46ª Universidade de Férias
O mais tradicional programa de formação política discutirá, entre outros temas, as manobras de caráter contra-revolucionário produzidas pela burocracia do regime stalinista
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Operários da Renault na greve de 1936. Revolução socialista na França foi manobrada pelo stalinismo | Foto: Reprodução

O ano é 1936, mês de junho. Após um período na defensiva por levantes fascistas que causaram uma turbulência na França, a classe operária francesa levantou-se, em uma greve geral que mobilizou mais de 1,83 milhão de trabalhadores.

Mais de 12 mil greves espalham-se pelo país, das quais 75% culminam nas fábricas ocupadas pelos operários. Na esteira do movimento grevista, a CGT (Confederação Geral do Trabalho, central sindical francesa), saiu de 800 mil trabalhadores filiados em março de 1936 para 4 milhões em poucos meses. A situação acima foi analisada por Trótski, que a descreveu como princípio de uma revolução. Porém, no meio do caminho, havia um Stálin.

A experiência histórica introduzida acima é parte das lições a serem analisadas pela 46ª edição da Universidade de Férias, o mais tradicional programa de formação política na esquerda brasileira e que terá, neste ano de 2020, o tema do stalinismo como objeto de estudo.

O curso contará com 16 exposições espaçadas ao longo de dois meses, em mais de 40 horas de estudos e debates sobre as características políticas deste fenômeno histórico que foi o stalinismo.

Resultado de uma guinada à direita da Revolução Russa de 1917, o stalinismo foi responsável por uma impressionante coleção de derrotas do proletariado mundial, das quais duas muito marcantes ocorreram em um dos países centrais do imperialismo: a França.

 

Frente Popular

 

A situação da França, apontava para uma revolução com forte propensão a abalar de maneira muito profunda o capitalismo. É preciso lembrar que em 1936, o capitalismo ainda tentava recuperar-se do choque produzido pelo Crash de 1929.

Reagindo a uma série de ataques e absorvendo a experiência da vizinha Alemanha -que poucos anos antes caíra nas garras do fascismo alemão-, os trabalhadores franceses iniciaram uma mobilização violenta contra a opressão da burguesia. Incapaz de controlar a situação, os capitalistas franceses viram-se obrigados a ceder em todas as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores.

Desta luta aparecem conquistas como férias remuneradas, a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, ganhos salariais reais, além de maior autonomia de organização sindical e o estabelecimento das convenções coletivas.

Com os capitalistas completamente de joelhos diante dos trabalhadores, eis que surge o governo da Frente Popular, uma coalizão de partidos de esquerda centrista que ganharam nas eleições de maio uma votação expressiva a ponto de formarem o novo governo, e o PCF (Partido Comunista Francês), cuja atuação capituladora foi central para a contenção do movimento de características revolucionárias.

Alegando que “tudo não é possível”, o PFC -naturalmente orientado pelo stalinismo, em aliança com a burguesia francesa- orienta o fim da mobilização operária, com o secretário-geral do partido, Maurice Thorez, difundindo entre os operários que “é preciso saber terminar uma greve”.

Durante o governo da Frente Popular ( junho 1936 a junho 1937) e nos governos posteriores, uma parcela importante das conquistas obtidas pela greve de 1936, sobretudo no terreno econômico, acabariam sendo retiradas.

A burguesia implementa uma política de recessão econômica, levando o governo burguês a jogar o peso da crise sobre os ombros dos trabalhadores. Com a ocupação nazista, a situação de exploração levaria a um retrocesso ainda maior, porém desta vez, os patrões atacariam a classe operária com os trabalhadores já desorganizados.

 

O Pós-Guerra 

 

Muitas conquistas dos operários franceses, obtidas após junho de 1936, acabariam retomadas em outro momento no qual a traição de Stálin seria marcante. Trata-se do levante operário após o fim da ocupação nazista da França.

Com a expulsão do regime nazista, ainda sob as marcas da experiência infernal a que tinham sido submetidos durante o período da ocupação e, mais importante talvez, armados, os trabalhadores franceses fariam nova menção de tomar o poder definitivamente em seu país. Componentes objetivos não faltavam, nem à França e nem a país algum da Europa.

Com a burguesia profundamente debilitada, desgastada pela guerra e com seus respectivos países destruídos no aspecto econômico e social, a radicalização dos trabalhadores era ainda maior no pós-guerra. Além disso, os operários contavam ainda com meios materiais mais favoráveis, dado o amplo acesso as armas, organização e experiência militar adquirida pela guerra.

Com o prestígio recém adquirido, fruto da derrota do nazismo na frente leste da Segunda Grande Guerra, o stalinismo pôs-se a serviço dos capitalistas mais uma vez. As manobras articuladas pela burocracia soviética levaram ao arrefecimento do ânimo revolucionário da classe trabalhadora.

Tais manobras incluíram a participação do PCF nos cargos do governo francês, a constituição do Estado de Bem Estar no pós-guerra, uma forma diminuir o ímpeto revolucionário ainda mais e a propaganda do regime democrático, de modo a garantir a subserviência dos operários ao domínio burguês, agora escondido sob o véu da “democracia”.

Os trabalhadores acabariam, finalmente, desarmados, levando a um atraso gigantesco da revolução proletária e permitindo uma reorganização do imperialismo, que acabaria se firmando a partir de 1948.

Este e outros aspectos do stalinismo, serão alvos de estudos mais aprofundados durante o curso da Universidade de Férias, que abordará este e outros aspectos do stalinismo, que demonstram os mitos por trás do tema e suas implicações políticas para a mobilização dos trabalhadores contra a burguesia decadente.
Não deixe de se inscrever através do link: https://universidademarxista.pco.org.br/

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