Oriente Médio
Sauditas, a mando dos Estados Unidos, vão ao norte da Síria tentar controlar a situação de conflito entre aliados americanos.

Por: Redação do Diário Causa Operária

Militares sauditas, aliados dos Estados Unidos, chegaram a base americana na província síria de Al-Hasakah. Tem-se um óbvio movimento de peças para manutenção das ocupação ilegal das tropas imperialistas do território sírio.

A base está localizada no norte da Síria, em uma região a qual os curdos consideram fazer parte do Curdistão. Por isto, é alvo de uma grande contradição para os Estados Unidos.

Desde o início da guerra na Síria, os Estados Unidos formaram uma forte aliança militar com os curdos, sob o nome de Forças Democráticas Sírias, com a justificativa de combater o Estado Islâmico. O que se tem, na prática, é a formação de um exército auxiliar na região para atender os interesses imperialistas. Segundo o site especializado em assuntos militares, Bulgarian Military, os americanos, junto com tropas francesas, treinaram os curdos no uso de drones de combate.

Todavia, o tiro está a sair pela culatra para os Estados Unidos. Os curdos são inimigos dos turcos, também aliados dos Estados Unidos, e agem, também dentro do território turco.

O próprio nome “Forças Democráticas Sírias” foi sugerido pelos americanos, pois, o antigo nome Unidade de Proteção do Povo, ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão, é inimigo, há 40 anos, da Turquia. A mudança de nome, com a adição do termo “democráticas” teve o intuito de tornar mais palatável aos turcos ações militares conjunto às tropas curdas.

Em 30 de março, após o anúncio da retirada de tropas americanas da base de Al-Hasakah, os curdos chegaram a atacar pesadamente tropas turcas dentro da Síria. Ficou claro que a falta de coordenação presencial dos americanos fez os curdos seguirem seus próprios interesses, guerrear com a Turquia.

O que tem-se é que, vendo a escalada da tensão entre curdos e turcos, os Estados Unidos se retiraram para manter boas relações com a Turquia. Ainda mais que, dentro da Turquia, há uma base americana, com cerca de 2500 soldados e, segundo informações não-oficiais, cerca de 20 mísseis nucleares. Isto força que os americanos mantenham a Turquia como seus aliados e, portanto, “abandonaram” os curdos.

Segundo informações, os curdos, temendo tanto os turcos quanto o próprio Estado Islâmico, vêm se aproximando dos russos, o que causou um deconforto ainda maior dos turcos.

O site Heise.de afirma que é colocado em discussão que, após a expulsão de tropas estrangeiras da Síria, os integrantes das Forças Democráticas Sírias seriam incorporados ao exército sírio.

Para tentar resolver o problema e manter seus interesses na Síria, os Estados Unidos destacaram os sauditas para a região.

A situação na Síria é um verdadeiro barril de pólvora. A Síria tem, como aliado, o poderoso exército russo. Juntos, russos e sírios dizimaram o Estado Islâmico. Entretanto, a derrota do EI não fez com que Turquia e Estados Unidos retirassem suas garras da Síria. Isto causou combates entre turcos, sírios (e russos) e curdos.

O que desequilibra a situação na região é exatamente a presença ilegal americana. Ela acaba tensionando, ainda mais as relações na região, principalmente por alongar os conflitos, tornando impossível qualquer cessar fogo e posterior reconstrução da região devastada.

Os conflitos no oriente médio são, historicamente, fruto do imperialismo norteamericano, inglês e francês na região. Principalmente após a queda do Império Turco-Otomano, que fragmentou seu território em diversos estados e incentivou, por meio da ação imperialista, rivalidades seculares entre os diferentes povos.

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