solução para pandemia, pois além desta medida não há nenhuma política contra a disseminação do vírus, não há vacina para todos, não há leitos, nem hospitais de campanha, não há testes. Nos terminais urbanos, nem em sonho encontra-se um frasco de álcool para higienizar as mãos. A imposição do isolamento só tem servido para uma única coisa: reprimir a população mais pobre!

E é um absurdo que a esquerda defenda que temos que sentar no sofá e esperar a pandemia acabar, enquanto o povo morre e é culpado pela pandemia. É um absurdo que a esquerda defenda que os governos lotem as cadeias, verdadeiras aglomerações de seres humanos nas piores condições sanitárias possíveis como solução para o avanço de mortes pelo coronavírus.

E ainda é mais absurdo que a direções da esquerda não convoquem e apoiem manifestações contra essa política genocida, alegando que “manifestar agora seria colaborar com mais mortes”. Uma tentativa clara de mascarar que sua omitissão diante política genocida dos golpistas é que é uma colaboração com as mortes causadas por eles. Como visto no caso do Paraguai, manifestar é a única saída para a população conseguir medidas que coloquem fim à pandemia. É questão de vida ou morte, é preciso literalmente lutar contra aqueles que estão matando milhares e eles tem nome: Bolsonaro, Doria, Pazuello, Paulo Guedes, os militares e todos os golpistas.

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