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Luta contra a direita
Se 2022 não der certo, a esquerda irá pedir que esperemos até 2026?
Esquerda continua na política suicida de colocar todas as forças nas eleições em 2022 e se recusa a organizar a luta para derrotar Bolsonaro imediatamente.
Jair-Bolsonaro
Luta contra a direita
Se 2022 não der certo, a esquerda irá pedir que esperemos até 2026?
Esquerda continua na política suicida de colocar todas as forças nas eleições em 2022 e se recusa a organizar a luta para derrotar Bolsonaro imediatamente.
Jair Bolsonaro. Imagem: Evaristo Sa/AFP.
Jair-Bolsonaro
Jair Bolsonaro. Imagem: Evaristo Sa/AFP.

Neste início de 2020, parte da esquerda ainda se recusa a enfrentar o governo Bolsonaro e caminha para a posição de “enfrentar” Bolsonaro nas urnas em 2022 de uma maneira cega sem discutir a situação política atual e seu desenvolvimento.

O governo Bolsonaro está cada vez mais em crise e neste um ano de governo até setores da burguesia nacional estão se colocando abertamente contra o governo, de onde sai as denúncias de corrupção, ligação com a milícia e atacam abertamente a operação golpista da Lava Jato, realizada pelo Ministério Público Federal do Paraná, como uma forma de tentar controlar e até derrubar Bolsonaro.

Em direção totalmente oposta se encontra a esquerda que elabora teses cada vez mais malucas, ‘como Bolsonaro está forte’, ‘grande parte da população apoia Bolsonaro’, ‘não estamos em uma situação pré-revolucionária’, e outras tantas teses que apenas justificam não fazer nada e esperar as eleições de 2022.

Grande parte da esquerda entra no discurso das eleições 2022 no escuro e sem nenhuma perspectiva de luta ou de evolução a esquerda da situação política nacional. Apostam todas as suas cartas em um cenário controlado pela direita golpista, de golpe que se aprofunda para uma ditadura aberta, de perseguição a lideranças da esquerda e de uma situação política internacional totalmente desfavorável para as democracias liberais com o avanço da extrema direita e de governos antidemocráticos.

O cenário para a esquerda nas eleições é totalmente aterrorizante. O principal candidato da esquerda, e que poderia ter ganho as eleições de 2018 se não houvesse a fraude eleitoral com a sua prisão e outras medidas que levaram a ‘vitória’ de Bolsonaro, o ex-presidente Lula, já cogitou não sair nas eleições pois estaria muito velho, mas que ajudaria na campanha eleitoral de um candidato da esquerda. Só essa notícia já seria suficiente para ter outra estratégia que não fosse as eleições para derrotar a direita, pois se Lula não for candidato o cenário eleitoral é ainda mais obscuro e incerto.

Fernando Haddad, que seria outro possível candidato da esquerda, perdeu eleições sucessivas, incluindo a reeleição a prefeitura de São Paulo e é um candidato pouco conhecido e muito parecido com elementos da direita odiada pelo povo, como figuras do PSDB.

Outro presidenciável seria  Flávio Dino (PCdoB), atual governador do Maranhão e que é um elemento muito direitista, onde já fez campanha para Aécio Neves em 2014, num momento em que a direita atacava duramente Dilma Roussef e o PT, defende aproximações e uma frente com elementos da direita golpista, como FHC e Rodrigo Maia (DEM), o que tem tudo para dar errado.

Se todas essas possibilidades, sem contar com a possibilidade de a situação política se agravar de tal maneira que não tenha eleições em 2022, a esquerda não vai levantar o fora Bolsonaro e vai aguardar as eleições de 2026 e, se não der certo, as eleições de 2030?

A política de Bolsonaro não representa os interesses da maioria da população, como a reforma trabalhista, a destruição da previdência, as privatizações de empresas fundamentais para o desenvolvimento no país, ataques aos direitos individuais da população, a destruição do SUS e não tem apoio da maioria esmagadora dos trabalhadores e da população pobre do país. Não é por acaso que para realizar essa política tem que se apoiar em medidas repressivas e nas instituições de repressão, como os militares e as forças policiais para conter o descontentamento da população.

Diante disso, nada mais democrático do que defender a derrubada do governo Bolsonaro imediatamente para defender a maioria dos interesses da população pobre e trabalhadora. Esperar uma eleição incerta para 2022 é um suicídio político e pode levar a um empobrecimento agudo da população, destruição da economia nacional e de ataques aos direitos fundamentais dos trabalhadores.

As eleições sob controle da direita está cada vez mais desfavorável para a esquerda, vide as eleições passadas e a perspectiva eleitoral em 2020 nas principais capitais do país. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte a possibilidade de a esquerda eleger alguém é quase nula.

A esquerda tem que entender que desde o golpe de Estado em 2016 que derrubou Dilma Roussef, a “fina camada” de democracia que existia no país foi jogada no lixo e vivemos em um golpe que estado que se torna progressivamente cada vez mais autoritário.

Os ataques estão sendo realizados agora e devemos reafirmar claramente de que é preciso derrotar Bolsonaro imediatamente e pedir nas ruas o que o povo já quer: o Fora Bolsonaro!

Não devemos esperar até 2022, nem muito menos fazer campanha eleitoral antecipada. Agora é hora de impulsionar a luta contra o governo, a mobilização dos trabalhadores contra Bolsonaro, até que o governo dos golpistas caia.