Tebas
No próximo dia 20 de novembro, será entregue uma estátua de Joaquim Pinto de Oliveira, um ex-escravo conhecido pelo apelido de Tebas, na praça Clóvis Bevilácqua.
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Fachada da Igreja da Ordem Terceira do Carmo, possui arcos e ornamentos na fachada | Foto: Rivaldo Gomes/Folhapress

No próximo dia 20 de novembro, será inaugurada uma estátua de Joaquim Pinto de Oliveira, um ex-escravo conhecido pelo apelido de Tebas, na praça Clóvis Bevilácqua, entre as igrejas da Sé e do Carmo, em São Paulo.

A estátua será executada em aço inox, ferro e concreto, o local de instalação foi escolhido por esta entre duas das principais obras que receberam intervenções de Tebas.

Olhando alguns cartões postais da cidade de São Paulo como a torre da antiga igreja matriz da Sé, a ornamentação das fachadas das igrejas do mosteiro de São Bento, da Ordem 3ª do Seráfico São Francisco e do mosteiro do Carmo, um ponto em comum que poucas pessoas sabem é que essas obras são de autoria de Tebas. A alcunha de Tebas a  Joaquim Pinto de Oliveira veio pelo significado do termo “pessoa de grande habilidade” em quimbundo que é um idioma de Angola.

Tebas era “propriedade” do português Bento de Oliveira Lima, que era mestre de obras, o trabalho de Tebas logo tomou destaque, sendo disputado na construção de templos e fachadas, executando dezenas ao longo do século XVIII. Foi trabalho de Tebas a construção da primeira fonte da cidade de São Paulo, o Chafariz da Misericórdia entre os anos de 1766 e 1798. A fonte servia como ponto de encontro entre diversos escravos que iam em busca de água. Atualmente a fonte não existe mais. Ficava localizada no entroncamento das ruas Quintino Bocaiúva, Direita e Álvares Penteado.

O trabalho de Tebas era reconhecido pelo seu refino, precisão e competência, tendo assinado grandes obras do Brasil Colonial. Para o jornalista Abílio Ferreira, organizador de um livro sobre o escravo Tebas: “Os africanos trazidos para as Américas trouxeram muitos conhecimentos, principalmente sobre o trabalho com pedras e metais”.

No ano de 1779, aos seus 58 anos Tebas conseguiu comprar sua alforria com os rendimentos de seu trabalho e talento. Liberto seguiu sua vida trabalhando até o ano de 1811, quando faleceu com 90 anos, vítima de uma gangrena na perna, oriunda de um acidente de trabalho.

O trabalho de Tebas foi de imensa contribuição para o engrandecimento da população, a partir dos documentos oficiais reunidos no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2018 o Sindicato dos Arquitetos do Estado de São Paulo reconheceu Tebas como arquiteto. Em 1974, “Tebas, o Príncipe Negro.” foi o tema do samba enredo de Geraldo Filme em suas palavras “Quando alguém é muito bom em algo, é chamado de Pelé. Antes de Pelé, era chamado de Tebas”. 

É marcante no ano com varias mobilizações do povo negro, muitos após o assassinato George Floyd pela policia norte americana, com diversos enfrentamentos em torno da questão racial um negro ex-escravo será homenageado com um monumento.

No Brasil onde 80% das pessoas mortas pela polícia são negras o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2020, onde a maioria da população oprimida é negra, uma estátua não vai alterar o cenário social, mas vai prestar uma homenagem, mais que justa.

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