Não basta subsídio
A Ford quer faturar por menor custo, que condições de exploração ainda maiores sobre os trabalhadores, ou seja a mão de obra escrava
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Luiz Carlos Moraes presidente da Anfavea | Reprodução
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Luiz Carlos Moraes presidente da Anfavea | Reprodução

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Carlos Moraes, declarou que o motivo da decisão da Ford de encerrar a produção de veículos no Brasil, não é a busca por mais incentivos fiscais, mas pela cobrança que o governo melhore a competitividade do Brasil.

A declaração, procura rebater o comentário do ilegítimo presidente Bolsonaro, na última quarta (13), que acusou a empresa de não dizer a “verdade” sobre o motivo da saída, que seria a Ford querer mais subsídios do governo para continuar no país. No entanto, sabe-se que a Ford quer, como todo capitalista, a redução dos custos, sobretudo com os custos trabalhistas! Ela deixa o Brasil, após ter recebido por anos, muito subsídio do governo, na casa dos bilhões de reais, ter se beneficiado com a reforma trabalhista e lucrado muito.

A afirmação de Moraes é de que:

“Todas as propostas trazidas pela Anfavea, pelos executivos de montadoras foram propostas concretas buscando a redução do Custo Brasil, …nós não queremos incentivos, nós queremos competitividade, e que a saída da Ford do País.”

Ela corrobora o que a entidade vem alertando há mais de um ano sobre a ociosidade local, global e a falta de medidas que reduzam o “Custo Brasil”, o que pode ser traduzida como: a Ford quer faturar por menor custo, quer condições de exploração ainda maiores sobre os trabalhadores, mais do que a MP 936 de Bolsonaro, que permitiu o rebaixamento salarial e as demissões, entre tantas outras. Ou seja, a  Ford quer mão de obra escrava.

Vale lembrar que realmente a empresa recebeu muito incentivo, mas queira mais. Segundo dados do Ministério da Economia, os subsídios da União ao setor automotivo saltaram de R$ 1,8 bilhão, em 2003, para R$ 6,7 bilhões, em 2019. Isso significa, em valores atualizados pela inflação, uma alta de 272,2%. Ademais, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) afirmou nesta terça (12) possuir dois contratos de financiamentos diretos com a Ford, que totalizam R$335 milhões de reais.

De acordo com o banco, os serviços foram contratados em 2014 e 2017, dispõem de cláusulas padrão que visam a manutenção do emprego durante a implementação dos projetos, que já ocorreram. O fechamento das fábricas certamente impactará os financiamentos diretos que ainda estão em curso. Além disso, o BNDES afirmou que estão em vigor 30 contratos de financiamento indiretos com a Ford, com o valor total de R$ 54,2 milhões. “Esses contratos são realizados por meio de parceiros, agentes financeiros previamente credenciados que são responsáveis pela análise cadastral e de crédito dos clientes, assumindo o risco das operações financeiras perante o BNDES”, disse, por meio de nota.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também aproveitou a deixa, para cobrar as medidas para redução do Custo Brasil, como a reforma tributária, alegando prioridade para aumentar a competitividade do setor industrial brasileiro. Quando de fato, o que essas empresas representam, enquanto expressão dos grandes monopólios, é o interesse do imperialismo, que não permite o desenvolvimento das indústrias nacionais, como quer que o País pague para elas explorarem os trabalhadores.

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