Se a liberdade de Lula não é defendida, o que se defende, então?

Depois da eleição fraudulenta de Bolsonaro, existem setores da esquerda que pretendem se adaptar ao regime golpista, como se tivesse corrido tudo normalmente até aqui e que sequer existisse o golpe de Estado e a prisão de Lula.

É deixado de lado a questão do golpe e as questões secundárias ou decorrentes do golpe de Estado ganham mais importância que a luta contra o próprio regime golpista. É uma adaptação, como se estivéssemos em um regime democrático, com Bolsonaro eleito regularmente, e, agora, o que nos cabe são as reivindicações parciais, somente.

É por isso que durante o 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, ficou tão esquecido, pelas organizações, a luta contra o golpe de Estado. Embora os manifestantes, tal como se deu no Carnaval, se colocaram contra o presidente golpista Jair Bolsonaro.

A burguesia tem uma expectativa de controlar a situação com medidas econômicas que, na verdade, devem trazer ainda mais reação popular consigo. Mesmo assim a expectativa é essa mesma, que, aos poucos, as organizações da esquerda vão se adaptando ao regime golpista, ao ponto de não mais questioná-lo, mas somente suas medidas.

Fator fundamental para o golpe tal como ele está é a manutenção da prisão ilegal do ex-presidente Lula. Em cárcere justamente por que representa a luta contra o regime como um todo. Deixá-lo preso para sempre, que é o que sonham os golpistas, é outra expectativa da burguesia.

Diante desses fatos é que ganha importância a luta contra o golpe de Estado, especialmente, a luta pela liberdade de Lula. É reivindicação que deve ser levada em todas as manifestações, em todas oportunidades.