São Paulo não é de direita, isso é uma mentira para justificar a fraude

Após o balanço das eleições, a imprensa burguesa vem tentando disseminar a ideia de que o Estado de São Paulo é de direita e que seus eleitores têm uma certa adoração aos governos espoliadores do povo. Diante desse propósito, vale aqui, expor as verdadeiras contradições acerca dos resultados eleitorais, da subsequente ramificação da direita no aparato eleitoral e na superestrutura do Estado.

Na década de 1970, São Paulo foi o palco do movimento sindical operário que surgira de intensas lutas no seio da luta de classes, culminando no chamado Novo Sindicalismo; – tentativa essa de pôr a cabo o sindicalismo amarelo da Era Vargas, e, buscando desta forma, romper com a burocracia do Estado e elevar a luta de classes sob uma perspectiva independente.

Nos anos subsequentes, os resultados da intensificação da luta de classes tiveram como fruto a criação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), em 1983, e a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), em 1986.

Em 1978, foi deflagrada em São Bernardo do Campo – SP a primeira greve deste período, quando 100 operários de uma fábrica de ônibus e caminhões, cruzaram os braços em frente às máquinas. Uma semana depois, todos os 1800 operários da Saab-Scania já haviam aderido à greve, além de outros operários de 23 outras empresas.

No decurso das mobilizações impulsionadas pela classe operária, o governo militar foi dando sinais de enfraquecimento, e – mostrando-se incapaz de conter o avanço da mobilização popular; caído em 1985. Neste ínterim, justamente no ABC paulista, surge a figura mais popular do movimento sindical brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, o líder mais carismático da esquerda brasileira, – que por consequência de seu próprio poder de mobilização –, está encarcerado em Curitiba; tudo para garantir os abjetos planos da direita que desde sempre apoiou a ditadura militar, aliando-se ao imperialismo no intuito de colocar em marcha todos os projetos de entrega das riquezas da nação em troca de migalhas perante suas pretéritas condições de vassalagem.

Por consequência dos resultados eleitorais, a direita vem afirmando copiosamente que São Paulo tem um caráter direitista, justamente para encobrir toda a panaceia articulada nos bastidores da corrida pela posse do trono burguês, a fraude.

Além do conluio com os principais meios de comunicação – que não escondem o seu espúrio proselitismo, e com os grandes capitalistas – que transferem enormes somas de capital para os partidos direitistas, a intelligentsia burguesa goza de pleno apoio do Estado (TSE, STF, TRE) – onde através de chicanas jurídicas, impedem os setores mais combatentes de denunciarem as eleições mais fraudulentas da história.

O plano engendrado pelos golpistas, visa apenas, a superexploração da força de trabalho e a imposição da carestia aos mais oprimidos. Não obstante, mesmo com a gigantesca máquina burocrática na mão, a burguesia tem tido muita dificuldade em consolidar seus representantes, como é o caso de Geraldo Alckmin (PSDB), que em São Paulo atingiu míseros 9,53%, perdendo mesmo para Fernando Haddad (PT), que angariou 16,39% dos votos.

Considerando a projeção do plano golpista e a intensificação da propaganda anti-petista, o saldo para os algozes tucanos não têm sido nada positivo. Segundo pesquisa realizada pelo Datafolha (6/10), quase metade do eleitorado do tucano diz que apoiará Haddad no 2º turno contra o filisteu Jair Bolsonaro (PSL).

Devido ao fato do eleitorado de São Paulo ser muito grande, a tentativa de dissimular a realidade – que consiste na fraude eleitoral –, representa para a direita uma possibilidade de recrudescer a política à direita, uma vez que o centro financeiro do país pode desequilibrar as eleições.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), frente ao total de 147.302.354 eleitores brasileiros, o Estado de São Paulo se configura como o maior colégio eleitoral do país, concentrando cerca de 33.040.411 de eleitores, ou seja, 22,4% do total nacional, sendo a maior parte formada por mulheres. Liderando a concentração de eleitores, destaca-se a capital, responsável por mais de 9 milhões de eleitores; em seguida vem Campinas, com quase 850 mil.

Com a criação do mito de que São Paulo seria “de direita”, esconde-se o verdadeiro caráter do movimento político – encabeçado pelos golpistas. Uma vez que a base material de sustentação do golpe demonstra sua clara debilidade e profunda contradição, sua expressão ideológica repete as mesmas condições.

Nesse sentido, a mobilização popular, denunciando toda a fraude eleitoral, consiste – para a classe trabalhadora –, na ferramenta mais imprescindível para a derrubada do golpe. Enquanto os golpistas se esmeram em aprofundar os ataques ao povo – colocando em primeiro plano as exigências do capital internacional, a classe trabalhadora tem sido covardemente acossada pelas instituições burguesas e pelo aparato repressivo do Estado. Sendo assim, resta a classe trabalhadora a utilização da arma mais eficiente contra a burguesia, a organização.