Intensificar a mobilização
Segundo a imprensa burguesa, direções da esquerda nacional estariam pensando em abandonar a palavra de ordem de “Fora Bolsonaro”
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Ato Fora Bolsonaro | Foto: Diário Causa Operária
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Ato Fora Bolsonaro | Foto: Diário Causa Operária

Em matéria de sua edição do último domingo (14), o jornal golpista Folha de S.Paulo afirmou que representantes da Frente Povo sem Medo e da Frente Brasil Popular teriam se reunido para fazer uma “avaliação” das eleições no Congresso. Segundo o artigo, os dirigentes teriam chegado à conclusão de que o impeachment de Bolsonaro é “pouco provável” e que as reformas “devem ganhar tração”. Por isso, Por isso, pretendem “mudar o foco das mobilizações, centrando fogo na reforma administrativa e nas privatizações, que entraram na pauta de prioridades do novo comando do Congresso”.

Até o momento, nem a Frente Povo sem Medo, nem a Frente Brasil Popular se pronunciaram sobre o assunto. De qualquer maneira, se de fato tal reunião ocorreu, ela é o resultado das articulações de uma ala dessas frentes, ligada aos parlamentares. Não houve uma assembleia ou qualquer tentativa real de discutir o problema de maneira aberta com as organizações que compõem as frentes.

A suposta “avaliação” feita na reunião expressa a política geral da esquerda pequeno-burguesa diante da situação política. Caracterizar o impeachment como pouco provável, na verdade, é apenas uma demonstração das ilusões que esse setor da esquerda tinha — e ainda tem — no parlamento. O Congresso está tomado por golpistas, que não estão minimamente dispostos a derrubar Bolsonaro. No entanto, no último período, setores da esquerda, impulsionados pelos parlamentares, que estão em busca de um acordo com o regime, pregaram aos quatro ventos que haveria uma direita “democrática” que seria aliada na luta contra o bolsonarismo. Vieram as eleições no Congresso e tudo caiu, mais uma vez, por terra.

A única conclusão possível de ser tirada diante dos acontecimentos é que só é possível lutar contra o governo Bolsonaro se a esquerda e as organizações do movimento operário tiverem total independência da burguesia. ficar a reboque da direita não só é extremamente ineficiente, como acaba confundindo a população, apresentando seus inimigos como grandes defensores do povo.

Abandonar a luta pelo fim do governo simplesmente porque agora os parlamentares teriam se dado conta de que a direita está apoiando Bolsonaro é, por outro lado, um sinal de completa dependência da direita. Isto é, de que a esquerda só é capaz de levar adiante uma campanha se tiver o sinal verde da Rede Globo.

É preciso romper com essa política. Em vez de ficar a reboque da direita golpista, que está levando o País para uma ditadura, a esquerda deve intensificar a mobilização e sair às ruas com o seu próprio programa e seus métodos de luta. É preciso retomar as grandes mobilizações, abandonar as “carreatas” e “panelaços” e fazer uma grande agitação em torno do Fora Bolsonaro e da anulação dos processos contra o ex-presidente Lula.

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