Capitalismo escravocrata
Mais 14 trabalhadores nordestinos escravizados foram resgatados em propriedade rural no estado de Santa Catarina.
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Operação Cebolinha em propriedade rural de Ituporanga, no Alto Vale do Itajaí, Santa Catarina. | Reprodução

No início desse mês mais 14 trabalhadores foram resgatados em situação análoga à escravidão, em uma plantação de cebola no município de Ituporanga, no Vale do Itajaí, Santa Catarina. O caso envolve ainda tráfico de pessoas e trabalho infantil.

O resgate ocorreu em ação batizada de Operação Cebolinha, que é coordenada pela Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo – Detrae, ligado ao Ministério da Economia, com o apoio da Polícia Federal, Defensoria Pública da União e Ministério Público do Trabalho. A operação teve início em julho deste ano, e já resgatou 23 trabalhadores nesta situação. Além disso, no dia 30 de julho 18 trabalhadores foram encontrados em situação semelhante à escravidão em outra propriedade rural de Ituporanga, em Santa Catarina.

De acordo com a Detrae, as circunstâncias do caso caracterizam também crime de tráfico de pessoas. Os trabalhadores foram levados de diferentes estados da região Nordeste do Brasil. O Esquema de tráfico de pessoas é liderado pelos fazendeiros que encomendam a motoristas e proprietários de ônibus a entrega de trabalhadores para plantio e colheita da cebola.

Os patrões pagam o transporte, mas cobram a quantia em forma de serviço quando os homens chegam ao município. De acordo com a Detrae, carros de som circulavam pelas ruas de municípios pobres do nordestino anunciando a proposta de emprego. A promessa era de uma oportunidade temporária de três meses com carteira assinada, alimentação, moradia e salário de R$ 100 a R$ 150 por dia.

Depois de quase uma semana de deslocamento e endividados pelos gastos da viagem para Santa Catarina, os trabalhadores eram informados que a carteira de trabalho não seria assinada e que os gastos com alimentação seriam igualmente descontados dos salários. Os mantimentos necessários também provinham de comércio do próprio empregador, de forma que o endividamento dos trabalhadores se seguia ao longo da prestação de serviços.

O Portal da Inspeção do Trabalho, do governo federal, registrou de 1995 até os dias de hoje, 936 trabalhadores encontrados em situação de escravidão em Santa Catarina.

Os casos de escravidão vêm se repetindo no estado de Santa Catarina, tido como um dos mais desenvolvidos do país, em termos sociais e econômicos. Essas denúncias recorrentes de escravidão escancaram o papel fundamental do trabalho escravo na acumulação de capital, e a contradição do capitalismo falido dos países atrasados.

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