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Imperialismo

Saída da Ford: de quem é a culpa, do governo ou dos monopólios?

Os monopólios querem a entrega total da economia brasileira ao imperialismo e quem paga é o povo

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Trabalhadores da Ford protestam contra o fechamento da fábrica em São Bernardo do Campo – Foto: Reprodução

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No dia 11 de janeiro a montadora Ford anunciou que irá fechar suas fábricas no Brasil. A medida, além de deixar a produção de seus carros na América do Sul centralizada na Argentina e no Uruguai, causa o desemprego de milhares de trabalhadores, diretos e indiretos, ligados às fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE). A medida gerou protestos dos trabalhadores em frente a fábrica de Camaçari.

Enquanto a empresa afirma que a saída faz parte de uma “reestruturação da América do Sul” que visa “a criação de um negócio saudável e sustentável”, a esquerda, de maneira confusa, joga a responsabilidade no colo de Bolsonaro: a saída da Ford do Brasil seria culpa única e exclusivamente do governo — em alguns casos, única e exclusivamente do presidente. 

Logicamente que a política econômica do governo Bolsonaro, chefiado pelo ministro da economia, Paulo Guedes, agravou a situação de desemprego, intensificando a miséria, a fome e todas as outras desgraças que atingem a população brasileira. A burguesia, entretanto, queria mais. Mais reformas, como afirmou a Globo, mais “segurança jurídica para o capital privado”, como afirmou o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM), ou, num casadinho, a “necessidade de rápida implementação das medidas de melhoria do ambiente de negócios e de avançar nas reformas estruturais”, como afirmou o Ministério da Economia em resposta a saída da Ford.

Apesar de tudo isso, é importante ressaltar que Bolsonaro nunca foi um representante puro-sangue da ala neoliberal, nunca foi um político poderoso, participava do setor conhecido como “o baixo clero do Congresso”, se beneficiou do golpe de Estado e, ao assumir o governo, a crise capitalista foi acentuada pela pandemia. A crise que envolve o Brasil e o mundo vem desde a crise internacional de 2008, é um de seus frutos e, em diversos aspectos, já se mostra muito pior, fato mascarado pela burguesia, que joga a culpa na pandemia e, no caso do Brasil, em Bolsonaro.

A crise de 2008 fez com que o capitalismo, que já estava rolando ladeira abaixo, entrasse completamente em queda livre. Quebra de empresas, perda de lucros por parte dessas e, como não poderia faltar, esmagamento e repressão do povo. A crise resultou numa nova onda de golpes de Estado na América Latina, organizados pelo imperialismo com o objetivo de assaltar a economia desses países e salvar os monopólios e os lucros capitalistas.

Um exemplo claro e que pode ser visto no dia a dia é o próprio Brasil: o golpe de 2016 contra a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) inaugurou oficialmente um novo período intenso de reformas neoliberais, sucateamento dos serviços públicos, privatizações e esmagamento da população e deveria ter sido consolidado com a eleição de um representante nato da burguesia nas eleições fraudadas de 2018. Entretanto, por falta de condições de realização dessa política, Bolsonaro teve que assumir esse papel para a entrega da economia nacional ao imperialismo.

Apesar da força de vontade, Bolsonaro se revelou incapaz de executar os deveres a ele passados justamente por conta da sua falta de ligação com os capitalistas internacionais — pelo contrário, parte de seu apoio vem de médios capitalistas nacionais que, por suas características, acabam entrando em contradição com os próprios monopólios.

Na tentativa justamente de pressionar Bolsonaro, a burguesia internacional demonstra inúmeros sinais de insatisfação com o governo — não por quebrar o País, matar o povo de fome, retirar o direito e os empregos dos trabalhadores, acabar com o auxílio emergencial, não disponibilizar testes para o coronavírus, nada disso, mas sim pela incompetência do presidente que não consegue cumprir com a totalidade do trabalho que lhe foi encarregado a partir das eleições fraudadas de 2018. 

Não bastasse o sucateamento e a privatização de empresas nacionais, a retirada de empresas do Brasil, por mais que aos poucos, tem tomado uma proporção cada vez maior. É importante lembrar que, em 2019, uma importante fábrica da Ford já havia sido fechada em São Bernardo do Campo (SP). No mesmo caminho, a Volkswagen também anunciou recentemente um Plano de Demissão Voluntária (PDV) em Taubaté (SP), a General Mills, empresa detentora da Yoki, vai encerrar sua produção em Nova Prata (RS), o Banco do Brasil está à beira da privatização, entre outros casos.

Outro exemplo honorável foi a nota lançada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), na qual “avalia que a decisão da Ford é um sinal de alerta para os governos federal, de estados e municípios, além do Congresso Nacional, sobre a necessidade se aprovar, com urgência, medidas para a redução do Custo Brasil. Entre elas, a reforma tributária se apresenta como a prioritária para a redução do principal entrave à competitividade do setor industrial brasileiro.”. O PSDB  também já havia se manifestado pelo Twitter ao falar que “Durante o primeiro mandato de FHC, 80 empresas foram privatizadas em setores como a telefonia e a siderurgia. Já estamos quase na metade do mandato e até agora Paulo Guedes só vendeu ilusão.”. Em resumo, o que os monopólios querem é a entrega total da economia brasileira ao imperialismo e pegar de assalto todas as suas estatais e quem paga é o povo.

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