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Ao longo dessa semana, parlamentares e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) vêm se reunindo com membros da Comissão de Observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), como seu subchefe, Inacio Alvarez, e sua presidente, a ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla. A intenção é denunciar o “abuso do poder econômico” na campanha de Bolsonaro, e a indulgência da Justiça brasileira quanto a isso. Não deixa de ser surpreendente a ilusão que o maior partido de esquerda da América Latina deposita nas instituições a serviço do imperialismo norte-americano.

Criada em 1948 como um “braço da Organização das Nações Unidas (ONU)”, a OEA sempre serviu como órgão auxiliar da política colonialista dos Estados Unidos no continente americano. Trata-se aqui de garantir desde o pós-guerra a prevalência da Doutrina Monroe, da “América para os [norte] americanos”. A OEA foi um dos palcos de manobras de diplomatas como Lincoln Gordon – embaixador dos Estados Unidos no Brasil, responsável pela articulação do golpe de 1964 – de modo a legitimar “democraticamente” os sucessivos regimes militares que se instauravam no continente sob o chicote do imperialismo. A Organização apoiou o golpe de Estado na Guatemala em 1954 e expulsou Cuba de suas fileiras em 1962.

Seu secretário-geral, Luis Almagro, chegou a colocar em questão a lisura do processo de impeachment que deporia Dilma Rousseff em 2016 – e talvez nesse posicionamento resida a insistência do PT em recorrer à OEA hoje. No panorama geral porém a Organização tem se alinhado ao bloco imperialista. O próprio Almagro liderou uma campanha sistemática da OEA contra o regime de esquerda de Nicolás Maduro na Venezuela, deslegitimando seu processo eleitoral e somando-se à campanha internacional de boicote e isolamento do país – na contramão de diversos outros observadores e grupos internacionais.

Como diz o adágio popular, “o pior cego é aquele que não quer ver”. Parece ser o caso tanto dos representantes da OEA quanto dos dirigentes e parlamentares do PT.

O principal líder popular brasileiro e o candidato inconteste à Presidência, Luís Inácio Lula da Silva, foi preso, isolado numa masmorra em Curitiba, e impedido de concorrer nas eleições. Os comitês eleitorais de esquerda foram invadidos pela polícia em todo o país, tendo material de campanha apreendidos. Militares estão instalados no Palácio do Planalto e no Supremo Tribunal Federal – completamente acuado pelas Forças Armadas. Diversos representantes da extrema direita – Janaína Paschoal, Major Olímpio, Romeu Zema, Wilton Witzel etc. – saltaram milagrosamente de posições secundárias para a liderança no primeiro turno da votação. Acumulam-se casos de agressão de militantes fascistas a ativistas de esquerda. Os indícios de fraude são gritantes, mas a missão da OEA esteve presente no Brasil no segundo turno apenas para reafirmar o discurso golpista de que “as instituições estão funcionando normalmente”. No segundo turno, nada parece indicar que “baterão fora do tambor”.

Estão cegos.

Já as lideranças do PT e da esquerda em geral insistiram e insistem em submeter a mobilização popular ao processo eleitoral conduzido pelos golpistas, transformando-a numa bovina campanha de opinião, incapaz de mudar a relação de forças reais em jogo. Insistem em recorrer em processos judiciais contra Bolsonaro – hoje o candidato preferencial do golpe –, insistem em fazer discursos vazios em shows musicais, insistem em transformar a luta de classes em uma mera campanha publicitária, insistem em manter-se indefesos diante da agressão fascista – clamando por mais amor.

Essas lideranças também estão cegas.

Encaminham-se às urnas no próximo domingo como quem se dirige a um precipício, à espera de que o apoio do próprio imperialismo golpista salve a população do país em nome da “democracia”. Os direitos democráticos não são e nunca foram favores concedidos pela burguesia à classe trabalhadora: sempre foram conquistados à custa de muita luta. É aos trabalhadores que as direções de esquerda devem voltar-se para derrotar o golpe, e não a prepostos do imperialismo.

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