Política da enganação
Em São Luís a esquerda imita a direita na caça aos votos e reforça a tese de que “todos são iguais”
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Campanha do PCdoB omite símbolo comunista e até o nome do partido | Foto: Reprodução

Ao final de um dia “normal” de trabalho em São Luís, capital do Maranhão, os trabalhadores iniciam a volta à casa, as avenidas principais engarrafam, pessoas se acotovelam em ônibus lotados, outros se arriscam em motos e bicicletas em vias mal planejadas e em meio a um caos urbano. Enquanto isso milhares de jovens uniformizados, via de regra remunerados, agitam bandeiras coloridas de verde, amarelo, azul e branco, onde se destaca um rosto sorridente, um número e uma frase motivadora como “a hora da mudança”, “com a força do povo” ou algo parecido.

Este roteiro se repete a décadas sem nenhuma alteração, ou melhor, quase nenhuma alteração. Vejamos então esta questão mais amiúde. Não faz muito tempo, tínhamos um comportamento ligeiramente distinto nas candidaturas de esquerda, nestas predominava o vermelho, um ar de denúncia contra a exploração de classe e era visível diferença de poder econômico em comparação aos partidos burgueses. Além disso, distinguia-se por uma militância engajada e atuante. Esta era a realidade em campanhas de partidos de esquerda como o PT, PCdoB ou de partidos menores.

A triste novidade que vemos ganhar força em 2020 é profunda despolitização das eleições, em grande medida pela tentativa desesperada da esquerda em se adaptar ao regime político, numa visível busca por ganhos pessoais. Vejamos algumas candidaturas que tem ou tiveram alguma relação com a esquerda nas eleições 2020 na capital maranhense.

Duarte Júnior candidato pelo Republicanos não pode ser confundido com uma candidatura de esquerda, porém o candidato saiu do PCdoB em fevereiro deste ano para disputar as eleições pelo Republicano. A coligação inclui o suprassumo das legendas burguesas, a saber, Partido Liberal (PL), Avante, Patriota e o Partido Trabalhista Cristão (PTC).

O candidato do ultradireitista Democratas, Neto Evangelista, compõe uma coligação que inclui partidos que num passado recente já se reivindicaram como esquerda, Partido Democrático Trabalhista (PDT) do “esquerdista” Ciro Gomes que abandonou o Brasil para que Bolsonaro fosse eleito, Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Social Liberal (PSL) e Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Bira do Pindaré, ex-PT, concorre pelo PSB em chapa única. Bira tem uma longa história de militância na esquerda e sua candidatura se reivindica como a única antibolsonarista, no entanto, seu partido tem comportamento errático em vários estados, onde participa de coligações com partidos de direita. Além disso, o PSB foi atuante a favor ao golpe de Estado de 2016.

O PSOL, após tentativa fracassada de uma frente com PCdoB, PT e PCB, vai disputar as eleições em São Luís com uma chapa pura formada por Franklin Douglas e José Ribamar Arouche. A campanha do PSOL tem como tema principal a educação, também promete geração de empregos e melhorias da mobilidade urbana, faz críticas ao governo Bolsonaro, e pede ao eleitor que compare as propostas.

Rubens Júnior é o candidato da situação pelo PCdoB de Flávio Dino. A chapa tem Honorato Fernandes do PT como candidato a vice-prefeito. A coligação inclui ainda o Partido Progressista (PP) do deputado golpista André Fufuca, partido da Cidadania, da igualmente golpista Eliziane Gama, o Democracia Cristã do caricato Eymael e o Partido da Mulher Brasileira, que faz questão de destacar o fato de ser feminino e não feminista, além de ser contra o aborto.

Como vimos as duas primeiras candidaturas, Republicano e Democrata, são abertamente de direita, apesar dos candidatos terem passagem por partidos de esquerda, o que demonstra a ineficácia e o caráter oportunista da estratégia eleitoral da esquerda pequeno-burguesa em filiar elementos oportunistas em busca de cargos. Já as candidaturas do PSB, PSOL e PCdoB são candidaturas pouco ou nada ideologizadas, aderentes ao rito eleitoral tradicional de promessas e propostas.

Devemos destacar especialmente o oportunismo do PCdoB que, para além da coligação com a direita e com golpistas, busca desesperadamente se descolar da “pecha” de comunista, adotando a alcunha de “Movimento 65” em adesivos automotivos, incluindo as cores amarelo, verde, branco ou azul em meio a um tímido vermelho em panfletos, cartazes e bandeiras, e o pior de tudo, adota um discurso despolitizado que se confunde com o de seus adversários de direita. Esta abordagem é uma falsificação desleal, uma vez que, ou busca enganar o eleitor anticomunista se pintando de burguês ou pior, trai sua militância fugindo de suas origens, as duas coisa obviamente não podem coexistir.

A busca desta esquerda por integrar o regime político, de se adaptar aos limites ideológicos impostos pela burguesia é contrária aos interesses dos trabalhadores e só pode ser entendida como uma busca por realizações pessoais e em nada podem ser confundidas com a prática marxista.

A política marxista não engana o povo em busca de votos, ao contrário, busca esclarecer as massas e construir uma consciência de classe que permita a organização do povo para construir um movimento revolucionário, esta sim, a única forma de transformar o mundo em favor da classe operária.

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